versão 8.1

 
fechado
novo tópico
fazer enquete

 ðŸŽðŸŽðŸ: O Que Restou
Galahad
 Posted: Mar 9 2018, 02:09 PM
citar


Galahad




N/A



15 posts

Ficha

Galahad is Offline

Aventureiro




o que restou

post nº1 / 218 palavras

Onde ficará o meu norte agora? Qual é o sentido de tanto esforço para nada? Me perguntar isso agora não fará a mínima diferença, tudo que eu conquistei havia se perdido em um instante, como o pó é levado pelas ventanias fortes da primavera. Não ponderaria eu que a totalidade de meus atos bons seriam tão frágeis para serem destruídos por mãos alheias e mais fortes... Cai no erro comum das pessoas normais, não fui o pai que Rosa, minha filha, precisou que eu fosse, não fui o forte protetor que prometi em meus votos para Elizabeth, minha querida esposa, e desonrei o nome de meu mestre, pois não tive poder para reagir.

— Ah... — Uivo em lamento, pois em meu rosto as lágrimas já haviam se esgotado. Me ajoelhava, deixando meu corpo se desvanecer ao chão em seguida, olhando para os escombros que numa falha tentativa eu tentei salvar; em minha cabeça ainda ouço os gritos de agonia das pessoas que foram mortas por minha culpa, apenas por um capricho de desobediência.

A voz de meu mestre, de repente, me veio a mente, seus ensinamentos ainda eram vigorosos e presentes em mim. "Menino tolo, nunca haja sem esperança, pois, sem esperança, um homem é apenas um morto que já perdeu seu espirito". Sim, eu devo procurar por sobreviventes.



This post has been edited by Galahad: Mar 9 2018, 11:23 PM
mp
^
Mephisto
 Posted: Mar 9 2018, 03:47 PM
citar


Mephisto




N/A



10 posts

Ficha

Mephisto is Offline

Aventureiro




O QUE RESTOU
私はより強くなければならない。

Olhei mais uma vez para o corpo de minha mãe, não podia acreditar, meus olhos se enchiam de lágrimas insistentes que molhavam toda minha face. - Mãe... - Pronunciei tocando suavemente sua pele um pouco fria. Tudo doía, eu não tinha mais nada, nem amigos ou família, parecia que o sentido da vida acabara de se esvair por ai e eu não tinha forças para tentar recuperá-lo. O que deu naqueles homens? Uma hora nos ajudavam a destruir ameaças eminentes e em outra se tornavam a ameaça, a pior de todas. Tentei levantar seu corpo do chão, era muito pesado para meu fraco corpo. Tal hora não haveria ninguém por aquelas bandas e a cidade mais próxima estava a horas de caminhada. Não podia suportar tanta inutilidade vindo de mim, se eu não tivesse fraquejando minha vila ainda estaria de pé. Era doloroso pensar assim, mais lágrimas vinham não havia nada que pudesse ser feito.

A duvida se misturava em meio aos meus pensamentos, a essa altura eu já estava sentada ao lado do corpo da pessoa que mais me amou. Tirando seus ferimentos, ela estava com uma face serena, como se ainda me dissesse o quanto me ama. Ao lembrar de nossos bons momentos eu podia sentir de novo uma faísca de bons sentimentos, mas logo essa imagem era quebrada pelos homens que destruíram minha vida. Se ao menos eu soubesse quem eles eram, os destruiria. Como tiveram coragem, o que nós fizemos? Isso era algo que apenas eu poderia descobrir, e eu iria. Ficar sentada ali não me traria soluções, nem me deixaria mais forte.

Rapidamente subi aquela ladeira ingrime, deslizando em algumas tentativas, pegaria meus pertences e traria alguém para levar os corpos que estavam ali. Eles não mereciam ser deixados ao relento até que degradassem. Enquanto caminhava pelos escombros ouvi um baixíssimo "Ah". Me assustei um pouco, mas devo admitir que me enchi de esperança, alguém poderia ter sobrevivido. Ao me aproximar vi que não se tratava de um sobrevivente da vila, era só mais um integrante daquela tropa que veio nos exterminar. Naquele momento eu poderia ter fugido, mas decidi enfrentá-lo.

ainsley tyson | do u wanna trade
⬦ clear ⬦


--------------------

This post has been edited by Mephisto: Mar 11 2018, 11:24 PM
mp
^
T. Wall
 Posted: Mar 9 2018, 09:56 PM
citar


T. Wall




N/A



253 posts

Ficha

T. Wall is Offline

Narrador




QUOTE
Gostaria de pedir duas coisas, por gentileza:

1) Mephisto, preciso que coloque o link de sua ficha na assinatura ou no avatar (você pode fazer isso em My Controls);
2) Galahad, você se importaria em aumentar um pouco o tamanho da letra dos posts?

Sejam bem-vindos! Vou interagir pouco nessa primeira postagem, só dando uma contextualização. Sintam-se livres para postarem quantas vezes acharem necessário entre vocês no turno para desenvolverem um diálogo e/ou conexão entre os personagens.

Ah, espero que não se importem, mas não uso template quando narro por motivos de... preguiça!


user posted image


Longe do reino.

Longe da ordem.

No desolamento.

A periferia do reino de Lvneel é terra de ninguém. É terra devastada. Naquela noite, não houve cânticos. Naquela noite, não houve lua. Uma luz parca e soturna iluminava os escombros do que mais cedo foi palco de mais uma grave repressão promovida pelo Rei Agneus III e seus asseclas. Uma execução de praça pública. Um senhor e uma mulher.

Mas não sem resistência. O antigo "herói do povo", hoje chamado de traidor tentou bravamente se opor ao regime. Mas o regime é cruel. Liderados pessoalmente por Gamagori, os rebeldes foram acuados até a construção de uma antiga escola e, ali, sofreram uma desastrosa derrota.

As granadas disparadas pelas tropas imperiais levaram vários prédios abaixo. A população corria em meio a destruição de todo o bairro.

Não houve o piado das corujas aquela noite.

Não houve paz.

Mas havia sobreviventes.

Os espólios da guerra. Os resistentes e resilientes. Eis que, num toque do destino, dois deles se cruzavam na frente dos escombros. A garota encontrava o gigante. O que será que sairia daquele momento?

mp
^
Mephisto
 Posted: Mar 10 2018, 05:04 PM
citar


Mephisto




N/A



10 posts

Ficha

Mephisto is Offline

Aventureiro




O QUE RESTOU
私はより強くなければならない。

O silêncio que se mantinha ali era agoniante. De longe eu podia vê-lo variando de feições, como se conversasse com seus próprios pensamentos, ainda havia em seu olhar uma determinação que eu não era capaz de identificar o motivo de tal, talvez de quem ainda precisasse terminar o serviço e ter certeza de que não haviam sobreviventes. Estava enojada, como ele teve coragem? Semanas atrás toda a vila lhe entregou rosas como sinônimo de confiança, afinal ele tinha mostrado ser merecedor. O poder pode subir a cabeça de alguns e foi exatamente isso que o corrompeu, as pessoas tinham que saber da verdade e não mais glorificar criaturas assim. De certo modo era bem triste, eu via nesse homem uma esperança de que o reino pudesse ser mudado, mera ilusão. Enquanto eu olhava ele parecia um tanto estranho, como se algo ruim o perturbasse, não posso aguentar ficar apenas escondida. Caminhei pelos escombros que se espalhavam por todo lado até chegar bem perto da grande figura, estava me roendo por dentro. Eu queria minha antiga vida de volta e o fato de não tê-la aqui comigo era completamente culpa dele! Alguém deveria ser responsabilizado, isso era um clamor por justiça.

