Santuário RPG RPG Mundo Mágico Zonko's
versão 8.1

 
responder
novo tópico
fazer enquete

 9° Aventura - Réquiem de mentiras, Kei Chikage
Tiger
 Posted: Feb 4 2018, 10:08 PM
citar


Tiger




Cipher Pol nº 3



541 posts

Ficha

Tiger is Online

Avaliador




Réquiem de mentiras
Mesmo no alto do inverno, Beyond era uma lugar muito belo. Com seus cristais de gelo que caíam sobre os picos das montanhas. Mas o que eu via agora era uma ilha diferente, algumas histórias assombradas eram quase como novas lendas e algumas canções que contavam sobre a ilha. Minha Beyond, havia mudado. A mesma ilha da família Chikage, senhores governantes, e eu estava ali, olhando para o mar vendo aqueles velhos conhecidos contornos apagados e tristes. Enquanto eu observava por dentro daquela neblina que pairava entre o porto e o barco, perguntava-me: "como eu saberia o que estava acontecendo naquela ilha?". A mesma, naquela época do ano era cercada de tempestades de inverno, violentas, tanto no dia quanto na noite, agora era invisível e nenhuma embarcação tinha coragem de cruzar aquela neblina. Um estrondo do mar ressoava por todo aquele território, parecia um presságio de que o filho pródigo retornava. Ao longe era possível ver meu castelo. Forte e imponente, mas com silhueta de tempos difíceis. Existia um rochedo a beira do castelo que se projetava mar a dentro. Ali ficava meu quarto, onde eu costumava olhar o mar. Mas agora eu retornava. Não sabia quantos dias haviam se passado desde a última missão. Os dias e o tempo não me impediram de retornar para casa. Nada me impediria. Nada.

Kei Chikage
Cipher Pol 3


@Angelique

--------------------
<
mp
^
Angelique
 Posted: Feb 8 2018, 07:11 PM
citar


Angelique




N/A



395 posts

Ficha

Angelique is Offline

Narrador




Kei retornava para sua ilha de neves, agora não mais em uma missão de caça como um reforço ou para visita e sim, por negócios pessoais, tendo pego um navio comum, oferecido pelo Governo Mundial (o que por todo o seu tempo de trabalho como marinheiro, fora conquistado tal direito sem muitos problemas, além dos burocráticos, é claro). Não chamou muito a atenção em sua chegada, afinal, se não fosse para fazer trabalho de agente, que se passasse por civil com a mera finalidade de não causar o pânico desnecessário.

Barcre recebeu auxílio do Governo graças às malas e informações que trazia, indo um pedaço da viagem com Kei, mas pegando um bote em meio caminho para ir para outro lugar e desaparecer da vista de L'arcan e seu povo, cortando (como podia) também ligações com os governantes do mundo. Cooldown lá pelas tantas houvera desaparecido do barco, próximo a Beyond, não podendo auxiliá-lo ou acompanhá-lo por ali. Simplesmente se foi, sumindo em meio a tempestade branca e silenciado pelos uivos do vento, sem deixar rastro.

Desceu no porto real e já sentiu o quão rigoroso estava aquele "inverno", que mesmo sendo sempre uma ilha de neve, naquela época do ano era mais poderosa. Uma nevasca recobria totalmente o castelo e ele não conseguia ver mais que dez metros em sua frente, pois não era grossa, mas constante. Já estava acostumado com o frio, mas mesmo tendo nascido acompanhado dele, aquilo era demais e mesmo por baixo das roupas, ele no máximo estava morno, sentindo o vento frio tentando com força passar por suas defesas.

Ninguém o recebeu quando desembarcou, tendo de ele mesmo amarrar seu barco enquanto o vento não colaborava e o empurrava, como que querendo devolvê-lo para o mar. Sozinho naquilo, demorou um pouco para deixar tudo em ordem e enfim caminhar em direção do castelo, que antes mostrava seus tijolos decorados, porém, tímidos, só se via o acúmulo de neve e nem era por negligência dos subordinados, e sim por ser um trabalho muito rigoroso que deveria ser feito em condições que não fossem nocivas às vidas de qualquer que fosse aquele que estivesse nas ruas.

A escadaria em subida para os portões eram escorregadios e suas gigantescas e imponentes portas estavam abertas, permitindo que uma brisa gélida passasse por ali, obviamente permitindo que as visitas fossem mais simples, sem revistas ou qualquer guarda por perto. Olhou por volta e avistou o terreno do castelo, sabendo que haveria ainda uma caminhada para chegar onde queria. Pontes longas se atravessavam e eram como uma mini cidade. Caminhou solitário em meio à tempestade enquanto ouvia os assovios do vento ao longe, não deixando-o em paz, vendo as bancas onde as festas eram feitas, totalmente coberta por neve, os jardins mortos, uma área totalmente em ruínas. Se fosse até a beirada e olhasse para baixo, veria que a área florestal, onde seu pai reunia animais para proteção e propagações de espécies, agora estava com apenas as árvores mesmo e suas copas brancas tinham um pequeno morro abaixo delas, mas nenhum ser vivo era visto por ali.

Mesmo dos portões, era fácil visualizar o belo castelo que havia no fim daquele caminho e cada passo dado era um esforço que o acalentava, sabendo que logo estaria em casa.

Passou quase uma hora caminhando até chegar em mais escadaria (algo que normalmente o faria em metade desse tempo), essa que levava para as portas de ferro do castelo, limpas e com duas grandes fogueiras protegidas por pilares, cobertos para que o vento e a neve não apagasse e sendo um porto seguro para quem houvera atravessado tudo aquilo.

Bateu para ser recebido, mas como se estivesse vazio do outro lado, suas batidas ecoaram facilmente, algo muito estranho. Bateu novamente e nada, portante, resolveu ele mesmo usar de sua força para abrir as portas e adentrar.

