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 #3
Kcyan
 Posted: Jun 14 2018, 08:12 PM
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Kcyan




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Narração

Lentamente, ainda um pouco trêmulo, o Agente Lumni começava a se levantar, após trazer a placa rente ao seu peito, como quem abraçasse um tesouro. A esfera rolava um pouco para a frente, enquanto o homem se levantava, com a cabeça para baixo, em um estado que lembraria o de um semi-morto. Os seus cabelos cobriam-lhe metade do rosto, sem que pudesse se desvendar a sua face. Virava letargimante, ainda sentindo as dores, alocando o quadro em seu respectivo lugar.

Deu um passo a frente, parando a esfera com o pé, agachando-se e pegando-a, circulando-a com os dedos. Ezx falava-lhe palavras de desculpas, as quais pareciam não o alcançar; ou, se alcançavam, estavam sendo propositalmente ignoradas. Lumni ergueu a esfera, entre o abdômen e o complexo soltar de seu subalterno, como se a estendesse em oferta — Não há o que se desculpar, Agente Ezx - dizia secamente — Foi esplêndido - as palavras saíam de sua boca com certa alegria, enquanto ele erguia a outra mão, alinhando-a com a esfera, apenas com o indicador apontado para ela.

No entanto, não entenda errado, eu sou o seu superior, e preciso lembrá-lo sempre qual é o seu lugar, para que as conquistas não lhe subam a cabeça. Assim, estou apenas deixando-nos quites - erguia a face, dando um breve sorriso, que por entre os dentes sussurrava — Shigan - a esfera maciça era impulsionada a uma velocidade incrível, acertando-o diretamente no peito com extrema violência, sem tempo para que pudesse reagir, de forma a atirá-lo metros para trás junto a ela, até o agente embolar-se em suas pernas e cair, rolando e quicando por toda a distância do fundo da sala até colidir as costas e a nuca com a mesa de mogno.

A dor foi intensa, mais do que ele havia sentido qualquer outra vez. O mundo se embaçava à sua frente, de forma que ele só podia ver os pés do Agente Lumni se aproximarem, escutando às suas últimas palavras — Claro que irei ajudá-lo, Agente Ezx; considere isso um presente. Não ouse esquecer essa sensação, grave-a na mente e nos ossos - os pés deixavam o seu campo de visão, enquanto tudo escurecia lentamente, e já não poderia mais sentir as sensações de seu corpo.

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@Lucilfer Podes narrar um devaneio no próximo post, caso queira!


This post has been edited by Kcyan: Jun 14 2018, 08:14 PM
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Lucilfer
 Posted: Jun 14 2018, 09:25 PM
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Sua calma era uma antítese do seu estado: Embora tenha sido acertado, embora estivesse trêmulo, embora parecesse abatido, levantava com um tipo de classe que só podia indicar que tudo estava perfeito. Talvez, fosse assim que se sentisse, afinal, o quadro pelo qual havia se sacrificado estava perfeitamente intacto. Somado à sua tranquilidade, aliás, um leve toque de arrogância em sua postura. Parecia que nada do que tinha dito havia realmente chegado aos seus ouvidos, ou consciência.

Quando falou, porém, explicou-se: Não aceitou as desculpas pois acreditou que não fossem necessárias. Era uma ordem dele atacar com força total e, portanto, apenas cumprira com meu dever de subordinado. Mas, algo estava errado: Vê-lo brincar com a esfera, a mesma que tinha o acertado, despertou um certo tremor em mim. Ou melhor, a paciência com que o fazia, com que repousava o artefato em sua mão, era o real motivo daquele pavor crescente. Por que encarava o vidro que fora seu carrasco? Tão calmo? Por que toda essa compostura recuperada? Não era para irmos imediatamente ao treino, ou ao lugar do treino, ou a qualquer outro lugar longe das lembranças daquele golpe? O que ele queria… As próximas palavras soaram como um decreto: Acima de tudo, estava ele, um agente superior, hierarquicamente maior. Abaixo, muito mais, eu, fracassado, agente novato que tinha mais dedos em uma mão do que missões completas.

Shingan, uma única palavra, que ouvi antes de não ouvir mais nada.