Me aproximei em prantos, era como se as insistentes lágrimas tivessem vontade própria, e agora estavam convictas a me tornar frágil. Tentei manter postura, mas quem eu queria enganar, não passava de uma menina de 11 anos que acabou de perder tudo e agora queria fazer algo, não apenas morrer na inutilidade. Eu tive a sorte de encontrar pessoas que me amavam e que me criaram mesmo depois dos meus verdadeiros pais me abandonaram, e mesmo tendo tanto a agradecer eu não tive coragem para tentar intervir, talvez minha força não fosse o suficiente, mas atrasá-los eu iria conseguir. Por outro lado eles não queriam saber disso, apenas nos mataram sem piedade. Como se não fossemos mais necessários e isso era o pior de tudo. Enquanto olhava para minha mãe, imaginei o por que de todo o nosso trabalho não teve nenhuma visibilidade. Sempre mantínhamos o curso das coisas em paz, trabalhávamos para o reino com prontidão e em troca eles promovem uma chacina. Um turbilhão de perguntas vinham sem resposta e a essa altura eu não regulava mais meus passos em direção ao soldado.

Choquei-me contra aquela barreira humana. - Como pode? Por que fizeram isso conosco? O que fizemos a vocês? Não existe compaixão em meio a esses soldados? - Gritava, pondo para fora tudo que machucava por dentro. Por mais que eu me esforçasse, esquecer todas aquelas cenas de horror não seria fácil. Eu tentava empurrá-lo, mas nem tinha forças para me manter em pé. Era tão difícil, eu sei que estava agindo e pensando de modo infantil mas era inevitável, ninguém deveria passar por uma situação assim na vida. Mas todos sabemos que essa é a realidade, certamente minha vila não foi a primeira e nem será a última. Não posso imaginar tantas crianças presenciando tanta crueldade, é inaceitável.

Eu estava muito fraca, meu peso estava insuportável. Deixei meu pequeno corpo cair de joelhos em meio aquele desastre. Olhei para cima e encarei o homem parado na minha frente, senti meus olhos escurecerem e por alguns minutos eu pensei que iria desmaiar, mas foram apenas momentos de fraqueza, mais momentos. Novamente chorei, é como se não tivesse fim. Separava dele uma resposta reconfortante, que me desse explicações complexas. Ou que apenas ele agisse de maneira fria e terminasse seu cruel trabalho. Não era uma vontade minha, por isso deslizei para trás me distanciando ainda olhando para cima, tanto silêncio me incomodava.

- Me responda! Eu imploro, me responda o motivo de terem destruído minha vida e levado minha família. Ninguém merece passar por coisa assim. Não entendo tanta injustiça. Vocês deveriam nos proteger, serem nossas esperanças.

ainsley tyson | do u wanna trade
⬦ clear ⬦


--------------------

This post has been edited by Mephisto: Mar 11 2018, 11:24 PM
mp
^
Galahad
 Posted: Mar 10 2018, 07:04 PM
citar


Galahad




N/A



15 posts

Ficha

Galahad is Offline

Aventureiro




o que restou

post nº2 / 780 palavras

Apoio-me sobre meus joelhos para poder me erguer, meu corpo ainda está quente pelo calor que o local está produzindo, penso eu que é provavelmente por essa parte do reino ter sido bombardeada sem piedade. Desde criança imaginei como o rei parecia, vejo agora que é um homem que governa a mão de ferro e de forma desalmada. Ainda sinto meus braços pesados da resistência que tentei prover para o povoado, mas duvido que alguém pôde ver minha ferocidade em tentar salva-los. Me desloquei a passos largos a dentro das ruínas, movimentada minha cabeça para as laterais com a esperança de encontrar uma alma sobrevivente, mas a cada segundo se tornava mais difícil ser alguém esperançoso. Longe do reino, a cidade era apenas um vislumbre do que já foi, no momento é apenas um fantasma de sua antiga glória. Lembro-me de ter visitado aqui algumas outras diversas vezes, tantas crianças e mulheres sorridentes, idosos que relaxavam sobre a tranqüilidade da suposta “proteção do rei” que lhes foi prometida e olha só agora, todos eles são seres ao chão, cinzas.

Já havia passado por muitos conflitos que me trouxeram um sentido extra sobre estar sendo hostilizado a distância, sendo que estranhamente, nessa cidade fantasma e morta, eu estava com esse pressentimento ruim como se alguém quisesse me apunhalar pelas costas. Agneus III era realmente um homem cauteloso, não, eu diria que ele apenas é temeroso demais para não mandar soldados conferirem se toda a chacina não havia sido concluída com sucesso absoluto, eu tinha que me manter vivo, eu já desonrei demais as pessoas que confiaram em mim e morrer agora só seria uma prova de que sou uma piada, minha filha ainda me espera em algum lugar. Levo minha mão até meu peito e sinto meu coração se agitar, uma batalha podia estar se aproximando e eu quero estar no meu melhor estado para combate.

Fito com meus olhos o horizonte de cada canto que minha visão disponibiliza, não conseguia ver nada que me faça concluir uma analise dos soldados do rei da situação atual da cidade, apenas escombros e destruição. Subitamente, um peso leve se foi de encontro contra minha perna esquerda, em reação eu girava meu corpo ligeiramente para a direção sentida e engatilhava o punho para um soco devastador. Todavia, minha visão se tornou turva ao ver uma criatura pequenina se debater contra meu corpo em prantos, esfreguei meus olhos e quem estava ali me surpreendeu, era Rosa, minha filha, seu sorriso estava tão brilhante como um dia ensolarado, parecia fazer um milênio que eu não via minha garotinha. — Oh, Rosa, eu imaginei que eles... Estou tão feliz que você ainda está aqui, preciosa — Minha primeira atitude foi abraçá-la com todo o carinho que ainda restava em meu coração, nunca estive tão alegre desde que conheci minha esposa.

Porém, a pequenina ainda não parava de se debater, e isso me trazia a lembrança que minha filha não era tão agitada assim. — O que houve, querida? — Afastei-me um pouco segurando a garota pelos ombros, para cair no choque da realidade de que realmente Rosa não estava aqui, era apenas uma menina perdida. Trouxe minha mão até meu rosto e comecei a rir, além de incapaz em quesito de força, eu estava perdendo minha sanidade, queria fazer tudo aquilo parar.

