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 Way of the Snake
Waka
 Posted: Jan 15 2018, 11:50 PM
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Waka




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O sol batia forte na bela cidade de Extanliun. Em uma larga praça, a elite da ilha passeavam com suas famílias em meio à miríade de cores e flores proporcionadas pela primavera - clima predominante na região. Algumas pessoas alimentavam pombos, enquanto outras praticavam atividades físicas e de entretenimento. Em meio à elas, um ser esguio vestindo um manto preto passava.

Os becos da cidade também floresciam com vida. Afinal, aquela era uma ilha com mais de dois milhões de habitantes. Uma velha em sua sacada reclamava com um grupo de cantores de rua, argumentando que não conseguia descansar com aquela barulheira a qual os rapazes insistiam em chamar de "arte". Curiosamente, ao lado deles um mendigo sentava-se, levantando a mão para os transeuntes na esperança de conseguir alguns trocados. Levantou a mão para um ser esguio vestindo um manto preto. Foi ignorado.

Um homem pescando em uma bela ponte de pedra que encimava um dos principais córregos da cidade - mesmo sabendo da proibição do ato - fumava calmamente seu cachimbo, enquanto observava um ser esguio vestindo um manto preto atravessar as margens de oeste para leste. Minutos depois, uma carroça puxada por um humilde taxista-a-pé quase batia em uma barraca de frutas, tendo que desviar na última hora de um ser esguio vestindo um manto preto que cruzava o local sem preocupar-se com os arredores.

No fim das contas, nenhuma das pessoas sequer prestou atenção no ser esguio vestindo um manto preto. Como poderiam? Suas vidas já eram corridas o suficiente em uma cidade grande como aquela.

O ser esguio vestindo um manto preto finalmente parou, após andar por horas. Estava em frente a uma casa de arquitetura tradicional, onde uma placa indicava "Dojo Nakaoko". O ser esguio vestindo um manto preto suspirou e levou o capuz às costas, revelando um rosto feminino tão belo e mortal quanto um eclipse solar.

— Finalmente.

Subiu a escada de madeira de dois ou três degraus e entrou no dojo, não deixando seus sapatos do lado de fora simplesmente pelo fato de não usar nenhum.




OFF: Olá GM o/. Então, vou resumir um pouco a história e objetivos da Naga. Ela é uma espadachim tradicional de Katana, que nasceu em Wano e foi treinada no estilo Kagami-ryu, que em outras palavras significa "estilo espelho". Esse estilo se baseia em copiar outros estilos de kenjutsu e assimilá-los ao próprio repertório do usuário, seria uma espécie de copiador de estilos.

Pois bem, a Naga foi projetada para ser uma vilã, no sentido literal da palavra. Com ela não tem relativização, ela mata sem remorso. É claro que isso não faz dela uma burra que sai causando caos pelo mundo; muito pelo contrário. Ela faz as coisas pensadamente.

Em relação à personalidade dela: espere bastante palavrões e termos chulos. Ela é sincera no que fala, doa a quem doer.

Por fim, o objetivo dela é simples: simplesmente dominar TODOS os dojos do mundo. Estou usando o fato de já ser level 12 para fazer uma limpa nos blues, começando pelo South (o mais fraco). Então aqui em Extanliun não é diferente. Ela quer desafiar o mestre do principal dojo da cidade e como prova quer levar a espada dele ou a placa do local.

É isso, qualquer coisa só perguntar o/



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Rawnor
 Posted: Jan 17 2018, 05:28 PM
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E X T A N L I U N
A manhã radiante banhava a cidade de Extanliun. Por toda parte pessoas iam e vinham com enormes sorrisos no rosto, fossem mulheres estendendo roupas nos varais pelo subúrbio, crianças brincando de pique-esconde, comerciantes atraindo turistas e outros fregueses já fiéis ou, até mesmo, um grupo de pessoas reunidos em frente a uma enorme estrutura branca entoando uma espécie de cântico. O estado de paz da ilha era evidente e todos pareciam particularmente satisfeitos e felizes, todos exceto a figura esguia de preto.

A figurava atravessava a cidade como se tudo mais lhe fosse alheio, como se as pessoas, as estruturas e o restante da paisagem não passassem de uma pintura pincelada ao redor de um salão. O seu foco era tamanho que sua noção de realidade parecia distorcida ou, ao menos, insignificante. Quando finalmente chegou ao seu destino a figura baixou levantou o capuz revelando uma linda mulher que sem cerimônia alguma adentrava o Dojo Nakaoko.

Após passar pelos portões a mulher deparou-se com uma estrutura bem tradicional. Ela via antes da entrada da casa principal um pequeno campo de treinamento onde dois homens conversavam algo e logo que a viram trataram de se aproximar dela.

[Homem 1]
- Olá belezinha, o que veio fazer por aqui? O segundo homem chamava a atenção de seu amigo para a espada que Naga portava, fazendo com que o primeiro levantasse as sobrancelhas em uma leve surpresa. - Espadas são coisas perigosas, não são coisas para uma garota ficar manuseando por ai, que tal você dar meia volta, ou melhor ainda, por que nós dois não vamos dar uma volta hahahaha.

Mais do que subestimada Naga era tratada de forma até desrespeitosa por um dos homens, o outro apenas ficava em silêncio, mas muito embora também tivesse um sorriso zombeiro no rosto quando o amigo havia falado sobre espadas serem perigosas. Dentro da casa principal o som do aço chocando-se contra o aço era tão nítido para a espadachim que ela praticamente conseguia ver a cena.

QUOTE (OFF)
Assumindo oficialmente sua aventura. Gostei bastante do conceito da personagem. Espero que possamos nos divertir.