O carpete vermelho encheu-se rapidamente de neve enquanto o príncipe tinha os primeiros vislumbres do castelo após tanto tempo fora. Tudo estava mais ou menos como sempre, mas não haviam almas vivas por ali, ficando a esmo, ainda solitário e longe de tudo. Uma enorme fogueira estava acesa logo à frente de si, mas como o território era grande, deveria se aproximar para sentir seu calor, mesmo que ali dentro as coisas fossem muito mais convidativas e agradáveis. Haviam também diversos pilares pequenos, de 1,50 no máximo, com fogo em sua parte superior que era como uma panela e dela, pedaços de madeira revestidos de metal para que não sujasse as mãos dos nobres, sendo um jeito bonito para uma mera tocha.

Na entrada, fizera muito barulho para empurrar aquela enorme porta decorada e mais ainda para fechá-la, pois com ajuda do vento, ela basicamente o fez sozinha e se estivesse na forma de tigre, aquilo certamente teria machucado suas orelhas. Além disso, não precisaria dos poderes da Akuma para ouvir passos rápidos e rítmicos, que vinham na direção dele, por uma entrada de corredores à sua esquerda, onde ele sabia que levava para outras alas internas do castelo, essas, que seriam o quarto de seus pais em uma torre baixa.


- Senhor...? - De início, a mulher não reconheceu Kei e nem ele a ela, mas assim que ela se aproximou com seus óculos caídos no nariz, os grandes cabelos louros em tranças e o vestido azul marinho, não parecia ter envelhecido muito desde a última vez que ele viu sua ama, a Chefe Governanta Argara agora estava em sua frente e após alguns segundos, ela sorriu calorosamente, curvando-se e aproveitando o movimento, ajoelhando-se diante de quem ela reconhecia. - Meu príncipe. Fui tola em não reconhecê-lo, perdoe esses olhos cansados. Seja bem vindo. - Ela só se levantaria se recebesse a ordem, ficando a mercê dele o tempo que fosse necessário, para então ajeitar a postura e colocar discretamente os punhos na base da coluna, sentindo dor por realmente estar velha. As lembranças de Kei iam desde sua infância, onde tudo que ele precisou na ausência de seus pais (que normalmente estavam em assuntos reais para com a ilha ou de diplomacia com as demais), era ela quem o cuidava. Moveu-se na direção em que veio e curvou-se levemente para convidá-lo para aquele caminho, ficando lado a lado da porta. - É bom ver o senhor, meu príncipe. Tenho notícias urgentes e gostaria que o senhor esteja de mente aberta para tais. Gostaria de me acompanhar ao quarto de seus pais para podermos discutir isso? Creio que gostaria de algo quente para ingerir, afinal, sua caminhada lá fora fora deveras gélida... Por favor, senhor. Veja seus pais enquanto lhe trago seus trajes casuais e uma bebida e comida. Estou a seu dispor se quiser ir se deitar um pouco. Sua presença é deveras apreciada nesse momento.

- O que vocês estão falando? - Dizia uma pequena garota de cabelos louros, mais escuros que de Kei, mas era mais nova e partilhava dos olhos vermelhos do príncipe, porém ele não tinha memória alguma dela.

- Princesa Yuki, este é o seu irmão, Kei. - Ela dizia como se aquilo não fosse nada, algo casual. A menina prontamente se aproximou do irmão mais velho como se ele fosse apenas mais um serviçal e não um real membro da nobreza, olhando dos pés a cabeça, julgando sua aparência desgastada e cheia de neve nos ombros, tendo um sorriso falso de quem tenta ser simpático. Assim que fez uma análise geral dos dotes de Kei, ela se abaixou rapidamente, puxando com a ponta dos dedos o vestido de lã que usava e o cumprimentava ao mesmo tempo em que se despedia, dando as costas para ele e indo embora.

Logo um som metálico vinha dos corredores, o que poderia ser facilmente os guardas ou demais serviçais, pois a origem do som não era da escadaria que levava até a torre onde seus pais residiam. Então Yuki se vira para a mulher na cadeira de rodas, uma senhora que mesmo perto dos seus 60, ainda tinha seus dotes reforçados, mesmo que uma aparência cansada, a terceira mulher com cabelos louros e bem compridos aparecia e tinha um cachimbo sendo segurado no braço da cadeira, por uma pinça própria para isso. Ela olhou o recém chegado e não abriu um sorriso, mas enrubesceu as bochechas, sentindo vergonha de si diante do filho.


- Mamãe! - Yuki se aproximava da mãe e a abraçava, não recebendo um de volta, pois a mulher não conseguia tirar os olhos de seu filho que há tanto tempo esteve fora e naquele momento, seus lábios tremeram e ela deu uma tragada no fumo, liberando a fumaça para cima enquanto segurava algo em sua garganta. Demorou um pouco, o que diferente da irmã, a mãe não parava de olhar sua face e tinha um desejo materno de querer retirar a neve em seus ombros, o que era impossível, ela deu seu melhor sorriso, mas não conseguiu manter, ainda sentindo-se humilhada, afinal, aquilo não era uma aparência digna de uma rainha e ele sentia isso.

- Meu filho... Meu amado filho... Me desculpe... Eu... Eu duvidei de você... - Ela deu outra tragada e ofereceu o cachimbo para Kei, sabendo que ele também partilhava daquele vício. Yuki não recebeu aquilo com bons olhos, olhando-o com o nariz empinado, mostrando uma certa arrogância como se ela fosse superior a ele, mas sorriu verdadeiramente, abandonando a mãe e subindo as escadas para que levavam aos recintos do pai deles. Argara permanecia parada ao lado da porta, olhos fechados no maior estilo "mobília", afinal, não era de sua conta as tramas da família Chikage.