Ela dizia coisas que faziam sentido, realmente essa chacina tinha, em parte, minha culpa. A família dela deve ter sido arrancada dela a força, assim como a minha foi de mim. — Sim, eu sou o culpado disso, não fui forte o suficiente para vos proteger senhorita... Sinto muito pelo que está passando, sinto muito mesmo. — Eu deveria estar mais entusiasmado, ou pelo menos, conformado porque encontrei uma pessoa que sobreviveu a toda essa desgraça, porém, só podia me sentir triste pelo peso que uma simples criança como ela agora teria que carregar. — Mas ainda sim, Agneus causou isso, ele descartou sua vila como algo útil para ele e apenas vos sacrificaria, eu tentei parar uma vez, mas duas... É demais para um ser humano comum como eu. Preciso ser mais forte, precisa encontrar o que me restou de família nesse mundo e trazer justiça aos fracos dessa terra. — Encaro a pequena com tristeza, meu semblante provavelmente deve estar passando este pesar. — Minha filha tem sua idade, e ainda sim, ela também teve que pagar pelos meus erros. Perdoe-me madame, eu prometo compensar você e ela por tudo... Sou Godofrei, e eu trarei justiça para esse corrupto reino. — Causar uma impressão forte era importante, e eu tentava manter a compostura ao falar aquilo. Já marcava o primeiro passo em minha mente, e seria encontrar o grupo de extermínio que foi enviado para cá, sem deixar de prestar atenção na garota, ela parecia precisar de um companheiro...



This post has been edited by Galahad: Mar 10 2018, 10:59 PM
mp
^
Mephisto
 Posted: Mar 10 2018, 09:19 PM
citar


Mephisto




N/A



10 posts

Ficha

Mephisto is Offline

Aventureiro




O QUE RESTOU
私はより強くなければならない。

Ele se declarou culpado e agora diz que trará justiça ao reino?

Fiquei um pouco angustiada em vê-lo me chamar de Rose e me abraçar como se realmente estivesse feliz em ter reencontrado alguém. Não queria ser enganada por um servente do reino, mas suas palavras de felicidade eram um tanto convincentes. Me debati para que ele me largasse, não podia deixar minha guarda baixa um só instante. Foi possível perceber seu olhar de pena direcionado a mim, e isso me entristeceu. Não queria que sentisse aquilo de mim, me tornava ainda mais fraca.

Ele falou coisas sobre o reino, coisas que eu nem fui capaz de ouvir, estava imersa em pensamentos confusos. Rose deve ser a filha que ele havia dito ter minha idade. O que poderia ter acontecido a ela, sendo que ele era um homem injustamente tão bem visto pelas pessoas?

Nada mais importava, ele não tentou me matar de imediato, isso já era um início. Talvez não estivesse mentindo sobre sua filha desaparecida e sua sede por justiça. Eu precisava de alguém forte o suficiente para me ajudar. - Me ajude a... - Fui interrompida por uma leve tontura que me tomou a vista já escurecida, olhei para o homem mais fui inútil. Senti meu corpo ir de encontro ao chão e então já não via nada nem ouvia nada. Eu estava esgotada.

ainsley tyson | do u wanna trade
⬦ clear ⬦


--------------------

This post has been edited by Mephisto: Mar 11 2018, 11:23 PM
mp
^
T. Wall
 Posted: Mar 11 2018, 10:40 AM
citar


T. Wall




N/A



253 posts

Ficha

T. Wall is Offline

Narrador




QUOTE
Mephisto: Será que poderia colocar alguma diferenciação entre a narração e as falas? Um negrito ou outra cor? Somente para facilitar a identificação.


O encontro daquelas duas figuras na terra arrasada pela ofensiva - aparentemente sem motivos - do Rei Agneus III trouxe um quê soturno. O cheiro de sangue, fumaça e morte invadia suas narinas e, mesmo ante o juramento do "herói do povo" a garota não parecia estar atrás de justiça, mas de ter sua vida de volta.

A pena é que o mundo caminha para frente e o passado não mais retorna.

A dor física, mas sobretudo a mental pareciam demais para a jovem garota de onze anos. Não demora muito e sua vista escurece, absorvida pelo cansaço e pela dura realidade.

Seria apenas isso? Você, Godofrei, percebe uma aproximação. Como se sombras espreitassem aos cantos. Porém, antes mesmo que se levantasse para acudir a criança desmaiada, percebe algo penetrando seu pescoço, como uma picada de inseto. E, antes mesmo que percebesse, sua visão ficava turva, ao passo que ouvia passos e vozes ainda indecifráveis.

Conforme tudo vai ficando escuro, você vê pessoas encapuzadas chegando até você, fazendo um sinal para que outros se aproximassem e, então... tudo fica escuro.

[...]


QUOTE
Sintam-se livres para narrar, no começo do próximo post um flashback ou sonho que julguem relevante aos seus personagens. Lembrem-se, eles passaram por um profundo trauma recente e as vezes a mente desliga e começa a processar tudo no inconsciente. Caso achem interessante, utilizem esse momento para pôr as coisas em ordem.


Novamente tudo estava escuro, com exceção do calor de lamparinas próximas.

Godofrei é o primeiro a despertar e, poucos minutos depois, é companhado por Azzy. Vocês notam que estão numa espécie de quarto, mas muito rudimentar. Pelas janelas de madeira percebem que lá fora é noite. Quanto tempo havia se passado?

Assim que despertam, duas moças - uma ruiva e outra de cabelos castanhos - aproximam-se dando água para vocês. Nesse momento, vocês percebem que elas usam vestes bancas e uma cruz vermelha num chapéu. A necessidade de líquido serve para acalmar os lábios, mas não havia sede. Em suas veias corria o soro sustentado por hastes ao lado das camas.

Em seguida, uma delas vai até até a porta, chamando alguém. Em poucos segundos, um homem entra no quarto:

user posted image


?: Finalmente acordaram... - Disse o rapaz com cabelos lisos e levemente bagunçados. Usava uma roupa muito alinhada, com um colete azul quadriculado e um jaleco branco por cima, indicando que era o médico daquele local. Não se preocupem, estão à salvo. Uma de nossas equipes de resgate identificaram o incidente das tropas imperiais na Vila ao Sul da capital. Infelizmente, vocês foram os únicos sobreviventes com vida... Fazem sete dias que estávamos tentando estabilizar seus sinais vitais... - Ele suspira aliviado, enquanto uma enfermeira puxa uma cadeira para que ele sente. Aaah, estou muito feliz que estejam bem! Contem-me, quem são vocês e o que aconteceu exatamente lá?