@Waka

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Waka
 Posted: Jan 17 2018, 08:09 PM
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E ntrando pelo portão principal do terreno, era possível perceber que tudo lá dentro remetia a tradição. O jardim com um lago para a prática de meditação, a casa com portas arrastáveis onde se encontrava o dojo. Até mesmo um shishi-odoshi, fonte de bambu tradicional feita para espantar aves e animais indesejados, tinha lugar no bem-arrumado local. E é claro... estudantes.

Havia apenas dois deles no lado de fora, e ao verem a jovem entrar, se aproximaram.

— Olá belezinha, o que veio fazer por aqui? Espadas são coisas perigosas, não são coisas para uma garota ficar manuseando por ai, que tal você dar meia volta, ou melhor ainda, por que nós dois não vamos dar uma volta hahahaha.

A garota, que apenas observava os dois, abaixou os olhos e parecia corar com a última sugestão do rapaz. Se aproximou dele, mantendo um semblante de presa, e não predador.

— V-você acha...? — gaguejou. Em seguida, se aproximou mais um pouco, mas apenas o suficiente para levar a ponta do cabo da espada diretamente nas narinas do homem. O movimento era liso e direto, como se a própria espada voasse por conta própria no nariz do rapaz, de baixo para cima.

— Se acha, então deve ser um imbecil. Me leve até o mestre deste dojo, não tenho tempo a perder com arruaceiros. — esperou, olhando para o outro estudante que estava mais atrás. — Quer que eu arrebite o seu nariz também?! Depois disso posso vasculhar esse dojo por conta própria. Ou melhor, posso abrir um buraco tão fundo aí que seu próximo apelido vai ser "o sem-ranho". — fazia uma ameaça boba, não estava com paciência para falar a sério com meros aprendizes.

Aquele local realmente lembrava o dojo Kagami, em Wano. Inclusive com os estudantes que não levavam a sério a honra da espada. Mas tudo bem, estes sempre acabavam sendo podados como ervas daninhas, fosse pelo destino ou pela própria lâmina do mestre.




OFF:


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This post has been edited by Waka: Jan 17 2018, 08:12 PM
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Rawnor
 Posted: Jan 21 2018, 05:05 PM
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Dissimulada, Naga aproximava-se do aluno mais atirado mostrando fraqueza, mas tão logo ganhava a distância adequada sacava sua espada com uma rapidez surpreendente, a apontando para o jovem que sem reação caiu para trás, ganhando um leve corte em uma das narinas e manchando de sangue a lâmina da garota..

[Homem 1]
- M-Maldita!! Ninguém faz isso comigo! George, me ajude aqui. O homem levantava-se e sacava sua espada com firmeza.

[George]
- Erik não seja estúpido, você não viu pelo jeito que ela sacou a espada que ela é boa? Fora que se o mestre descobrir que lutamos dois contra um ele nos expulsa...

[Erik] - Não me importo, essa vadia vai me pagar.Não se preocupa com o mestre, ele não está aqui mesmo, só precisamos acabar com ela rápido. Eu te dou uma boa grana se você me ajudar.

[George] - Hm, tudo bem então, vamos acabar com ela...

Apesar de não ser exatamente a sua intenção Naga parecia que ela havia comprado briga com aqueles dois alunos e, também, no meio disso acabava descobrindo que o mestre do Dojo estava ausente, o que frustrava, pelo menos de imediato, o seu plano.

Os dois espadachins começavam a circulá-la rapidamente, o que mostrava que pelo menos em estratégia eles pareciam sólidos, usando o número superior para diminuir as brechas da oponente. Simplesmente ao testemunhar os movimentos iniciais Naga percebia que não era amadores, mas nem tanto pareciam estar próximos ao seu nível.


@Waka

QUOTE (OFF)
Pode tomar a primeira ação Waka, seja pra lutar ou para tentar evitar o combate.
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Waka
 Posted: Jan 22 2018, 02:31 AM
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P arecia que os jovens queriam briga. Ao menos foi isso que Naga assumiu, ao ver o garoto de nariz ferido levantar-se com a ajuda do amigo e desembainhar sua espada. O outro, com a promessa de uma quantia alta de dinheiro, também o fazia.

— Vocês devem ter um desejo de morte se querem me desafiar. Vou avisar apenas uma vez: guardem suas lâminas e me digam onde o mestre de vocês foi.

Era tudo em vão. Os dois aos poucos começaram a se mover em um círculo em volta dela, procurando uma boa oportunidade para atacar. Naga semicerrou os olhos, brilhando com a intensidade esmeralda da vegetação ao seu redor; já era tarde demais para aqueles garotos.

Como ela, a mulher que seria a melhor espadachim do mundo, a mestre dos mestres, guardiã de todas as meito e conquistadora de todos os estilos [vantagem: determinação], poderia sujeitar-se a tamanho insulto? Ter que lutar contra meros rufiões, verdadeiros arruaceiros que insultavam a honra da espada de uma maneira tão absurda? Usar o Kagami-ryū contra seres tão sujos era, por consequência direta, uma desonra ao próprio estilo. Seria como tentar explicar à porcos o significado de uma pintura feita sobre tela de seda, com tinturas de ouro e prata. Isso a deixava nauseada.

Observou a maneira como eles seguravam as espadas [vantagem: linguagem corporal - combate]; todas as mesmas manias e cacuetes daqueles que não levavam nada a sério, daqueles que viam a espada como uma mera ferramenta, e não como algo a qual dedicar sua vida.

Como eles podiam achar que eram espadachins?

— Vou dar duas lições a vocês, já que aparentemente seu mestre não o faz. — levantou dois dedos da mão esquerda. — Eles serão traduzidos em dois movimentos. — e partiu. Quando primeiro jovem se deu conta, Naga estava sobre ele com a espada em mãos. Segurava-a com as duas, e realizou um movimento rápido com elas, girando o pulso.