Spoiler

Pai:
user posted image
Mãe:
user posted image
Irmã:
user posted image
Governanta:
user posted image

--------------------
user posted image
mp
^
Tiger
 Posted: Feb 12 2018, 11:54 PM
citar


Tiger




Cipher Pol nº 3



541 posts

Ficha

Tiger is Online

Avaliador




Réquiem de mentiras
Na neblina, junto com as neves, o som dos meus passos ecoavam ao longe. Tive a impressão, ao olhar para meu castelo, de ver uma tela branca, de tão forte que era a nevasca que cobria minha visão e meus sentidos. Os passos tornavam-se pesados e lentos. A neve já estava alta e os vilarejos em volta, castigados com a terrível nevasca pareciam abandonados. A recepção não era como eu esperava, para falar a verdade, ninguém sabia da minha chegada. Aqueles vilarejos, no qual eu lembrava de seus aldeões felizes com suas feiras e alimentos, não mais existiam. Uma ilha famosa agora não passava de uma ilha fantasma. Meu corpo estava coberto com o casaco de cor branca mais quente que eu havia conseguido, o capuz tapava quase todo meu rosto, e usava botas especiais para andar na neve pesada. Eu conhecia aquele caminho como ninguém, poderia fechar os olhos e achar tudo o que eu quisesse ou precisasse naquela ilha, mas pairava naquele ar gélido uma sensação diferente que eu não saberia explicar, era como se a ilha estivesse morta e ali não existisse nenhum brilho de seu passado glorioso do qual eu lembrava. Aquilo doía.

Quando cheguei de frente para o castelo e abri as portas, apenas vi a lareira, não procurei olhar em volta ou ver se alguma pessoa estava na sala. O que me fazia me aproximar da lareira era o fato de sentir o seu calor e nas minhas memórias eu me via ali criança, brincando com minha mãe, que acariciava meus cabelos dourados parecidos com os seus e sua doce voz sempre atenciosa e carinhosa. Se eu fechasse os olhos, poderia ainda ouvir os passos de meu pai e de meu avô perto da biblioteca, onde costumavam conversar sobre assuntos relacionados ao reino. Mas agora não existia nada. Apenas a lareira e aquela sensação que insistia em me acompanhar. Foi quando alguém havia notado minha chegada. Seu jeito não havia mudado em nada. Era Argara que esteve a meu lado desde meu nascimento, atenciosa e prestativa, acostumada a fazer todas as minhas vontades. Quando eu corria porta afora dizendo que iria atrás de meu pai e meu avô, seus passos curtos e rápidos sempre faziam algo para me entreter. E ali estava ela novamente, assustada, mas assim mesmo mostrava-se preocupada com algo. Insistindo que eu a acompanhasse. Como se minha presença ali pudesse fazer algo. Eu não saberia. Meu sorriso saiu caloroso, tentando acalmá-la com sua fala apressada e cumprimento exagerado. Ali não existia mais o príncipe que ela havia conhecido. Ele havia crescido e o mundo o ensinou muitas coisas. Tirei o casaco pesado dos ombros, posicionando-o perto de um cabide, por baixo do casaco estava com um blusão vermelho de gola alta e as calças que estavam protegidas eram quentes e forradas por dentro. A bota ainda continuava, pois meus pés estavam muito gelados após todo o trajeto. Meus cabelos haviam crescido durante esse tempo, ficando na altura dos ombros com leves ondulações. Foi então que posicionei minha mão sobre seus ombros, erguendo-a e dizendo.


- Já faz um longo tempo Argara, não há necessidade de tais formalidades, você para mim é como se fosse da família. Venha e me dê um abraço.

Puxei Argara, mesmo que resistente, em um abraço caloroso que muito lembrava os que ela havia me dado enquanto tentava me fazer adormecer. Nesse instante uma criança loura, toda arrumada, como se fosse uma boneca, surgia. Seu rosto e expressões tinham um ar de reprovação, seus olhares pareciam levados ao som do vento que corria lá fora, da mesma forma que chegou, desapareceu. Argara havia nos apresentado como irmãos? Como assim? Que eu lembre não tenho nenhuma irmã e tampouco havia sido comunicado sobre isso. Confuso e sem entender, tentei seguir seus passos. A voz vacilou e ficou muda. Eu não havia falado em tom alto e sim, sussurrado, quase como um suspiro. Yuki, era seu nome. As mãos pousavam diante das escadas enquanto subia as escadarias lentamente e Argara sempre a meu lado. Não sei de que modo aconteceu, mas não demorou para ver sua figura linda e esbelta. Os olhos da pequena com tons avermelhados eram idênticos aos daquela pessoa. Minha mãe. Espantada com minha presença, abraçava aquela pequena boneca como se estivesse envergonhada. O que ela havia pensado eu não sabia. Não importava quanto tempo tinha passado. O que havia acontecido. Nada nesse mundo era mais importante do que minha família. Meus olhos pousaram diante dela e ajoelhei-me diante de sua soberana presença, segurando sua mão calejada do tempo, mas ainda sim delicada e suave, deixando um beijo em sinal de respeito a rainha daquelas terras. A mulher que eu mais amava nesse mundo. Minha doce mãe. Seus olhos imploravam por algo que não sabia, e naquele momento não queria saber. Notava sua saúde debilitada, porém meu amor era maior. Aceitei o cachimbo e logo disse.

- Minha rainha! A rainha mais bela de toda Blues. Teremos muito tempo para conversar, mas agora venha e me dê um beijo. Estou com saudades de seu amor. Seu filho voltou!

Kei Chikage
Cipher Pol 3


@Angelique

This post has been edited by Tiger: Feb 13 2018, 12:02 AM
mp
^
Angelique
 Posted: Feb 15 2018, 10:39 PM
citar


Angelique




N/A



395 posts

Ficha

Angelique is Offline

Narrador




De início, a mulher fora relutante, mas já envolvida pelo abraço de seu príncipe, deixou os costumes da nobreza de lado (pois ele também o fazia) e colocava suas mãos de baixo para cima, deixando as palmas sobre os pulmões dele, não apertando em um abraço caloroso, mas apenas repousando como que sabendo que aquilo era errado e facilmente desfaria se assim requisitado ou avistado por algum outro governante dali. Ela abriu o sorriso, pois mesmo sem jeito para tais coisas, ainda era humana e gostava de ver Kei bem. Se permitiu repousar a cabeça nos ombros fortes dele, apreciando o gesto e o momento, afinal, também sentiu saudades do rapaz.