Meu peito explodiu, como se uma montanha tivesse sido posta sobre ele. Dor, muita dor. Sentia-se esmagado, carne, sangue, órgãos. Meu pulmão foi o primeiro a ser notado, inútil, já que nenhum ar conseguia passar pelas minhas narinas dilatadas. Nem meus gritos conseguiam sair. Mais dor, e um outro órgão que não sabia dizer qual sofria, um gosto metálico e quente na boca. Quando percebi, na realidade, tudo estava girando, ou melhor, passando pela minha visão, como um borrão. Estava tonto? Meu cérebro, agora? Inconsciente? Não, ainda não, só estava sendo empurrado para trás. Só? A resposta veio em um baque seco, oco, entre osso e madeira. Mais agonia: Agora, vinda de ambos os lados, espremido sobre um torno invisível, gigante, e cruel. Minhas costas arquearam e, como se impelido, meu grunhido de pesar finalmente saiu. Porém, monossilábico e baixo, afinal, não tinha mais forças nem para isso. Tentei sorver algum ar, tentei não pensar na dor, tentei reagir, me mover, mas nada parecia funcionar.

Observei vultos de passos vindo em minha direção. Ouvi vultos de palavras dirigidas a mim. Mas nada realmente chegou. Só dor. Quando resistir parecia ainda mais torturante, meus olhos pesaram, e finalmente apaguei. O desmaio, porém, sabia, não impediria todo o sofrimento, na realidade, só faria o favor de guardá-lo para quando, quebrado, acordasse.



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Kcyan
 Posted: Yesterday at 01:37 pm
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Narração

O mundo como ele era. Ezx o sentia na pele; ou melhor, em sua carne e em seus ossos, em cada centímetro de ar que havia abandonado-lhe os pulmões. Havia um gosto férreo em sua boca. O gosto pesado de um líquido quente. Mas naquele momento pouco podia sentir, senão o sono batendo-lhe nos olhos.

Seus olhos se abriram, recebendo com malgrado aqueles raios de luz que penetravam-lhe as córneas. Até a luz que o iluminava fazia-lhe sentir dor, assim como poderia sentir o torpo por todo o seu corpo. Das suas fracas pernas até os seus braços, os quais sofreram o baque do golpe, como se todo o seu sistema tivesse sido abalado. Sem sombr de dúvidas havia sido um golpe formidável.

Sentia ao redor da boca e do nariz um ar úmido, além do contorno do objeto de vidro, acoplado a um tubo que o permitia respirar com maior facilidade. Haviam outros tubos mais finos saindo-lhe dos braços, ligados a tanques e a um dispositivo que fazia gotejar alguma espécie de soro ou remédio.

Em seus primeiros indícios de movimento, um enfermeiro chegou ao seu lado, com as luvas alvas estendendo-se acima de seu peito, esse que estava completamente enfaixado — Descanse mais um pouco, seu corpo ainda precisa se recuperar. Não fará mal nenhum um tanto mais de repouso - o homem lhe dizia, enquanto botava um pano dobrado, úmido e quente sobre o local onde havia recebido o golpe — Logo mais você estará liberado. Ainda irá sentir dor no local do impacto, mas nenhum órgão vital foi avariado; só não poderá fazer grandes esforços durante um tempo. Os agentes feridos possuem uma licença para afastar-se dos campos por tempo indeterminado, até que nós os liberemos - advertia.

Naquele momento, o Agente Lumni surgia na porta, dando um leve toque na madeira e adentrando o recinto. O enfermeiro se distanciava, abrindo espaço para o homem — Qual é o estado do enfermo? - perguntava, diretamente ao responsável pelos cuidados de Ezx — Estará liberado logo mais, essa é a ultima saca de soro - o enfermeiro dizia. O Agente Lumni ponderava, mordendo os lábios e soltando um assobio — Esteja em minha sala assim que estiver liberado, Agente Ezx; teremos assuntos a tratar e sua presença é necessária - o informava, repousando uma mão sobre a testa do rapaz — Levanta-se logo mais, sei que não irá me decepcionar - retirava-se do local, trocando uma última palavra com o enfermeiro.