— Ichiban! — A técnica buscava decepar fora o braço do garoto que havia aceitado lutar por dinheiro; isso era inaceitável. Queria cortar fora qualquer vínculo que ele pudesse ter com uma espada. Sem o braço, nunca mais poderia usar uma.

— Niban! — gritou em seguida, virando-se para o primeiro arruaceiro. Esta técnica era defensiva, e era conhecida em Wano por conseguir bloquear até mesmo balas de pólvora. Queria trucidar o garoto mentalmente, mostrar que o amigo estava sem o braço e que não havia nada que ele pudesse fazer.

Assim que bloqueasse qualquer ataque vindouro do outro rapazote, aproveitaria o ricochete de sua espada para jogar a lâmina diretamente em seu ombro, cortando músculo e quebrando o osso da clavícula em estilhaços. Ele ainda manteria o braço, diferente do companheiro, mas também nunca mais usaria arma alguma.




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This post has been edited by Waka: Jan 22 2018, 02:32 AM
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Rawnor
 Posted: Jan 23 2018, 04:07 PM
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Como o céu e a terra, essa era distância que separava a habilidade de Naga da habilidade dos outros dois espadachins.A mulher ainda tentou avisá-los do perigo que era enfrentá-la, mas um estava cego pela raiva e o outro cego pela ganância .

Mais do que lutar ou, apesar do que dizia, passar uma lição, Naga queria realmente fazer com que sua espada respondesse ao insulto que aqueles homens haviam feito ao forçarem-na a participar daquele embate. Isso ficava evidente pelas medidas que ela logo tomava.

Com um movimento rápido ela desferiu um corte tão preciso em um daqueles espadachins que o homem demorou cerca de dois segundos antes de perceber que seu braço havia sido separado de seu corpo e voado na direção da fonte, fazendo a água misturar-se com sangue.

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[George]
- AAAAAAHHHHHHHHHHHGGGG... O homem caia no chão emitindo um grito medonho, segurando com força o que lhe restara do braço.

[Erik]
- Sua puta! Você vai pagar por isso. O loiro desferia uma série de ataques que apesar de bem colocados era facilmente defendidos pela mulher. Era como ver uma criança sendo conduzida por um adulto.

Tendo ressarcido ataques suficientes, a mulher esperou um swing mais longo para tirar o equilíbrio do homem, o atacando em seguida com um forte golpe na clavícula. O golpe levava o rapaz ao chão de joelhos, porém, não tinha todos os efeitos desejados por Naga, havia de fato causado um corte, mas não fraturara os ossos, talvez por desgaste da lâmina de sua espada que cortara através de carne e osso momentos atrás e agora tentava fazer o mesmo com um grupo mais resistente.

A porta do prédio principal abria-se bruscamente e, atraídos pelos gritos de dor do espadachim que teve o braço descepado, cerca de doze homens portando espadas saiam de lá de dentro com um semblante preocupado. Um deles tomava a frente dos demais e falava:

[Espadachim]
- O que está havendo aqui?

[Erik] - Miyazaki, veja o que essa maldita fez, acabe com ela!

O homem ferido aos pés de Naga gritava enquanto largava sua espada para levar a mão ao corte em seu ombros. O outro parecia agora parar de gritar enquanto desmaiava pela dor. Os alunos cercavam a mulher, tirando-lhe a maioria das rotas de fuga, muito embora não parecessem demonstrar intenção de a atacarem. Dentro daquele semi-círculo estavam Nag, Erik aos seus pés e o homem ao qual o espadachim havia feito o apelo, Miyazaki.

[Miyazaki]
- Forasteira, o que veio fazer aqui? Ele olhava para o sangue pingando da espada da mulher e completava. - E por que atacou meus companheiros?

O barulho do vento que misturava-se com a respiração de todos e a água caindo do shishi-odoshi era as únicas coisas a cortarem o silêncio dali enquanto Miyazaki e os demais aguardavam pela resposta da figura esguia de preto.


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Waka
 Posted: Jan 24 2018, 03:16 PM
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O primeiro corte arrancava facilmente o braço do espadachim. O segundo, entretanto, parecia não ter força o suficiente para quebrar o osso da clavícula; ao menos Naga não ouvira o "crack" característico de um osso sendo partido. Antes que pudesse dar um segundo golpe, os espadachins que treinavam dentro do dojo saíam para fora, cercando a garota com armas em mãos. Um deles parecia ser um veterano e exercia certo domínio sobre os outros.

— O que está havendo aqui? — falou tal homem.

— Miyazaki, veja o que essa maldita fez, acabe com ela! — respondeu o discípulo. Naga arrancou a espada cravada em seu ombro, dando um golpe firme no ar para que o excesso de sangue fosse eliminado em direção ao chão; em seguida, limpou a lâmina na ponta do manto negro e a embainhou de volta.

— Forasteira, o que veio fazer aqui? E por que atacou meus companheiros?

— Vim atrás do mestre deste dojo. Tenho assuntos com ele, e apenas ele. — observou o homem caído ao chão, sem o braço. Havia desmaiado. — Em relação aos seus "companheiros", apenas defendi minha honra. Homens com armas na mão deveriam ter mais cuidado ao proferir insultos gratuitos. Se não quisessem sofrer alguns cortes, não deveriam lutar com espadas, e sim baguetes de pão.

Naga sabia que não deveria lutar contra todos aqueles homens. Não por não ter a capacidade, mas sim pois isso a afastaria do seu objetivo final: desafiar o mestre do dojo. Primeiro, isso poderia levantar problemas com a justiça da ilha. Cortar alguns homens em duelo semi-individual de espada era uma coisa, agora promover uma chacina no dojo mais tradicional de Extanliun era outra. Em segundo lugar, não sairia ilesa da batalha, de forma que isso poderia atrapalhá-la na hora da luta que realmente interessava.