Não se deixou abalar pela aparência debilitada da mãe e não matutou muito sobre a presença da irmã. A rainha, por assim dizer, também mãe de Kei, não merecia tais floreios, porém Kei fez mesmo assim. Ela olhou-o preocupada, com um nó na garganta, mas se permitiu sorrir ao receber os elogios dele, pois apesar do tempo fora, ele não havia mudado. Não sabia o que esperar, mas de praxe, já imaginava coisas ruins e ficava feliz por ver que o mundo não o corrompeu. Tinha um sorriso bobo e involuntário, afinal, era visível que tinha várias preocupações em sua cabeça e vergonha de aparecer diante do filho naquela forma fraca.

Ela moveu sua cadeira de rodas um pouco e Argara prontamente se moveu para ajudá-la, mas com um sinal com a mão, fora negada a ajuda e a governanta apenas se aquietou ao lado de seu mestre, não contrariando a rainha. Nunca tinha sido respondona ou rebelde, então toda e qualquer ordem de seus mestres, para ela eram absolutas. Não discutiu sobre a necessidade de ajuda, de conservar as energias, apenas respeitaria a opção da outra loira e portanto, posicionou-se para que assim que fosse requisitada, estaria pronta, mas caso contrário, apenas mesclava-se com o cenário.

Pegou a mão de Kei e beijou as costas, logo em seguida virando a palma para cima e colocando em sua bochecha, fechando os olhos, abrindo um sorriso reconfortante, ficando assim por um curto período, logo voltando para uma expressão neutra e suspirando pesado, abrindo os olhos como se houvesse lembrado de algo extremamente importante e olhando-o como já muito inimigos houveram olhado-o.


- Kei... Você está aqui pelo seu legado? - Quando estava de bom humor, era interessada e curiosa, mesmo que já soubesse de algo, instigava Kei a ser um explorador e sempre pensar por si mesmo e cada conhecimento dele era uma conquista que ninguém poderia tirar dele. Nesse momento ela estava como quando algo de muito errado ocorria na ilha, como da vez em que um barco da Marinha aportou e exigiu conserto, mas eles nunca tiveram muito e fizeram o melhor para ajudá-los como se tivessem em abundância e após o conserto, os marinheiros foram embora com um agradecimento da Marinha e promessa de pagamento, porém dias após ela descobrira que tal navio houvera afundado em um combate contra uma frota de piratas, deixando-a seca e ríspida como o próprio gelo que se formava nas beiradas da janela.

- Senhora... Receio que o Mestre Kei esteja cansado de sua viagem e queira descansar.

- Sim, Argara, você tem razão. - Ficou um momento segurando a palma dele pela ponta dos dedos, como que não querendo que ele se fosse, mas logo olhou-o duramente. - Leve-o até seu pai. Ele tem todo o direito de saber. - Assim que fizesse sua saída, ela permaneceria ali parada, observando-o com zelo, tendo certeza de que ele estaria bem, mas que de onde estava, era o máximo que conseguia fazer e isso a incomodava profundamente, pois assim que ele desse as costas, ela colocaria a mão no peito, apertando-o.

Prontamente Argara se colocou na frente de seu príncipe para então levá-lo escadas acima. A subida era conhecida, mas não daquele jeito. A torre que levava aos aposentos de seus pais estava com diversas portas fechadas, levando a um único cômodo e este que não era nem o quarto dos progenitores em si, mas um quarto luxuoso a parte no terceiro andar, diminuindo abruptamente a subida conhecida e indo para uma daquelas sessões do castelo que os hóspedes conheciam melhores que os donos.

Ela abriu a porta e logo um bafo quente os acertou, aquecendo Kei de forma que nem a lareira central conseguira (mas ainda assim necessário o uso da roupa robusta que usava) e isso não era o mais impressionante, pois o local era muito bem decorado, com quadros da família, tinha um que ele não conhecia, obviamente pintado após a ida dele, onde apareciam apenas a mãe e a irmã. Sentada no colo da matriarca, ela tinha uma pose imponente, como se a própria fosse a rainha de Beyond e que todos estavam abaixo dela.

As janelas estavam fechadas e mesmo o assovio do vento parecia distante, pois agora só dava espaço para o crepitar da lenha na fogueira, que fora muito bem alimentada e suas chamas eram altas e controladas por um cercado metálico. Não havia iluminação ali, era um local de repouso e apenas a chama permitia que as sombras dançassem nas paredes.

Houveram atrapalhado uma conversa no momento em que a porta tinha sido aberta, mas como se calaram de súbito, ele não as reconheceu.


- Meu senhor... Seu filho está aqui. - Argara se aproximou da cama central, onde havia uma cortina e após o aviso, ficou parada ao lado da mesma, apenas aguardando uma resposta.

- Kei está aqui...? - Uma voz velha (mais do que ele lembrava) e cansada falava com certa surpresa. Logo o idoso ficou um tanto agitado e um vulto que também estava ali, lhe concedeu uma bengala próxima a ele, se levantando e empurrando a cortina com uma mão trêmula. Seu pai estava envelhecido e não era pela idade. Seus cabelos louros estavam mais claros e soltos, mas não escovados, bagunçados como se tivesse dormido pela última vez há mais de um século atrás. A barba estava por fazer e mais comprida do que costumava usar, com fios soltos aqui e ali. Abriu um sorriso e andou o mais rápido que pôde até seu filho, abraçando-o com toda força que conseguia... E não era muita. - Kei! Quanto tempo! - Apertou-o. - Você cresceu! - E ele não dizia no sentido de altura, afinal, quando o rapaz tinha saído de Beyond, era magro e fraco, mas desde que se juntou à Marinha, passou por árduos treinamentos e missões, tornou-se um Agente e teve treinos especiais, agora tinha uma musculatura muito bem trabalhada e isso orgulhava o velho, que tudo que mais queria naquele momento era ver que o reino poderia contar com braços fortes.