This post has been edited by T. Wall: Mar 12 2018, 11:07 AM

--------------------
mp
^
Mephisto
 Posted: Mar 12 2018, 12:11 AM
citar


Mephisto




N/A



10 posts

Ficha

Mephisto is Offline

Aventureiro




O QUE RESTOU
私はより強くなければならない。

- "Tão pequena, tão pequena era a princesa, preciosa como as perolas do mar. Meu tesouro, meu tesouro mais garrido, ai de mim, ai de mim sem te amar." - Do quarto iluminado apenas por uma pequena vela, aromatizado com o doce perfume de rosas negras, ouvi repetidas vezes a cantiga que vinha do ponto escuro tão longe que eu nunca era capaz de ver, nada além de uma esbelta silhueta. A voz que a interpretava era tão suave e hipnotizante que manter os olhos abertos era uma tarefa impossível. Me aconcheguei apreciando a melodia que sempre acabava, por mais incomum que seja, com o barulho do vento gélidos que corria por fora das pareces cor de pêssego que me cercavam e de repete eu abria os olhos e tudo se tornava fumaça de um sonho qualquer. Naquela ensolarada manhã que banhava os campos aos redores do casebre de minha mãe adotiva, eu senti uma imensa vontade de questioná-la sobre meus familiares sanguíneos. Estávamos na cozinha silenciosa, com as janelas abertas era possível ver as belas rosas que ela cultivava cuidadosamente no jardim. Aquela visão era a mais bela e minha favorita de toda a vida. Enquanto Rosalinda preparava um chá qualquer, como costumava fazer todos os dias, deixei que as duvidas me possuíssem. Eu estava com medo de perguntar, talvez por possíveis represálias. Mamãe nunca tocara diretamente no assunto, mas sempre fez questão de que eu soubesse uma parte, a superficial, da minha origem. Acontece que nem mesmo ela sabia por completo quem eu era antes de chegar até seus braços, e como não poderia me dar respostas definitivas, preferia não me atiçar, estava assegurado meu bem estar.

Em algum momento eu devo ter deixado transparecer minha preocupação, já que Rosalinda pegou sua xícara e alguns biscoitos, sentou ao meu lado tocando-me o rosto. - Algo te aflige meu amor? - Suas palavras soaram como música em meus ouvidos. Nunca seria capaz de mentir.

- Eu estou sonhando coisas repetidas. - A olhei nos olhos. - Sempre escuta uma canção, com as mesma letra e melodia. Depois eu escuto o vento e passos e então acordo. Estou ficando com medo, mamãe. Parece que tenho que me lembrar de algo e não consigo. - A abracei forte, afundando meu rosto eu seus braços.

- Ah meu anjo, venha aqui. Eu entendo sua vontade de se conhecer, conhecer seu verdadeiro eu. Infelizmente, nada sei sobre sua vida passada ou sobre sua mãe. As lembranças são como um siclo sem fim, algumas podem tentar voltar, outras não. As vezes podemos nos sentir na obrigação de manter até mesmo as memórias mais remotas, mas isso depende do que realmente nosso coração deseja. Não se sinta na obrigação de lembrar de algo, se for uma vontade verdadeira do seu ser, acontecerá naturalmente.

A olhei nos olhos e pude ver toda a calma que transparecia dela. - Que sorte eu tive de encontrar uma mãe que me ama tanto. - A abracei com mais força, dessa vez sorrindo tranquila.

- Que sorte tive eu de ter sido o paradeiro da estrela cadente mais preciosa desse reino.

Nos mantivermos abraçadas por alguns minutos, aquele era o clima materno que eu não trocaria por nada nesse mundo. Estávamos compondo ali o cenário perfeito. Um belo jardim, um céu azul, um campo vasto de vida, um simples casebre e muito amor entre mãe e filha. Desde aquele dia, nunca mais voltei a sonhar com lembranças do passado. Parecia que as memórias assombrosas haviam se perdido na minha mente e não estariam dispostas a retornar, mas só parecia.

- "Tão pequena, tão pequena era a princesa, preciosa como as perolas do mar. Meu tesouro, meu tesouro mais garrido, ai de mim, ai de mim sem te amar." - Sinto uma atmosfera diferente, aquele não era o calor da minha casa ou da minha mãe. Vou abrindo lentamente os olhos e me deparo com o grande homem de cabelo estranho. Eu não fazia ideia de como havíamos chegado até ali, nem o motivo. Me sentei em uma posição mais confortável, colocando uma perna em cada lateral do meu corpo ainda com os quadris no chão. - Onde estamos? Por quanto tempo fiquei desacordada? Perguntei ao soldado que estava junto a mim. Novamente eu havia sonhado com aquela canção perturbadora e nem mesmo tive tempo para me perder em pensamentos. Duas moças nos ofereceram água o suficiente apenas para molhar os lábios. Na sede que me consumia até cogitei a possibilidade de ousadamente pedir mais, mas antes que eu fizesse um figura tornou-se presente no quarto.

Por um motivo que nem mesmo eu conseguia definir, sua presença no recinto era desconfortante. Ele se expressou como se o fato de ter nos "resgatado" fosse de extrema importância para si. O homem grisalho alegou ter sido necessário sete dias para estabilizar nossos sinais vitais. Mirei o soldado ao meu lado, seu porte era grande, ele tinha um físico impecável e uma força brutal, sem contar que da última vez que o vi antes de desmaiar ele estava em perfeito estado. Não me parecia ser necessário tanto para mantê-lo vivo naquelas circunstâncias. No momento em que ele nos questionou sobre os nomes, de modo instantâneo acabei retrucando com outra pergunta. - Que lugar é esse?

ainsley tyson | do u wanna trade
⬦ clear ⬦


--------------------
mp
^
Galahad
 Posted: Mar 13 2018, 02:13 AM
citar


Galahad




N/A



15 posts

Ficha

Galahad is Offline

Aventureiro




o que restou

post nº3 / 1320 palavras

Começo uma caminhada solitária, ando sobre as ruas que parecem agora vazias. Estou bem no centro da principal via de acesso para o castelo do rei, mas mesmo assim não há tráfego algum. Os comércios estão completamente vazios, posso apenas escutar o zumbido do vento que rodeia os cantos. O céu está cinza, morto, nenhuma cor ousou se pousar sob a iluminação daquele lugar neste dia. Fito minhas laterais, começando a analisar exatamente como vim parar nesse lugar, minhas lembranças estão um pouco confusas como se eu estivesse dopado ou algo semelhante. O mais estranho é que não me é estranho esse lugar, me é familiar, porém, minha cabeça não me permite lembrar o que exatamente aconteceu aqui. Minha última lembrança é de uma pequenina que se posava a minha frente com grande fúria, se mostrando valente para me confrontar a fim de confortar seus sentimentos explosivos que estavam descontrolados até por ela mesma, entretanto, ela apagou. Mal tive tempo de reação, quando tinha minha atenção sobre a garota fui surpreendido por algum felicitado o suficiente para me tirar de ação. Meus olhos começam a arder por conta de algum foco de fumaça vir de mais a frente, do local do castelo, o cheiro acre de queimado é notável.