Com isso em mente, manteve-se em uma posição amistosa, sem tocar na espada, agora embainhada.

— Então, onde o mestre de vocês está?




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FraylineSamuel
 Posted: Jan 30 2018, 09:18 PM
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FraylineSamuel




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WAY OF THE SNAKE - POST 4
O vento soprou com mais força, e com ele, o odor do sangue se elevou, penetrando nas narinas de todos. O homem chamado Miyazaki fechou os olhos por um instante, abrindo-os em seguida, transparecendo uma aparente calma, em paz. Quando falou, sua voz era firme, porém gentil.

- Por favor, abaixem as armas. Não haverão mais combates por enquanto. Por hora, ajudem seus companheiros feridos, levem-no ao médico mais próximo rapidamente, os ferimentos são gravíssimos.

- Hai, senpai! - Disseram os demais alunos, parecendo obedecer com grande respeito as ordens que lhes foram dadas.

- Quanto a senhorita... - Falou Miyazaki ao virar-se de frente para Naga, olhando serenamente para a obstinada espadachim, enquanto os demais alunos socorriam os dois feridos. - Por favor, queira me acompanhar. Só peço para que não mais empunhe sua espada contra meus companheiros. Será desnecessário. Vi como luta. Alguém de sua habilidade, certamente não é da estirpe que busca combater pessoas mais fracas. Assim sendo, creio que posso confiar que manterá sua lâmina dentro da bainha. Siga-me, por aqui. - Disse o homem indicando a porta do dojo, que havia ficado aberta.

O homem começou a seguir em direção ao interior do local, ao passo que os demais aprendizes já haviam levado as vítimas da lâmina de Naga rumo a um médico. Sangue havia se empoçado no chão em grande quantidade. O aroma que emanava dele ainda insistia em pairar fresco no lugar. O vento continuava soprando, incessantemente, como se tivesse ficado agitado com a luta que havia acontecido. Como Naga já havia escutado diversos samurais falarem em Wano, "há uma beleza única e inigualável que só pode ser admirada na poesia escrita com sangue, dor, honra e morte". E no meio daquele cenário estonteante e aterrador, Miyazaki se pronunciou mais uma vez enquanto andava, ainda num tom tranquilo, sem sequer olhar para trás ao falar.

- Ah, antecipadamente peço perdão em nome de meu mestre pelos alunos que lhes importunaram. Os conheço bem, e sei que se aproveitam do fato de serem aprendizes nesse dojo para criarem confusão. Não possuem a honra que é necessária para qualquer espadachim, ignoram a doutrina. Lamento pela péssima primeira impressão.



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This post has been edited by FraylineSamuel: Jan 30 2018, 09:25 PM

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luckily, i'm giant as my heart
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Waka
 Posted: Jan 30 2018, 11:35 PM
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M esmo com a garota tendo embainhado sua espada, ainda temia que a pequena multidão de espadachins a atacasse. Linchamento é um resquício de nossos traços mais animalescos, que muitas vezes vem a tona em comunidades menos disciplinadas ou racionais. Não fora o caso, felizmente (para ambos os lados). O homem, parecendo sentir o aroma de sangue, ordenava que todos abaixassem suas armas.

— Por favor, abaixem as armas. Não haverão mais combates por enquanto. Por hora, ajudem seus companheiros feridos, levem-no ao médico mais próximo rapidamente, os ferimentos são gravíssimos. Quanto a senhorita... Por favor, queira me acompanhar. Só peço para que não mais empunhe sua espada contra meus companheiros. Será desnecessário. Vi como luta. Alguém de sua habilidade, certamente não é da estirpe que busca combater pessoas mais fracas. Assim sendo, creio que posso confiar que manterá sua lâmina dentro da bainha. Siga-me, por aqui.

Como qualquer pessoa normal faria, Naga poderia acalmar os ânimos desculpando-se pelo ocorrido e esclarecendo melhor o motivo de ter ferido laceralmente os dois estudantes. Entretanto, não o fez. Não estava ali para apaziguar ou acalentar. Seu pensamento divergia dessa linha, achando que os feridos deviam estar felizes por manterem suas vidas, a despeito das ofensas proferidas. É claro, ela tinha consciência que falar isso só pioraria a situação.

— Não se preocupe. Estou aqui para tratar de assuntos com o mestre do dojo, mais ninguém. Em relação à estirpe, você acertou. Tenho pouco interesse em lutar contra estudantes. O que isso provaria, afinal? — deu de ombros, fechando os olhos enquanto caminhava atrás do homem. Aproveitava cada metro caminhado no terreno para sondar os cheiros presentes ali [vantagem: faro aguçado]. Não sabia se lhe informariam a localização de seu mestre, mas se conseguisse memorizar algum odor que ele deixara para trás, talvez conseguisse procurá-lo pela ilha.

— Ah, antecipadamente peço perdão em nome de meu mestre pelos alunos que lhes importunaram. Os conheço bem, e sei que se aproveitam do fato de serem aprendizes nesse dojo para criarem confusão. Não possuem a honra que é necessária para qualquer espadachim, ignoram a doutrina. Lamento pela péssima primeira impressão.

— Não lamente. Os cortes que realizei em seus corpos foram feitos para que apenas eles lamentem qualquer coisa. Além do mais, isso aconteceria mais cedo ou mais tarde, fosse eu ou outra pessoa. — Não podia evitar o pensamento de que o homem à sua frente estava dócil demais após ver dois companheiros daquele modo. Em Wano duelos sangrentos entre estudantes de diferentes dojos eram comuns, de forma que todos compreendiam que não havia honra a ser lavada após casos assim. Lembrava-se, entretanto, que não estava mais em Wano, e sim nos blues.