- Kei... Quanto tempo. - Saindo da cortina também, seu tio aparecia (algo que fazia anos que ele não o via, tendo memórias apenas de quando era realmente pequeno). Ele não parecia detonado como seus pais, aliás, parecia muito bem. Mesmo que fosse mais novo que seu irmão, eles pareciam ter um abismo de idade. Ele abria um sorriso ao avistar o agente e se aproximava, oferecendo-lhe a mão para um aperto.

Seu pai trajava uma espécie de roupão de seda e um manto grosso por cima do corpo com uma bota não amarrada, apenas calçada e parecia muito confortável com aquilo, mas com certeza não era a aparência de um rei. Por outro lado, seu tio trajava uma malha que se colava à pele e uma roupa grossa por cima, mas não das que protegem do frio como um casaco e calças moletom, e sim as que a nobreza usavam em dias menos quentes, obviamente não sentindo muito frio naquele recinto.


- Meu filho... - Ele colocava uma trêmula mão no ombro de Kei e apertava com gosto, satisfeito em vê-lo e de certo forma, não acreditando naquilo, tendo de fazer força com a palma como que ter certeza que o rapaz não era uma mera ilusão de sua mente velha e cansada. - Tenho péssimas notícias... Seu avô não está bem. Por favor... Aproxime-se dele.

Caso o rapaz se aproximasse como lhe fora sugerido, veria que na cama de casal, diversas cobertas estavam sobre um homem muito velho. Havia uma pequena aparelhagem médica ao seu lado e como Beyond era uma ilha de inverno e pobre, aquilo era o melhor que tinham. Para piorar a situação, estavam no meio de um inverno rigoroso, o que impossibilitava a viagem por ajuda.

- Ele está em coma faz dois meses... Acordou em três momentos, mas não sabemos a causa. Ele só... Enfraqueceu. É bom que esteja aqui, Kei, tenho algo para lhe falar de extrema importância... - Se Kei houvera se aproximado, seu pai o sentaria na poltrona em que antes ele estava e sentaria onde seu tio estava, basicamente trocando de assentos enquanto o terceiro homem ficava ao lado de Argara, pedindo algo para ela, que concordava com a cabeça e saía de cena.

- Como você está para tomar conta da ilha?

- Como está para ser nomeado rei?


Spoiler

Tio:
user posted image
mp
^
Tiger
 Posted: Feb 16 2018, 11:11 AM
citar


Tiger




Cipher Pol nº 3



541 posts

Ficha

Tiger is Online

Avaliador




Réquiem de mentiras
Os carinhos que eram reservados para minha mãe eram o mínimo que eu poderia fazer para expressar o quanto ela era importante para mim. Não seria diferente, já que sempre fizera o mesmo por mim, mesmo quando acontecia cerimônias no castelo com membros da corte, ela estava ali segurando minha mão e me apresentando para cada um deles, com sua doçura e todo brilho que Deus havia lhe dado. Podia ver em seu rosto traços de preocupação e insegurança, eram visíveis, pois eu a conhecia muito bem. Aquela cadeira de rodas significava que sua saúde estava frágil, Argara, receosa, revelava que talvez algo grave estava acontecendo ali. Eu não via nem a metade dos serviçais que trabalhavam no castelo. Onde estava o cozinheiro barbudo que muitas vezes era clamado por seus pratos famosos e jantares que eram oferecidos? Onde estava o jovem jardineiro que cuidava do jardim de inverno de minha mãe? Rosas vermelhas como seus olhos eram postas ali para serem cuidadas pelo mesmo. Onde estão as irmãs que ajudavam Argara com os cuidados da casa? Onde estão os chanceleres que carregavam os títulos e honrarias inspirados por suas valorosas contribuições a ilha. E os ministros, que andavam, com suas comissões ao lado do meu pai e avô para resolver as relações exteriores entre a ilha e o resto do mundo? Ainda conseguia me lembrar de todas as reuniões que eles faziam na enorme biblioteca que meu avô havia construído... ali, eu havia me acostumado a devorar todos aqueles livros, seus contos e histórias, desde que eu era pequeno. Gostaria de fazer todas essas perguntas a minha mãe, mas sabia que não podia. Via em seus olhos a angústia que minha presença estava causando. Uma espécie de euforia e medo que eu decifrava com meus carinhos através de carícias e toques em seu rosto branco e olhos avermelhados, que eu havia herdado. Ali do nosso lado era possível sentir aquela mesma presença, os mesmos olhos em miniatura, aquela que dizia ser minha irmã estava agarrada, do outro lado, segurando a mão de minha mãe, examinando-me sem dizer uma palavra. Seus cabelos eram idênticos aos da rainha. Aquela menina com certeza era minha irmã. Não havia dúvidas de que, caso o tempo não tivesse tamanha urgência em várias questões nas quais eu desconhecia, minha mãe teria nos apresentado com mais tempo.