Ouço um crepitar forte a distância; ainda é possível que um foco de incêndio está ocorrendo. Eu precisava seguir em frente, assim o fiz. No primeiro momento, pensei estar sozinho na cidade que parecia fantasma, todavia, mais a frente avistei algumas mulheres e homens se reunindo sobre uma lata de lixo em chamas, derrubavam sob está mesma pedaços de cartazes com um sentimento um tanto de rancor. Não me intimidei, me aproximei erguendo minha mão direita, saudando-os — Olá senhores, madames... O que está havendo aqui? — Ao me enxergarem, todos recuaram pelos cantos escuros daquela parte da cidade, assustados e apreensivos com minha presença. — Ora, que falta de educação — Todos deveriam ser recebidos de forma calorosa, até o mais estranha, mas não os culpo, seja lá o que esteja acontecendo aqui permite que o clima fique tenso. Levava minha mão até a ponta de meu bigode, fazendo movimentos circulares no mesmo. É uma má mania que tenho para me afirmar como sendo o certo, talvez seja um pouco extravagante demais, mas eu gosto. Dou mais alguns passos a frente, tento identificar exatamente o que eram os cartazes. O vento uivou forte sobre minha cabeça no momento em que identifiquei do que se tratavam – “Herói do Povo” – Essa mesma ventania me despertou junto a leitura do cartaz. Eu sei exatamente onde estou, sei que dia é esse; é o pior dia da minha vida.

Um pedaço de jornal vai de encontro com meu pé, logo me abaixo para pegá-lo e percebo imediatamente que se trata da primeira página do principal jornal do reino. Eu já tinha visto aquilo tudo, sabia o que estava por vir e, ainda sim, ao ler novamente aquela página fiquei sem fôlego – “TRAIDOR” – Uma clara referência a mim, ou a imagem que o rei e seus conselheiros criaram de mim. A informação dada não era apenas a difamação ao meu nome, mas também o anúncio da execução de pessoas conciliadas a mim como punição. Largo o jornal e corro em direção ao castelo, lembrava exatamente onde aconteciam as execuções e uma parte de mim quer acreditar que posso mudar alguma coisa, quão estúpido eu sou. Após uma boa corrida, dou de frente com vários soldados e uma multidão vindo por trás destes. Faço menção de me esconder entre as sombras das moradias, mas parece que eles não me notam, mesmo eu sendo esse grande homem notável.

Abro caminho em meio a multidão, fazendo força para chegar a frente da mesma. Sou forçado a segurar um ofego de desespero ao ter a visão horrenda que ali estava. O rei sentando em um magnífico trono, seus conselheiros sorrindo maleficamente e o meu antigo comandante de exército em meio aos corpos das pessoas mais importantes para mim; esposa, filha e mestre. Me vejo numa constante luta contra minha vontade de correr contra todos e tentar matá-los sem piedade, lembrando a mim mesmo que nada é real. E, mesmo que fosse, eu não teria a menor chance. Sou um, eles tem um exército e uma nação em seu apoio. Agora que me acalmava bem ligeiramente, podia ouvir os gritos da multidão – “Traidor”, “Apareça”, “Sua família merece”, “Desertor desgraçado” – Eram tantos nomes profanos que minha mente não conseguiu conciliar. O indigno rei se levantou de seu glorioso trono, esticando sua mão a frente num sinal negativo, ordenando em silêncio que o povo se calasse para que suas prováveis sábias palavras pudessem ser anunciadas.

〜 Povo de Lvneel, não se intrujem, não há nenhum prazer por parte de seu rei efetuar tal prática, porém, fatos críticos requerem medidas extremas. O meu melhor soldado, de maior potencial entre todos e sábio. Aquele que vos, o povo, tantas vezes proclamou como o herói que levaria a nação a outro rumo, me traiu... Não, apenas a mim não, eles nos traiu; Entregou informações valiosas de nosso reino para o inimigo e os ensinou a invadir nosso território de forma furtiva, apenas para se vangloriar ainda mais em uma vitória sobre um inimigo que ele já conhecia. Eis que faço isso com pesar, porém, devem existir conseqüências cruéis para tal crime, e ele pagará primeiramente com seu sofrimento psicológico; posteriormente com seu corpo. Godofrei A’Daragon, seja lá onde esteja, és acusado e culpado de traição contra a coroa, condenamos você, sua linhagem, tudo que se trata de você ao esquecimento ou morte. 〜

Não tenho tempo para compor os sentimentos dentro de mim. Vejo o rei fazer algum sinal para o comandante do exército. Em seguida este faz uma profunda reverência e depois, em um movimento fluido, decapita meu mestre e minha esposa com a espada em seqüência. Consigo enxergar minha filha se desvencilhar dos homens que a seguravam, caindo sobre o corpo da mãe em prantos, o grito revolto da multidão não pode ocultar o urro de tristeza da minha querida. Uma dor em meu peito faz eu fechar meus olhos, ao ponto de que não consigo abrir, não consigo olhar para a morte dos meus queridos e perceber que falhei com eles. Mais uma vez contestei, sou fraco. Antes de eu sentir meu corpo se reanimando, ouço a voz dos conselheiros como um sussurro: “Não mate a criança, venda-a, ela pagará por todo o prejuízo que o pai nos fez passar”.

● ● ● ● ● ● ● ● ● ● ● ● ● ● ● ● ● ● ● ● ●

Acordo como num salto, meu corpo está completamente suado, estou nervoso, não só apenas a raiva ocupa meu coração agora, mas também o medo. Rever todo aquele momento novamente fez eu me sentir insignificante. Rodeei meus olhos sobre o cômodo para perceber um quarto rústico, claramente me lembrava uma casa humilde das pessoas mais afastadas da capital, não podia negar que a simplicidade me agradou, entretanto, abaixar a guarda mais uma vez me causaria sérios problemas. Tiro um momento para me investigar, vejo soro injetado em mim e isso me tira levemente do sério, provavelmente mais do que o normal, acabei de ter um pesadelo desagradável e descontar em alguém minha frustração e desespero era uma boa forma de desabafo. Um copo foi deixado próximo a mim, então, agora voltei aos meus sensos naturais, as pessoas que me rodeavam, a garotinha do meu lado, tudo era bem nítido agora. Ao ouvir o homem, levantei-me em um movimento brusco em sua direção, ficando posto a frente de onde ele se sentara. — Cavalheiro, parece não ter bons modos. — O encarava nos olhos, mas sem hostilidade, apenas mantendo a compostura — Não se questiona alguém, sem antes se apresentar. E... — Encurvava meu corpo para baixo até ficar na altura onde ele pudesse me ver na mesma altura que o mesmo estava — Não lembro de estar em tais péssimas condições, ao ponto de ser desacordado, sem concordar com tal.



This post has been edited by Galahad: Mar 13 2018, 02:15 AM
mp
^
T. Wall
 Posted: Mar 13 2018, 10:25 PM
citar


T. Wall




N/A



253 posts

Ficha

T. Wall is Offline

Narrador




De fato, nenhum dos dois ali presentes estavam fisicamente debilitados quando foram "resgatados" - aspas principalmente para Godofrei. Porém, sabemos que traumas podem causar séries danos à mente. E que ela demora, nos seus recantos mais obscuros a processar. Havia se passado mesmo os sete dias dito pelo homem?