Mantinha-se cética em relação à situação, mas por enquanto não tinha motivos para fazer qualquer outra coisa.




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FraylineSamuel
 Posted: Jan 31 2018, 12:40 AM
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WAY OF THE SNAKE - POST 5
Logo que adentraram no dojo, o olfato muito apurado de Naga sentiu uma profusão de aromas permeando todo o recinto. Conseguiu identificar claramente os ingredientes dos muitos incensos acesos ali: agarwood, sândalo e cravo. Conseguia também ainda sentir o cheiro de sangue pungente vindo de fora. Por último, sentiu um leve perfume no ar, que não conseguia identificar. Era muito suave, quase imperceptível, mas estava ali, e se misturava quase que perfeitamente aos outros cheiros. E mesmo sem conseguir saber o que ou de onde vinha, certamente era um dos melhores cheiros que já havia sentido em sua vida. Mas aquele cheiro não vinha de velas ou incensos, isso era uma certeza.

Seus outros sentidos também lhe inundavam com informações. Seus olhos agora contemplavam um dojo que em alguns aspectos lembrava até mesmo um templo de meditação. Feito em madeira nobre, com adornos delicados trabalhados em pedra sabão, jade e madeira de cerejeira, era ricamente decorado com diversos itens que aparentavam ser muito antigos, assim como possuía pinturas magníficas, ilustrando grandes combates entre espadachins. Uma seção de suportes sustentava diversos equipamentos de treinos de excelente qualidade. Incensários e candelabros de ouro e pedras preciosas continham velas aromáticas e incensos acesos, que davam ao local todo seu perfume único. O dojo parecia quase um templo sagrado.

Os ouvidos de Naga eram acariciados pelo pacífico silêncio, ocasionalmente interrompido por breves sons, baixos e melodiosos, vindos do canto dos pássaros e do borbulhar de alguma pequena cascata ou córrego ali próximo, provavelmente atrás do dojo. O silêncio que imperava desde que haviam entrado foi cortado por Miyazaki.

- Entendo seus motivos para estar aqui, e entendo sua filosofia de punição aos alunos. Mas por favor, entenda, essa doutrina é um pouco demais para iniciantes como estes que encontrou. Eles não estão prontos para lidar com o peso da responsabilidade de uma lâmina, nem com as consequências delas. Ainda estão no inicio da caminhada. Espero que compreenda, e tenha piedade. Deixe-os aprender e evoluir para que talvez um dia sejam um desafio a altura.

Em seguida, o rapaz se sentou próximo a uma mesinha, onde havia chá servido. Provavelmente ele estava apreciando a bebida anteriormente, antes da confusão lá fora começar. Ele indicou o assento à frente dele para a jovem espadachim de wano, no lado oposto da mesa, onde colocou outra xícara e serviu com chá. Ali Naga conseguiu descobrir a origem do aroma maravilhoso que havia sentido. O chá estava exalando o misterioso e agradabilíssimo cheiro. O que era aquela infusão de ervas? Eram tantos aromas misturados com perfeição em um só que dificultava distinguir seus componentes. Mais uma vez a voz estranhamente calma do rapaz chegou aos ouvidos da espadachim.

- Por favor, sente-se, fique a vontade. O mínimo que posso fazer, em nome do dojo, como pedido de desculpas pelo incidente lá fora, é oferecer nossa humilde hospitalidade. Aprecie o chá. Entendo que disse que tem assuntos a tratar somente com o mestre do dojo, mas infelizmente ele não se encontra no momento, está resolvendo alguns problemas. Eu sou um dos alunos mais antigos deste dojo e, diga-se de passagem, o mais antigo dos que estão aqui neste exato momento. Então, o local está sob minha responsabilidade por enquanto. Por favor, não se incomode, diga o que deseja tratar com meu mestre, talvez eu mesmo possa lhe ajudar.



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This post has been edited by FraylineSamuel: Jan 31 2018, 10:05 AM
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Waka
 Posted: Jan 31 2018, 09:12 PM
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A proximando-se da entrada do dojo, Naga depara-se com um belo shoji tradicional, lembrando-a de Wano. O homem à sua frente o arrastava para o lado, abrindo caminho até a parte interna do local. Se tratava de um dojo de arquitetura bem semelhante àqueles que conhecia, tradicionalmente falando, mas os variados aromas presentes ali chamavam a atenção da samurai. Não podia dizer que se sentia confortável caminhando em cidades medievais; muitas latrinas abertas, pessoas sem a mínima consideração por higiene pessoal e lixo por todo o lado. Ali, contudo, sentia-se limpa pela primeira vez naquela ilha.

A qualidade dos materiais presentes ali dentro parecia ser de primeira. Armas, pinturas e até mesmo os tatâmis eram decorados minuciosamente. Tinha ouvido falar que tal dojo era pertencente à elite da ilha, mas agora admitia que tais palavras não descreviam o lugar à altura.

— Entendo seus motivos para estar aqui, e entendo sua filosofia de punição aos alunos. Mas por favor, entenda, essa doutrina é um pouco demais para iniciantes como estes que encontrou. Eles não estão prontos para lidar com o peso da responsabilidade de uma lâmina, nem com as consequências delas. Ainda estão no inicio da caminhada. Espero que compreenda, e tenha piedade. Deixe-os aprender e evoluir para que talvez um dia sejam um desafio a altura.

Apenas consentindo simpaticamente com a cabeça, a garota observava o homem à sua frente se mover até uma mesa, no canto do dojo. Fazendo um sinal com a mão para que a garota se sentasse, também sentou. Havia chá à sua frente, e a garota tirou a espada da cintura, colocando-a ao seu lado no chão. Permanecia sobre as pernas, e levou o agradável copo até sua boca, não bebendo.