Logo mais, as gostas continuavam a cair em seu próprio ritmo, até finalmente esvaziar-se o dispositivo, de forma que o curador de Ezx o dava o alvará para se retirar da enfermaria — Mantenha-se longe de missões conturbadas, os seus superiores já estão cientes disso. Tente não voltar para cá com muita frequência - dava um pequeno tapinha nos ombros de Ezx, após retirar todas as agulhas que lhe penetravam as veias, indicando que estava liberado para ir.

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Lucilfer
 Posted: Yesterday at 06:30 pm
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A luz bateu sobre meus olhos como uma agulha, tão fina e tão voraz. As pálpebras arderam com terra, enquanto piscavam e, finalmente, sai de um estado sonâmbulo para outro mais atento. Instintivamente, entre duas respirações longas, arqueei minhas costas tentando me levantar: A dor voltou de súbito, em um rompante terminantemente cruel, sopesando sobre mim como uma montanha, agonizante, e impelindo minhas costas de novo contra a cama.

Tão de repente quanto, a reflexão de onde estava e o que havia acontecido começavam a voltar e aparecer. Lembrei do golpe que tinha recebido, do choque contra a parede, dos músculos doendo, do gosto metálico. Da dor. Fitei ao redor como se observasse algo novo e, embora fosse, também não era, afinal, como seria de se esperar, estava na enfermaria da agência do governo, deitado sobre uma maca hospitalar, ligado a diversos tubos que pendiam de tanques com líquidos incolores. Provavelmente remédios e soros, anestésicos, presumi agradecido. O enfermeiro recitou seu sermão costumeiro enquanto eu permanecia estático, parte por estar realmente cansado, parte por não conseguir fazer outra coisa além de esperar. — Obrigado. — Agradeci aos cuidados.

Cronometrado ou não ao meu acordar, o superior adentrou o quarto de repouso para algumas palavras. Primeiro, concluiu que ainda estava vivo, mesmo comigo discordando veementemente. Depois, indicou-me que quando melhorasse era para comparecer até sua sala. Mentalmente, pressupus que seria somente daqui a algumas semanas, e até meu humor fez-se doloroso: Uma curta risada já foi suficiente para retesar um músculo dolorido, e espasmos de sofrimento foram percorridos pelo meu corpo. — Pode deixar. — Apliquei todo meu esforço para proferir as últimas palavras, deixando com que o manto do vazio cobrisse meus pensamentos por todo aquele momento de regeneração.

[...]

— De novo, muito obrigado. Vou tentar não retornar para cá tão cedo. — Sentindo-me muito melhor, despedi do enfermeiro com um aperto de mão e caminhei até a sala do meu superior. Meus passos contra o piso acinzentado ecoavam um som oco, trazendo-me uma sensação de que esquecia algo, embora turva demais para definir exatamente o que era. Olhei para os pés e observei sapatos. A manga das blusas, os botões, o terno, minha arma… O livro! Tateei meu corpo em procura daquele pequeno conjunto de páginas e sorri feliz quando encontrei-o dentro do bolso interno, onde havia guardado. Aquele movimento soava estranho até mesmo para mim, afinal, por que havia desenvolvido tanto apreço por aquelas palavras? Talvez fosse só porque ainda não tinha o terminado, uma necessidade inerente do leitor em saber o fim da história começada. Talvez, gostasse realmente da obra. Ou, talvez, fosse algo mais, algo que ainda não entendia o motivo, de fato.

Seja como for, o livro estava ali, e eu estava aqui. — Ezx. — Bati na porta três vezes, anunciei meu nome, e aguardei, esperando que minha entrada fosse autorizada. A alguns momentos antes, podia ter tomado coragem suficiente para atravessar aquela porta com determinação jovial, mas, agora, com imagens do golpe que levara tão vívidas na minha consciência, tinha entendido muito bem o porquê devia respeitar a hierarquia.



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@Kcyan

Até queria adiantar meu post, entrando na sala e dando continuidade ao enredo, porém achei mais real, interpretativamente falando, bater e esperar, já que eu tomei um golpe sinistro pra aprender a respeitar a hierarquia.
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