Certamente eles dois, que ficaram inconscientes não sabiam. Mas tinham que confiar ou ter algo para se apegar.

O rapaz de jaleco já estava sentado e as enfermeiras tratavam se checar alguns dados e trazer duas pranchetas para que o mesmo examinasse. Ele toma nota, com uma caneta que trazia no bolso, enquanto ouvia as óbvias perguntas dos visitantes.

?: Ah, sim... Vamos por partes, huh? - Ele faz uma marcação no primeiro prontuário, entregando-o para a ruiva. Este lugar... Podem chamar este lugar de resistência... Basicamente, e vocês verão isso assim que tiverem alta, estamos no coração da floresta que cerca o reino de Lvneel. Aqui vocês encontrarão várias pessoas de diversas vilas, cidades, famílias e hierarquias que foram abandonadas ou relegadas pelo Rei Agneus III...

Em seguida, ele pega o segundo prontuário e entrega para a de olhos castanhos. Com um sinal, ambas vão até vocês e gentilmente retiram as agulhas dos soros. Seus pertences estavam organizados e deixados nos criados mudos feitos de madeira ao lado das camas. O quarto não é muito amplo e só haviam essas duas camas, mas vocês conseguiam ouvir conversas do lado de fora.

?: Perdoem a "falta de educação", mas o trabalho de resgate acaba me fazendo ser um pouco mais objetivo. Como disse, aqui é uma resistência e preciso saber o que anda acontecendo no Reino e com quem posso contar. Porém, o questionamento é justo... - Em seguida, as Enfermeiras entregam uma caneca com uma bebida quente - um chá - para vocês e outra para o rapaz de jaleco. Eu sou o Doutor Reenba, embora muitos me chamem apenas de "Doutor". Sou um dos poucos médicos aqui na floresta e responsável pela integridade e recrutamento de novas pessoas para nossa causa...

Ele faz uma pausa, tomando um gole da bebida.

Dr. Reenba: Perceba, como disse, que estamos organizando um grupo de pessoas que foram afastadas, relegadas ou que perderam tudo para o poderio autoritário do Rei e, pontualmente, estamos criando focos de resistência.
Isso até termos força suficiente para depô-lo.
- Nova pausa, novo gole. Agora que fiz a gentileza é a vez dos senhores, não?
mp
^
Mephisto
 Posted: Mar 15 2018, 01:50 AM
citar


Mephisto




N/A



10 posts

Ficha

Mephisto is Offline

Aventureiro




O QUE RESTOU
私はより強くなければならない。

Se havíamos ficado, ou não, desacordados durante longos sete dias já não importava mais. Agora estávamos nas mãos daquele homem misterioso que analisava os dados escritos nas pranchetas levadas a si. Suas enfermeiras era eficientes e rápidas. Logo que ele devolveu os materiais, ambas trataram de nos atender com agilidade. Retiraram seus materiais e então já me correu um frio na barriga. Agulhas não eram meus instrumentos favoritos. Tudo ocorria com bastante calma, antes de tomar qualquer decisão precipitada, achei melhor apenas aceitar o "inofensivo" soro que nos ofereciam.

Sentia meu corpo ainda meio pesado. Eram muitas coisas acontecendo de uma só vez, justo comigo que a semanas atrás nem imaginava que o reino fosse o que todos dizem ser. Dr. Reenba, se apresentou o rapaz, dando uma breve explicação sobre seu trabalho de recrutamento. Como eu havia imaginado, devem existir dezenas, ou mais, de pessoas que foram apunhaladas pelo comando superior.

Enquanto ele falava, eu tentava ligar todo seu argumento ao local onde estávamos. Estava tentando identificar características peculiares da sala. Era possível ouvir um barulho externo de conversas simultâneas. Embora estivéssemos sob um teto, em uma sala bem habitável, eu ainda não me sentia tão segura em estar ali.

Lembrei-me do meu sonho e de memórias passadas que regrediram a meus tempos mais insanos de felicidade, quando estava ao lado de minha mãe adotiva. Os traumas passados ainda me remetiam a ficar desconfortável em locais novos. Eu desejava com todo o coração que ele nos liberasse e permitisse que explorássemos a concentração, segundo ele localizada no coração da floresta. Me perguntava se por ali, não seria possível encontrar um rosto família. Algum viajando que a muito estivera como visitante em minha vila e por consequência do destino acabara sofrendo algum tipo de injustiça por parte do reino. A vontade de me sentir em casa era uma sensação que começava a incomodar. Para não me perder em pensamentos aleatórios, me fixo em tudo que ele declarava sobre seu trabalho.

Não mentiria sobre me sentir segura, mas suas palavras carregavam sinceridade. Alguém que montasse um cenário como aquele para ludibriar duas peças nada importantes, quando relacionadas a conquista e poder, seria na certa um louco de pedra.

- Eu me chamo Azzy. - Falei meio insegura. Estar rodeada de pessoas com uma idade bem mais avançada era constrangedor, principalmente quando era necessário tomar uma iniciativa de fala. - Tenho onze anos e fui criada onde antes eu morava, um vila não muito grande, um pouco afastada do reino. Vivia com minha mãe adotiva que, assim como todos seus moradores, também foi vítima de um ataque realizado por uma tropa de soldados do reino, onde tudo foi destruído e não restaram sobreviventes. Não sei o motivo de tal atitude, mas se possível tentarei descobrir a todo custo.

Me apresentei de maneira não muito aprofundada. Nem se fosse da minha vontade, poderia relatar sobre meu passado,já que esse era desconhecido até mesmo para mim. Esperava que em algum momento, alguém acabaria perguntando. Como uma boa criança intuitiva que era, certas curiosidades me consumiam ali. Claro que eu não as soltaria todas de uma vez, iria evitar chamar atenção indesejada, e tenho a impressão que em locais tão secretos a curiosidade não é uma boa peculiaridade.

Tomei ar antes que mais alguém tomasse fala. Pela primeira vez em minutos, mirei Godofrei que estava indescritível a meu ver. Não sendo escandalosa, chamaria o olhar do mestre até mim para que minha pergunta fosse ouvida. - Desculpe a curiosidade. Mas existem muitas pessoas que estejam em condições familiares com as nossas? Escuto murmúrios lá de fora, como eles vivem aqui?