Naga não gostava de chá. Trazia más lembranças de Wano e de seu mestre, aquele que um dia deveria ser derrotado. Por etiqueta, fez de conta que bebeu, colocando o copo cuidadosamente sobre a mesa novamente e fitando a pessoa do outro lado do móvel.

— Por favor, sente-se, fique a vontade. O mínimo que posso fazer, em nome do dojo, como pedido de desculpas pelo incidente lá fora, é oferecer nossa humilde hospitalidade. Aprecie o chá. Entendo que disse que tem assuntos a tratar somente com o mestre do dojo, mas infelizmente ele não se encontra no momento, está resolvendo alguns problemas. Eu sou um dos alunos mais antigos deste dojo e, diga-se de passagem, o mais antigo dos que estão aqui neste exato momento. Então, o local está sob minha responsabilidade por enquanto. Por favor, não se incomode, diga o que deseja tratar com meu mestre, talvez eu mesmo possa lhe ajudar.

Já era a segunda vez que perguntava os motivos de Naga estar ali. Aquilo eriçou a garota como um gato raivoso, mas não deixou transparecer. Se não havia contado da primeira vez, por que contaria agora? De qualquer modo, não fazia sentido esconder tais motivos, apenas não queria explicitar ao rapaz que, até o fim do dia, poderia ficar sem mestre, dependendo de como as coisas se desenrolassem.

— Obrigada, é um belo dojo. Eu venho de Wano, no Novo Mundo, e posso atestar que vocês seguem uma linha de excelência no que diz respeito à estrutura, a despeito daqueles dois estudantes — estava sendo política, um elogio seguido de uma crítica possivelmente levaria a conversa para os rumos que ela queria. — Quanto ao assunto que tenho com seu mestre, é simples. Vim para desafiá-lo.

Levou o copo de chá novamente até a boca, não tomando nada. Tão pouco desviava o olhar dos olhos do rapaz à sua frente.




OFF: Sua narração está muito boa! quase me enxerguei dentro do dojo hahuahahua. A propósito, sim, a Naga é uma CHATA huahauuauha, mas eu estou fazendo isso propositalmente, já que quero levar ela para a linha da vilania, e que traço melhor do que ser implicante e prepotente? hahuahuahua


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 Posted: Feb 1 2018, 12:44 AM
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WAY OF THE SNAKE - POST 6
Miyazaki deu um pequeno suspiro, e então desviou o olhar em direção a parte de trás do dojo, para o shoji aberto que revelava o jardim que lá ficava. Um pequeno córrego cortava o terreno no meio, com uma simples e delicada ponte de madeira por cima dele. Cerejeiras floridas tomavam grande parte da paisagem, com suas pétalas voando ao vento. O aroma fresco misturava-se aos de diversas outras flores e ervas aromáticas que estavam presentes por lá.

- Já imaginava que era este seu desejo. Aliás, é algo de certa forma óbvio. Mas ainda assim, precisava ouvir de sua boca, pois aprendi que não devo pressupor coisas. Também sou natural de Wano, senhorita. Sei bem o valor de uma vitória para um espadachim. Mas como eu disse, meu mestre não se encontra. Como teve a bondade de me dizer o que veio fazer neste dojo, também lhe contarei o que causou a ausência de meu mestre no momento.

O rapaz levou novamente o copo a boca, tomando alguns pequenos goles do chá, apreciando lentamente. Pousou o copo em seguida, e então colocou com cuidado sobre a mesa uma bainha que estava amarrada em sua cintura e o que parecia ser uma tela de pintura sem moldura, enrolada e amarrada com uma pequena fita preta. O olfato apurado de Naga imediatamente detectou o odor característico de metal antigo, já muito banhado em sangue. A bainha emanava esse aroma de forma impossível de ignorar, mesmo estando vazia, sem a katana que era a provável responsável por impregná-la com aquele cheiro.

- Sofremos um ataque faz duas semanas. Um homem excêntrico e mascarado invadiu nosso dojo durante a noite e atacou diversos alunos. Como se não bastasse, ele roubou a lâmina orgulho de nosso dojo, Kushinada. Ela é uma arma ancestral que estava sob nossa guarda há muitas gerações. As lendas contam que ela foi criada pelo mais velho de três irmãos há séculos atrás. A história diz que eles tentaram impressionar o maior espadachim do mundo daquela época, criando espadas perfeitas, mas que entretanto o espadachim disse que elas eram insuficientes. Segundo ele, uma era resistente, porém sem beleza. A outra, letal, porém sem leveza. E a ultima era balanceada, mas carecia de alma forte. E que se um dia alguém pudesse uni-las, nasceria então uma arma digna. A lenda diz que Kushinada, a balanceada, é uma katana destinada a unir-se em uma só com suas duas irmãs, Yamata No Orochi e Susanoo, pelas mãos de um ferreiro capaz. É claro, a lenda é muito antiga e praticamente esquecida, mas é importante para nós, pois a tradição diz que elas foram forjadas bem aqui, onde se encontra este dojo.

Miyazaki voltou a beber seu chá, dessa vez esvaziando o copo. Suspirou mais uma vez, demonstrando um aparente cansaço em meio a sua postura calma e compassiva. Após isso voltou a falar.