O tempo que eu passei fora de casa fez com que muitos acontecimentos da ilha não chegassem até mim. Muitas coisas ocorreram. Eu era marinheiro e logo depois estava no governo mundial. Talvez tenha se passado cinco, seis ou sete anos, pela idade da pequena princesa. Não sei ao certo. Havia saído com sonhos de explorar o mundo e voltei um homem forte, carregado de convicções e legados de todas as pessoas que passaram pela minha vida. Com certeza minha mãe notava tais diferenças em minha fisionomia, mesmo com meus floreios e brincadeiras, eram visíveis as mudanças em minha aparência e personalidade. Aquele lado irônico e sarcástico, até certo ponto infantil, agora eram destemidos, sérios e confiantes, dando contornos de uma personalidade muito mais perceptiva e intuitiva após todas as batalhas que eu havia enfrentando. Eu era um homem feito. Após o sucesso da missão em L'arcan, recebi a autorização de meus superiores do governo mundial para um recesso de minhas atividades, com autorização direta da comandante da CP3, Angelique, que após ler meu relatório com o sucesso da missão em Ohara e L'arcan, eu teria o mérito de resolver questões pessoais por algum tempo. Para falar a verdade, o governo foi mais receptivo do que eu esperava e eles sabiam que eu havia conseguido uma akuma no mi e isso era algo muito bom para eles. O governo mundial era exigente com seus agentes mas quando alcançavam seus objetivos com sucesso davam alguns benefícios. Ohara foi a missão na qual percebi o quanto o governo pode ser impiedoso, exterminando quem fosse contra suas ordens. Na missão de Larcan, vi ligações entre a máfia e o governo, e que minha ilha e minha família estavam envolvidos e o quanto eu precisava ser paciente e cauteloso. Não sabia em quem podia ou não confiar. Em sua ânsia, minha mãe me questionava, se eu estava a ali pelo meu legado. Via em seus olhos a esperança e o futuro que ela depositava sobre mim. Pousei meus olhos sobre ela com carinho e ternura, dando um beijo suave em sua testa, sussurrando em seu ouvido apenas para ela, mas todos podiam escutar.


- Estou aqui por você, minha rainha.

Essas palavras eram carinhosas e todos que estavam ali conseguiram ouvir. Argara, então, me direcionava para o encontro com meu pai. Subi mais alguns degraus escada acima, os quais eu conhecia muito bem. Podia perceber que aquele lugar no qual eu corria estava mais parecendo um mausoléu, com as portas e janelas fechadas e serradas, sem nenhum movimento vindo dos cômodo. Adentrava em um quarto no qual eu não lembrava, era luxuoso, possuía cortinas compridas que estavam fechadas com a iluminação levemente presente no ambiente. Possuía algumas poltronas em que eu pude ver cinzeiros com cigarros e logo mais, quadros, pinturas, sofás e tapetes davam um tom de conforto para aquele ambiente. Era possível ouvir o crepitar da lenha de uma renome lareira que agora se revelava. A escuridão do ambiente era quebrado pelo brilho das chamas, na qual eu ouvi Argara me anunciar na medida em que uma voz fraca e cansada respondia. Era a voz de meu pai. Mesmo fraca ela era firme como em minhas lembranças, mesmo cansada possuía ainda sua confiança que eu havia herdado. Um médico que havia dedicado sua vida a salvar vidas, não importa a situação que esteja, por mais difícil que ela possa ser, sempre haverá um resquício de esperança e confiança na voz de um médico. Sua figura se revelava com surpresa com minha chegada, a cortina se abria e seus cabelos dourados como ouro se mostravam reluzentes com sua barba mais comprida do que antigamente. Com a ajuda de alguém que estava nas sombras, que eu não havia identificado, meu pai vinha em meu encontro com uma bengala que eu nunca vi ele usar. Seus passos eram vibrantes e seu sorriso acolhedor. Seus braços que muitas vezes que pegaram no colo quando eu corria para o seu quarto com medo do escuro não haviam mudado, eram firmes e atenciosos. Recebi o abraço e o devolvi forte e demorado. Meu pai! Meu amado pai. Aquele que mais me incentivou na busca dos estudos e do conhecimento. Juntos ali ficamos sem nos preocupar com o tempo, aproveitando o momento que há muitos anos não acontecia. Alguns pequenos espasmos de sua musculatura revelava o enorme esforço que ele fazia para me dar um abraço forte, estava enfraquecido, era possível sentir que estava mais magro e debilitado, igual minha mãe. Eu sorria, puxando-o para junto de mim, respondendo respondendo a sua brincadeira de que eu havia crescido.

- É verdade. Estou aqui agora. Por você, pela mãe e nossa família. Mas não vejo meu avô!? Não vejo quase ninguém da corte... o que está acontecendo aqui?

O tom das palavras trouxeram um pequeno espaço de silêncio que não demorou para ser respondida. Mas não com a resposta de meu pai, pois era interrompido por uma voz que há muito tempo eu não ouvia, pelas sombras o vulto que havia entregado a bengala a meu pai, se revelava. Era uma figura imponente, madura mas ainda assim era jovem, não tinha uma mudança muito grande na idade de meus pais e ele, mas meu tio se revelava com uma saúde vibrante tal qual eu lembrava, oferecendo-me a mão para um cumprimento que eram dados com a mesma cortesia e um sorriso. Não tivemos tempo de iniciar qualquer tipo de diálogo, meu pai com seu roupão pousava sua mão em meus ombros, sacudindo-me, dizendo que tinha péssimas notícias. Era possível perceber em sua voz a mesma densidade de felicidade e esperança que senti em minha mãe. Minha presença ali era como se fosse uma luz em meio a escuridão. Jamais pensei que coisas tão graves pudessem estar acontecendo em meu reino. Se soubesse teria vindo antes, mas as notícias não paravam por aí.

Meu avô estava doente.