Logo que finalizei a pergunta me senti ainda mais pesada. Estava sentindo falta de algo importante. Mas no momento era inviável descobrir do que se tratava.

ainsley tyson | do u wanna trade
⬦ clear ⬦


--------------------

This post has been edited by Mephisto: Mar 15 2018, 01:53 AM
mp
^
Galahad
 Posted: Mar 16 2018, 09:18 PM
citar


Galahad




N/A



15 posts

Ficha

Galahad is Offline

Aventureiro




o que restou

post nº4 / 615 palavras

Observo com cuidado os trejeitos do homem, que mesmo com pouco de minha presença “opressora” não se sentiu intimidado, nem hesitou por um instante. A confiança deste para mim e para a pequenina era demasiada exagerada, somos dois “randoms” em uma determinada perspectiva. Lembro-me vagamente de algumas vezes ter entrado em confronto com a resistência em minha juventude, ou melhor, desde que ingressei no exército do rei estivemos nesse embate, já matei muitos que levantaram essa bandeira em nome de Agneus III, no final das contas, tudo que eu imaginei quando criança sobre ser um soldado era apenas uma fantasia utópica e estúpida, éramos apenas assassinos com um título nobre e que o povo comum era manipulado a acreditar como heróis... Apenas agora posso enxergar isso. — Você não deveria confiar trazer alguém como eu aqui, camarada. Você ao menos sabe quem eu sou? Eliminei, no mínimo, algumas dezenas de vocês durante meus anos de serviço ao rei. — Era um pesar enorme ter que admitir a morte das pessoas, cada vez mais eu enxerga a desonra que virei para meu mestre, mas o mundo não é apenas flores, fora necessário atitudes mundanas para eu me manter vivo, piores serão as necessárias daqui em diante.

— Tenho que admitir que foi inteligente. Pessoas em meio é um boa forma de se esconder, se não for visto por ninguém... — Procuro sentar sobre a mesma cama da qual me levantei, ainda me sentia um pouco tonto, mas não das drogas que fui obrigado a receptar em meu corpo, e sim da dor de cabeça que foi ter um sonho tão complicado de se ver. Uma moça, que, aparentemente, era auxiliar do homem vinha até mim e retirava a agulha do tal soro, eu procurava não me preocupar tanto e movia minha cabeça em um gesto positivo para agradecer pelo trabalho duro da mulher. Noto a minha direito uma muda, imediatamente estico minha mão para tomar meus pertences de volta, principalmente, equipando mais uma vez minha luva. Não posso deixar de lembrar do dia que recebi esta, Rosa, minha filha, me deu de presente em meu aniversário a alguns anos atrás, sempre tratei como uma “relíquia” e não pretendia usar nunca, todavia, foi a única coisa que sobrou de minha casa. Segundos posteriores, direciono minha atenção ao doutor que começa a dar suas justificativas para ter nos abordado agressivamente — Entendo, Dr. Reenba. Não sei como você tem conquistado as pessoas para sua causa, mas quem aceitou essa grosseria como recrutamento provavelmente estava desesperado. Sugiro, que de imediato, mude sua abordagem... Não posso permitir que siga descortês com uma causa nobre como fardo — Novamente, eu movia meus dedos sobre meu bigode, minha forma de certificar a mim mesmo de que eu estava certo.

— Entretanto, devo dizer, nunca entendi vossa resistência... O que vem depois de depô-lo? Uma essencial substituição de poder não trará ao povo uma situação mais estável da qual eles vivem atualmente — Procuro aos meus redores o copo d’água oferecido um pouco mais cedo, consequentemente o pegando em mãos e dando goladas em intervalos longos para molhar os lábios e conter o nervosismo. — Eu sou Godofrei A’Daragon, fui um renomado soldado de Agneus III e nomeado herói do povo pelos meus feitos, mas como você já deve saber, hoje sou o traidor que entregou Lvneel a mãos adversárias — Respiro fundo, nessa pausa pude ouvir um pouco do que a garota também tinha a dizer, me senti envergonhado por ter ignorado o fato de estarmos num quarto devidamente adaptado a dois e dos barulhos vindo de fora. — Quem são os curiosos, Doutor? — Minha impaciência para sair daquele local já se acumulava demasiadamente, até onde o que este homem falou era verdade?

▼


mp
^
T. Wall
 Posted: Mar 17 2018, 01:49 PM
citar


T. Wall




N/A



253 posts

Ficha

T. Wall is Offline

Narrador




Os dois se apresentam de sua forma particular.

Azzy, muito mais amistosa, e Godofrei ainda questionando as atitudes e a resistência do doutor. Ou melhor, a forma de "captação" de novas força para sua causa. Entretanto, o Doutor parecia muito tranquilo àquela altura com ambos.

Dr. Reenba: Sim, existem muitas pessoas em condições semelhantes à de vocês, pequena Azzy. - Ele faz uma pauta, dando um riso e apertando os olhos. Ele tinha um carisma muito peculiar e, de certa forma, cativava ambos. Percebam, uma das piores coisas que tem acontecido em Lvneel é justamente os desmandos do Rei. Ele simplesmente não admite outras formas de organização comunitária que não o militarismo e sua tutela. Você, A'Daragon deve saber muito bem disso, não? Afinal, foi um 'cão do exército'... - Seus olhos apertados se transformaram lentamente em olhos incisivos, quase letais, rebatendo à altura as acusações do paciente.

Dr. Reenba: Da mesma forma, pergunto-me o que uma garotinha como você, Azzy... - Ele faz um sinal e a enfermeira ruiva traz uma foice. Fazia com um objeto como esse próximo a si. Por acaso era uma fazendeira? Devo dizer que é uma ferramenta um tanto quanto... peculiar. Mas, como disse, seus pertences são seus. Por gentileza, devolva-a, Enfermeira.

E assim a moça o faz, deixando o objeto ao lado da cama.

O rapaz então entrega a caneca em que bebia o chá à moça de olhos castanhos, a outra enfermeira, e se levanta.

Dr. Reenba: Saciarei vossa curiosidade. Acompanhem-me. - E então, aguardou os dois se aprontarem por alguns minutos e então foi até a porta por onde haviam entrado.

Ao sair, vocês observam várias pessoas. Muitas delas estavam ao redor de uma grande fogueira num clarão em meio a floresta. Tudo era muito rudimentar, mas bem feito. No improviso, mas feito com gosto. Estava de noite, algo por volta das 21h, e um grupo animado comia e bebia ao redor da fogueira.

Havia uma senhorinha, toda enrugada contando histórias sobre o passado do Reino de Lvneel, enquanto alguns jovens ouviam a história. No alto da fogueira, suspenso por hastes de madeira e um espeto de ferro que girava pela força de um capaz quase tão corpulento quanto Godofrei, uma banda de javali matreiro.

A iluminação não se devia só a fogueira, embora este fosse o grande foco de luz. Haviam lamparinas a gás espalhadas em vários pontos, numa espécie de cordão luminoso. E algumas casas de madeira construídas com muita habilidade. Algumas até suspensas nas árvores. Enquanto caminhavam, vocês percebem que existiam pessoas de várias etnias ali, inclusive tritões, minks, etc..

Dr. Reenba: Respondendo a sua questão, A'Daragon, o que viria depois da deposição de Agneus III eu, sinceramente, não sei. O que sei é que não podemos permitir que a loucura de um Rei e de seu conselho acabem por renegar pessoas como estas, por pequenas diferenças, serem mortas ou excluídas da sociedade, não concordam? - Nesse momento, algumas pessoas olham para eles, dando sorrisos e fazendo sinais convidativos. Nossa estratégia talvez não sei a melhor, mas resistir de alguma forma ao sistema posto é garantir que essas pessoas aqui sobrevivam. Que a esperança sobreviva.