- Esta tela enrolada foi uma pintura que um de nossos alunos que foram atacados fez, ilustrando o agressor mascarado. Fique a vontade para vê-la. Meu mestre foi em busca dele para tentar recuperar a katana e puni-lo pelo ataque. Mas já faz dois dias que ele se ausentou, e estou ficando preocupado. Pelo menos o chá me ajuda a manter minha mente clara. Por falar nisso, noto que não bebeu o chá. Se tivesse bebido, não teria falado sobre desafios ou luta, e seus ombros tensos teriam relaxado mais. Esse chá é um preparo especial, feito a base de valeriana, erva de gato, sementes de papoula e uma rara flor chamada presa de serpente. É um chá que acalma qualquer coração e remove qualquer desejo por combate que habite o interior dele.

Logo que Miyazaki terminou de falar, uma pequena pétala de flor de cerejeira entrou no dojo voando, trazida dos jardins pelos ventos que ainda sopravam constantes lá fora. Ela pairou no ar alguns instantes acima da mesa onde os dois espadachins estavam sentados, e em seguida desceu de forma suave, pousando delicadamente próxima as mãos de Naga.




OFF = Que bom que está gostando da narrativa, hahaha! A intenção é realmente essa, te ambientar bem pra facilitar a imersão no cenário e facilitar sua interpretação da personagem. Fica bem mais fácil quando nos vemos no lugar que ela está hahaha. Estou adorando sua personagem, tenha certeza que a personalidade dela será muito explorada de diversas formas nesta aventura!


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 Posted: Feb 1 2018, 01:51 PM
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A o ouvir as palavras da mulher, Miyazaki virou o rosto para contemplar a quietude e paz do dojo. Parecia ponderar as palavras ditas e raciocinar a respeito delas. Mesmo em sua soberba, Naga podia respeitar uma pessoa assim.

— Já imaginava que era este seu desejo. Aliás, é algo de certa forma óbvio. Mas ainda assim, precisava ouvir de sua boca, pois aprendi que não devo pressupor coisas. Também sou natural de Wano, senhorita. Sei bem o valor de uma vitória para um espadachim. Mas como eu disse, meu mestre não se encontra. Como teve a bondade de me dizer o que veio fazer neste dojo, também lhe contarei o que causou a ausência de meu mestre no momento.

Naga manteve-se quieta, deixando o homem progredir sua fala sem interrupção. Agora entendia o motivo de tolerar aquele rapaz - também era de Wano. Este, por sua vez, pegava uma bainha e a colocava sobre a mesa respeitosamente, junto a uma tela enrolada de pintura. A bainha cheirava a diferentes, porém característicos graus de óxidos e carbono, o que só podia significar uma coisa: a arma pertencente àquela peça havia derramado muito sangue. Esta, entretanto, não estava presente ali.

— Sofremos um ataque faz duas semanas. Um homem excêntrico e mascarado invadiu nosso dojo durante a noite e atacou diversos alunos. Como se não bastasse, ele roubou a lâmina orgulho de nosso dojo, Kushinada. Ela é uma arma ancestral que estava sob nossa guarda há muitas gerações. As lendas contam que ela foi criada pelo mais velho de três irmãos há séculos atrás. A história diz que eles tentaram impressionar o maior espadachim do mundo daquela época, criando espadas perfeitas, mas que entretanto o espadachim disse que elas eram insuficientes.

Neste momento a atenção de Naga estava totalmente voltada à fala de Miyazaki. Seu coração palpitou aceleradamente e ela conseguiu sentir sua boca salivar. Aparentemente havia um terceiro envolvido nessa história toda, e parecia ser alguém forte. Naga estava prestes a gritar com seu interlocutor, exigindo a localização deste homem e de seu mestre. Não tinha tempo a perder, precisava derrotar a todos [vantagem: determinação]! mas logo uma palavra chamou sua atenção conforme Miyazaki continuou...

—Segundo ele, uma era resistente, porém sem beleza. A outra, letal, porém sem leveza. E a ultima era balanceada, mas carecia de alma forte. E que se um dia alguém pudesse uni-las, nasceria então uma arma digna. A lenda diz que Kushinada, a balanceada, é uma katana destinada a unir-se em uma só com suas duas irmãs, Yamata No Orochi e Susanoo, pelas mãos de um ferreiro capaz. É claro, a lenda é muito antiga e praticamente esquecida, mas é importante para nós, pois a tradição diz que elas foram forjadas bem aqui, onde se encontra este dojo.

...e o coração de Naga, antes acelerado, pareceu congelar por uma fração de segundo, gerando uma sensação de descompasso. Aquilo não podia ser verdade. Instintivamente pegou na bainha de sua arma - que não era sua por direito, mas por dever - mantendo o punho firmemente fechado em volta dela. Depois de um tempo, falou.

— Não pode ser coincidência. A arma que tenho em minhas mãos é o símbolo de meu dojo. Ela foi usada por gerações de espadachins nas mais diferentes batalhas, e também durante paz. Ela é Yamata no Orochi, a serpente do caos, o espelho da alma, a conquistadora de estilos...— pausou por um momento, percebendo que havia gasto todo o ar dos pulmões ao proferir aquela sentença. — Se o que diz é verdade — falou após respirar profundamente. — significa que tenho o dever de recuperar sua irmã, Kushinada. Não sei de lenda alguma acerca de Yamata no Orochi, apenas que é muito antiga e que há séculos esteve no dojo Kagami em Wano.

— Esta tela enrolada foi uma pintura que um de nossos alunos que foram atacados fez, ilustrando o agressor mascarado. Fique a vontade para vê-la. Meu mestre foi em busca dele para tentar recuperar a katana e puni-lo pelo ataque. Mas já faz dois dias que ele se ausentou, e estou ficando preocupado. Pelo menos o chá me ajuda a manter minha mente clara. Por falar nisso, noto que não bebeu o chá. Se tivesse bebido, não teria falado sobre desafios ou luta, e seus ombros tensos teriam relaxado mais. Esse chá é um preparo especial, feito a base de valeriana, erva de gato, sementes de papoula e uma rara flor chamada presa de serpente. É um chá que acalma qualquer coração e remove qualquer desejo por combate que habite o interior dele.