Dessa forma eu era conduzido na direção de onde meu avô estava, uma especie de quarto hospitalar feito pelo meu próprio pai. Que era o médico responsável pelos cuidados. Talvez por isso ele estava naquele estado cansado e fadigado, como se não dormisse e se alimentasse direito a meses. Meu avô foi o antigo regente da ilha, pesquisador e cientista que fez inúmeras descobertas de vacinas para doenças para todo Blues. Um reinado todo idealizado para os mais necessitados e vislumbrou em um jovem médico uma possível continuidade em sua forma de prosperar ainda mais Beyond. Minha mãe a princesa herdeira do trono, se apaixonou, virando rainha e meu pai assumindo o reino. Ambos deram continuidade ao sonho do meu avô, que confiou em minha mãe e no meu pai a continuidade que ele acreditava ser o mais importante para a ilha. Mas meu avô era uma pessoa dedicada a suas pesquisas e mesmo não sendo mais o rei ficou responsável como ministro e conselheiro de meu pai. Agora estava ali, com uma doença desconhecida, onde nem sequer me pai dito um gênio conseguia curá-la. Seus olhos fechados e seu pequeno corpo adormecido naquela cama era uma imagem difícil para mim, pois em toda minha infância estive com ele lendo livros e eu sempre era o primeiro a saber quando descobria algo importante. Me chamava em sei laboratório ou em sua biblioteca e me mostrava tudo. Apaixonado e feliz. Era assim que ele vivia. Meu pai se jogava em em uma poltrona próxima, onde ele estava antes com meu tio e a sombra de Argara estava imóvel no mesmo lugar próximo dali, lado a lado, e meu tio voltava a se sentar. Sua pergunta vinha, com seus olhos azulados fulminantes, querendo que eu assuma o reinado da ilha. Essa pergunta era a que eu mais temia. Como eu poderia ser rei e pertencer ao governo mundial ao mesmo tempo? Não poderia dizer não mas também não poderia dizer sim. Qualquer palavra que eu dissesse naquele momento depois de ver o quanto meus pais e meu avô estavam debilitados seria o mesmo que matá-los de vez. Eu precisava saber o que estava acontecendo, mas antes, precisa descansar, me alimentar e vestir-me mais confortavelmente. Qualquer ato impulsivo tinha que ser descartado naquele momento. Então minha resposta veio.


- Pai, estou há muitos anos fora de casa e você quer que eu me torne rei? Temos muito o que conversar, você me enviou uma carta e um presente. Porque não fazemos um jantar, reunimos nossa família, vocês me apresentam minha irmã na qual eu sequer sabia de sua existência e então conversamos melhor?

Kei Chikage
Cipher Pol 3


@Angelique
mp
^
Angelique
 Posted: Feb 20 2018, 07:08 PM
citar


Angelique




N/A



395 posts

Ficha

Angelique is Offline

Narrador




- Sim... Sim, desculpe-me, amado filho. Apenas sua presença já é motivo o suficiente para um banquete! Vá para seu quarto e se arrume, iremos fazer algo para que sua receptiva seja melhor do que... - Ele abria os braços e fazia um movimento com as mãos, circulando todo o cenário, como que o englobando. - ...Isso.

- Mas já vai, Kei? - Seu tio olhava-o com um sorriso maroto e o olhar afiado que quase todos daquela família tinha, mas não havia maldade, apenas uma provocação simples, querendo que ele ficasse mais um pouco com seus parentes antes de realmente ir descansar. A imagem que seu tio ficou é de que ele estava ali realmente apenas pela coroa e não tinha exatamente interesse naquele drama que ocorria ali. Mas não julgava, apenas era passivo-agressivo.

- Vamos, não incomode-o. Ele veio de longe, é um homem importante por si, acredito. Deve estar cansado dessa tempestade... Que momento para vir, não? Uma ilha de inverno em pleno inverno. Irônico... - Ele se sentava e olhava para o vazio, pensando possivelmente em tempos melhores, quando Kei era apenas um jovem inocente e corria pelo pequeno bosque que eles tinham dentro da área do castelo, brincando com a fauna dali. Estava distraído por um segundo, porém seu irmão o trouxe de volta para a realidade, sentando-se na frente dele enquanto pegava de volta sua bengala e a escorava na lateral da poltrona.

- Kei não é mais criança, você sabe. Por mais que o tempo esteja devidamente horrível de se lidar, ele já é um homem e acredito que queira ser tratado como tal. Assim como deve saber sua delicada posição. Há muito o que pensar-

- E não há necessidade para correr com isso. Muito o que pensar, obviamente é um sinal de que é necessária clareza em seu espírito. Fatigado e estressado, sua mente estará turva e impossibilitado de fazer boas escolhas. - O rei cortava seu irmão com as palavras, fazendo-o se remexer incômodo na poltrona, olhando para o velho barbudo com um sorriso malicioso, deliciando-se com aquela disputa discreta de poder. O pai de Kei não era arrogante, mas ainda assim, tinha total noção de quem mandava ali.

- Acredito que um verdadeiro líder deve ter tal "clareza" em todos os momentos. Não entrar em pânico em momentos de dificuldades é crucial. - Ele olhava para o rapaz e erguia o indicador, chamando-o para perto. - Kei, por favor, fique conosco. Nos conte suas aventuras, diga-nos o que fez e viu no mar, longe desse bloco de gelo esquecido.

- Irmão... - Sua voz era severa, por mais que sua aparência fosse deficiente, seu olhar agora era vivo e feroz, advertindo silenciosamente o tio de Kei a maneirar no palavreado. Uma olhada de soslaio fora feito e um sorriso de deboche, afinal, o que ele faria? Mandaria enforcá-lo? Além de não ser seu estilo, jamais faria isso com um parente de sangue e acima de tudo, não tinha a mão de obra para tal.

- Kei, você deve se tornar o próximo rei! - Se levantava e abria os braços, com o corpo virado para a cama de seu próprio pai, as mãos estavam apontadas para seu rei e o anterior a ele. - Mude essa ilha! Não deixe-a cair em ruínas como esse castelo está! Mostre-nos que suas viagens pelo mundo não foram uma fuga! Mostre-nos que você aprendeu! Mostre-nos o homem que você se tornou.