A linhagem real não é feita só de loucos... Agneus foi envenenado pelas palavras de um conselho com influência do Governo Mundial. Essa limpeza social faz parte de um plano maior...
- Nesse momento, vocês percebem a chegada de um grupo.

Todos usavam vestes negras e Godofrei você tem a certeza que é o mesmo grupo que outrora o "resgatou" forçadamente. O grupo carrega algumas pessoas e uma das figuras se aproxima de vocês. Ela retira o capuz que cobria parte do rosto e revela-se como uma garota de cabelos curtos e óculos portando duas espadas.

user posted image


?: Boa noite, Doutor, conseguimos resgatar um grupo de cinco pessoas no ataque a vila do Oeste... - A moça tem uma voz fina, suave. Em seguida ela olha para vocês, reconhecendo-os. Ah, finalmente acordaram... Onde colocamos os recém-chegados?

Dr. Reenba: Huuum... cinco pessoas. Veja, Subimaru, converse com o Johnes. Parece-me que ele conseguiu construir mais oito leitos adiante, leve-os para lá e peça que as enfermeiras apliquem os primeiros socorros. Eu vou assim que possível.

Subimaru: Hai, Doctor! - A moça faz uma reverência, fazendo um sinal ao grupo para segui-la. Em seguida, fala com o homem corpulento que mexia o javali no fogo e o grupo parte mais adiante.

Dr. Reenba: Subimaru é uma das mais antigas combatentes da resistência. É a nossa general estratégica nas ações de resgate. Ela veio de um país bem distante chamado Wano. Seus pais vieram para Lvneel e construíram um dojo da capital do reino. Há oito anos o rei decidiu que não deveriam ser praticado artes marciais com espadas fora do exército e queimou o dojo e seus familiares... - Enquanto contava, é como se vocês dois vissem a cena do dojo queimando e a jovem ainda pré-adolescente presenciando tudo. Essa loucura precisa acabar, não acham?

This post has been edited by T. Wall: Mar 18 2018, 11:34 AM
mp
^
Mephisto
 Posted: Mar 17 2018, 10:54 PM
citar


Mephisto




N/A



10 posts

Ficha

Mephisto is Offline

Aventureiro




O QUE RESTOU
私はより強くなければならない。

Suas palavras soaram normalmente. "Muitas pessoas" disse o doutor, todas naquela situação por conta de um único Rei. Todos que estivessem presentes na sala poderia ter percebido um clima incisivo entre os dois homens mais velhos. Certamente muitos devem estar passando pela mesma coisa, e ao ouvir "cão do exército", me veio em mente que muitos soldados devem estar em condições iguais as de Godofrei. Manipulados a ponto de acreditarem em seu heroísmo. Olho de relança para o velho homem e imagino que para estar ali, ele deve ter atentado algo muito grande ao poder do Reino. E que naquele exato momento outros integrantes do exército de Agneus III podem se sentir pressionados a manter os segredos do estado bem vetados para a própria segurança e de seus familiares. Sou despeça de meus pensamentos ao ouvir a pergunta de Reenba sobre minha foice. - Não sou uma garotinha tão indefesa. E foices não se limitam apenas ao campo, mas essa "crônica" não vem ao caso. - Pego meu valoroso objeto e a guardo cuidadosamente.

Godofrei levantava um importante questionamento sobre o futuro de Lvneel caso o Rei fosse deposto, e quando eu já esperava uma resposta afiada de Reenba ele nos surpreendeu ao convidar, de maneira amistosa, para que saíssemos do quarto.

A visão que tive ao sair contradizia toda e qualquer imagem que eu havia montado com aquelas pessoas. Não eram bem amargurados e preocupados com seu refúgio. Eles estavam festejando, comendo, bebendo, ouvindo boas histórias. Aquilo mexeu com meu consciente, era confuso, eles desafiavam a soberania e não viviam com medo. Foi preciso algumas minutos para que aquele festejar fosse associado a coragem. A mais pura das coragens, que não permite que eles se neguem a ter uma vida "animada", mesmo quando em busca de justiça.

A medida que íamos caminhando toda aquela simplicidade e dedicação me encantava. Todo aquele festejo me lembrava dos meus amigos, moradores de meu antigo lar. Nós costumávamos fazer festas assim. Montávamos fogueiras menores e ao som de instrumentos improvisados era montada uma sinfonia de sentimentos e amor. A comida sempre ficava por conta de minha mãe e suas amigas, enquanto eu e meus amigos apenas corríamos de um lado para outro, com sorrisos de orelhas a orelha.

Olhei com um singelo sorriso para todo o visível "paraíso" que se montava em minha mente. - Isso me lembra a vila onde eu vivia, todos festejando. - Deixei escapar um pensamento rápido. Uma repentina saudade se fez presente ali, mas dessa vez nenhuma lágrima, nenhuma tristeza. É como se eles vivessem, mas só para mim. Seus sorrisos eram convidativos. Já estava prestes a me render a tanta música e historietas.

Foi então que percebi a aproximação de um grupo. Não me lembrava de tê-los visto antes, talvez porque nunca os vi. Daquele amontoado surge uma mulher muito bonita, que incita minha curiosidade voltada para aquela pequena tropa. Ela trocou poucas palavras, e o Doutor a respondeu ressaltando leitos construídos, essa conversa técnica revelava também o esforço de cada membro na construção daquele ambiente. Logo que eles se afastaram, Reenba nos contou sobre a general que acabamos de conhecer e novamente revelou mais uma insanidade de Agneus.

A medida como ia sendo nos apresentado todos aqueles absurdos, minha mente ia se tornando um turbilhão de ideologias. Talvez e resistência estivesse coberta de razão, que tudo aquilo devesse ser parado. Mas e se quando Agneus fosse deposto outro louco entrasse em seu lugar? Tudo ali dependeria de muitos fatores. E um exercito de poucos não teria chances contra as tropas do tirano. Um pensamento definitivo vindo de mim só se formaria com o tempo, até lá é impossível prever por quanto tempo tudo aquilo iria durar.

Tomando uma atitude nada comum vinda de mim, encaro Godofrei a fim de que ele responda a pergunta imposta a nós pelo doutor.

ainsley tyson | do u wanna trade
⬦ clear ⬦


--------------------
mp
^
Thalisontrm
 Posted: Jun 21 2018, 05:07 PM
citar


Thalisontrm




CAPITÃO DA WOLFGANG



587 posts

Ficha

Thalisontrm is Offline

Desenvolvedor




AVENTURA ENCERRADA

Para o TWall, usando a regra de abandono, a recompensa será de 25% do total: +3 XP.

This post has been edited by Thalisontrm: Jun 21 2018, 05:22 PM

--------------------
mp
^
1 User(s) are reading this topic (1 Guests and 0 Anonymous Users)
0 Members:

fechado
novo tópico
fazer enquete