Naga levantou-se, com a espada embainhada em mãos.

— Então acho que fiz bem em não beber nem um gole sequer. Exatamente o que quero agora é combate. Me diga o local onde seu mestre foi procurar pelo homem mascarado e lhe prometo não feri-lo quando chegar lá. A espada está acima de minhas vontades e deveres. Kushinada deve ser recuperada; se assim for feito, desafiarei seu mestre pela honra de empunhá-la novamente aqui neste dojo...

Colocou a espada na cintura, abaixo do manto que cobria seu corpo praticamente nu, enquanto com a outra mão segurava a pintura do mascarado.

— ...e meus desafios não podem ser negados.




OFF: post ficou imenso, mas uma revelação tão importante deve vir acompanhada de uma reação importante hahaha


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 Posted: Feb 2 2018, 12:12 PM
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WAY OF THE SNAKE - POST 7
O olhar espantado de Miyazaki fitou Yamata No Orochi, e em seguida a face decidida de Naga. Em seguida, se levantou, colocando a mão sobre uma de suas próprias katanas. Parecia que iria atacar a qualquer momento. Então, mais uma vez respirou fundo, como se quisesse reordenar os pensamentos. Suspirou de forma mais calma e tornou a tirar a mão da arma.

- A lenda fala que cada forjador levou sua criação consigo, e que cada um criou um dojo para que, ensinando os outros, pudessem refinar a sua própria arte. Provavelmente, seu dojo é um dos relatados na lenda. Compreendo a chama de desejo que queima em seu coração, e não irei impedi-la, apesar desta ser a minha vontade. Não gosto da ideia de alguém que almeja derrotar o meu sensei estar se envolvendo neste caso, mas como você mesma disse, sendo a portadora de Orochi, isso não pode ser mera coincidência. O destino tem formas estranhas de se portar. Pois bem. Meu mestre disse que iria investigar na área das docas, que foi o local no qual o homem mascarado o despistou no dia do ataque. Talvez você encontre um dos dois por lá. Peço somente para que mantenha a descrição, meu sensei não quer que este caso envolva as autoridades. Lhe acompanharei até o lado de fora do dojo. Devo me ausentar também, preciso ir ao hospital ver como estão meus companheiros.

O rapaz começou a caminhar em direção a saída do dojo, parando à porta, para aguardar educadamente que Naga o acompanhasse. Enquanto aguardava, ele olhava com desgosto para a pintura que a jovem segurava na mão. A fita que mantinha a tela enrolada havia se soltado sem que ela percebesse, talvez no meio de seu ímpeto ao levantar. Agora, a pintura aberta revelava a aparência daquele que havia causado todo aquele caos no dojo.

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This post has been edited by FraylineSamuel: Feb 2 2018, 12:12 PM
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 Posted: Feb 2 2018, 07:13 PM
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M iyazaki colocou a mão na espada, pronto para desembainhar a arma e começar um duelo de cortes. Os olhos de Naga brilharam enquanto ela fitava excessivamente os olhos do rapaz. Ela viu dentro do próprio reflexo ocular a cena se desenrolar. O modo como o veterano havia posto a mão na espada, os possíveis ângulos em que seu braço poderia se mover, separando a lâmina de aço da bainha de madeira. Enxergava os caminhos que podia percorrer em volta da mesa, ou por cima desta. O chá sendo derramado sobre a pétala. O braço utilizado pelo garoto indicando à visitante qual dos seus devia usar, sendo ambidestra por treinamento.

No fim das contas, uma luta não seria tão ruim. Se esse rapaz era mesmo aprendiz de seu mestre, mostraria - mesmo que imperfeitamente - as características de seu estilo. E para um usuário de Kagami-ryū, o estilo das cópias, cada pequeno detalhe era como ouro.

O momento tenso terminou antes de começar. Miyazaki respirou e relaxou, assim como Naga, sentindo seu tórax diminuir após soltar o ar preso em poucos segundos.

— A lenda fala que cada forjador levou sua criação consigo, e que cada um criou um dojo para que, ensinando os outros, pudessem refinar a sua própria arte. Provavelmente, seu dojo é um dos relatados na lenda. Compreendo a chama de desejo que queima em seu coração, e não irei impedi-la, apesar desta ser a minha vontade. Não gosto da ideia de alguém que almeja derrotar o meu sensei estar se envolvendo neste caso, mas como você mesma disse, sendo a portadora de Orochi, isso não pode ser mera coincidência. O destino tem formas estranhas de se portar. Pois bem. Meu mestre disse que iria investigar na área das docas, que foi o local no qual o homem mascarado o despistou no dia do ataque. Talvez você encontre um dos dois por lá. Peço somente para que mantenha a descrição, meu sensei não quer que este caso envolva as autoridades. Lhe acompanharei até o lado de fora do dojo. Devo me ausentar também, preciso ir ao hospital ver como estão meus companheiros.

— Então irei até as docas. Não vou ferir seu mestre até que esta situação esteja resolvida. Claramente não preciso ressaltar o quanto levo minha honra a sério, não? — mais uma vez usava um tom conciliador seguido de outro ameaçador. Estava em sua natureza: a de caçador, não de presa. Uma cobra que agrada um rato com o chacoalhar de sua calda não o faz por gostar do rato, mas sim para abocanhá-lo em seguida.

Levantou-se e curvou-se levemente, agradecendo pelo chá não tomado. Saiu do dojo acompanhada pelo espadachim e, na saída, seguiu o caminho até as docas da cidade, local por onde havia chegado à ilha. Tinha em mente a imagem que havia visto na tela de pintura: um homem mascarado com feições sádicas.




OFF:


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