- Irmão! - Seu pai se levantava sem ajuda da bengala, apoiado nos braços da poltrona, uma veia saltava em sua testa enquanto a mão se esforçava em manter-se firme, sua respiração tornava-se mais apressada na medida em que sua face tornava-se rubra de raiva. O olhar irritado era direcionado para o tio de Kei e tão logo gritou, suas forças já o deixavam, então ele avançou ao invés de seguir a inércia e cair sentado na fofa poltrona, agarrando a malha do outro e apoiando o corpo contra o dele, aproximando os punhos fechados e imponentes próximo da face de seu próprio relativo. - Eu o eduquei! Ele sabe quem é e se não, é sempre bem vindo em sua própria casa para que sua família o ajude! A decisão é dele e somente dele! Não o envenene com suas palavras e tenha mais respeito com o reino que lhe deu moradia e comida, algo que muitos lá fora, no frio, no gelo, na neve, que muitos em outras ilhas, estão muito mais desamparados do que um dia jamais estivemos!

- Velho tolo... - Colocou as mãos delicadamente nas de seu possível agressor. - Beyond está em decadência. Desde os tempos de nosso pai, isso nunca deu um passo em direção do futuro. Reina está caída, Ohara aos frangalhos e tudo por obra de guerras e combates. Como está nossa ilha? Aconteceu algo grande como pirataria abundante ou problemas militares? Nem temos infraestrutura para isso!

- Velho tolo? Eu sou o seu rei!

- Você é meu irmão!

Argara agora adentrava e olhava os dois brigando, a bandeja com um bule de chá fumegante, algumas xícaras de porcelana e detalhes em ouro, um bule menor de leite e alguns biscoitinhos com passas, amendoim e caju estavam ali por cima. A mulher olhou a todos ali com a boca aberta e impotente de poder fazer qualquer coisa contra eles, dado a sua posição. Andou até um banco que havia diante de um espelho e deixou a bandeja em cima de uma mesa, sentando-se enquanto não se metia, mas deixava que eles se entendessem. Porém mal sentou, já teve de se levantar as pressas com uma expressão de terror no rosto.

- Velho e cansado como essa ilha. - Com um movimento simples da mão direita, ele retirou as trêmulas de cima de si e fazendo um pequeno giro, depositava a palma sobre o peito do rei e o empurrava levemente, mas que parecia ter grande força pelo corpo debilitado que caía na poltrona e ela ia um pouco para trás, erguendo seu suporte da frente, mas não tendo peso o suficiente para virar. Tal movimento certamente fora um choque de realidade para o pai de Kei, que não teve reação e fora rudemente empurrado para se sentar. Ele. Um rei. Empurrado e colocado para descansar por um plebeu. - Está na hora de uma mente jovem, eclética. Não aquela sua filha mimada da qual você não terá tempo de vida para vê-la crescer, pois desacreditou em seu próprio filho, achando que ele fora embora para não herdar seu reino! - Apontou para Kei. - Eu acreditei nele! Eu sabia que voltaria e traria bons frutos para Beyond! Nosso pai era limitado, nós fomos criados por ele e consequentemente, também não pudemos fazer nossa parte, ficando estagnados nesse iceberg! Agora você cria uma garota para levar o legado de nosso pai adiante? Para que? Que ela seja uma rainha em um reino congelado e morto? Onde piratas se escondem em suas montanhas sem que ao menos você tenha levantado um dedo ou pior ainda, tido conhecimento de tal ocorrido?!!

O pai de Kei silenciou-se, baixando a cabeça, pois afinal de tudo, aquilo tivera ocorrido sim e ele não tinha a informação (que na época nem a Marinha tinha) de que Agorko se escondia com tecnologia roubada e cientistas refugiados de Reina durante a guerra e queda da ilha.

Argara agora estava ao lado do rei e aproximou suas mãos para deixá-lo confortável ou auxiliá-lo se quisesse se ausentar dali, porém ele deu um olhar agressivo para ela e a mulher teve de recuar em dois passos rápidos e curtos (como era de costume), parando atrás da poltrona como uma estátua e aguardando segundas ordens.


- Eu fiz... Eu fiz o que tinha de ser feito... Você nunca foi rei. Você jamais entenderia o que eu fiz por essa ilha, o que deveria ser feito para prosperar. Você nunca teve interesse de viver conosco...

- Nisso você tem razão, querido irmão... - O tio de Kei se aproximava e colocava uma mão na parte de cima da poltrona, acima da cabeça do velho, mas não tocando-a propriamente, sobrepondo sua sombra sobre ele, de um homem livre diante de um rei acorrentado em sua terra. - Eu viajei até a Grand Line. Perdi a minha família, perdi amigos e quando nada mais me restou, aqui retornei. Meu sonho de explorador? Piada como uma pedra com neve em cima sendo chamado de "reino"...

- Kei... Vá...

Se necessário, Argara levaria o príncipe até seus aposentos, o luxuoso quarto que houvera mudado uma coisa ou outra no decorrer dos tempos em que ficou fora, não tendo se mantido o mesmo por questões de arrumações mesmo, porém o que não ali estava, guardado se encontrava nos calabouços abaixo do castelo, local que nos tempos de seu avô eram usados para guardar fugitivos e criminosos, mas que com o passar de gerações, tornou-se apenas um "porão" para guardar coisas que eles talvez viessem a usar algum dia, nada sendo realmente desperdiçado e tornando aqueles quilômetros abaixo da terra como um grande depósito gélido de memórias.
mp
^
Tiger
 Posted: Yesterday at 09:13 am
citar


Tiger




Cipher Pol nº 3



541 posts

Ficha

Tiger is Online

Avaliador




Réquiem de mentiras
Existia uma espécie de tensão, uma energia que pairava sobre minha casa. Não sabia o que era. É aquele sentimento que vem e você não consegue decifrá-lo, mas não demorou para que isso ficasse claro naquele local. Meu tio e meu pai eram pessoas diferentes, possuíam ideias conflitantes e uma espécie de discussão era iniciada entre eles e eu não poderia sair dali sem dizer absolutamente nada. Após toda aquela cena me mantive em pé próximo a porta com Argara a meu lado. Fechei a porta e respondi com o mesmo sorriso, mas ele possuía um tom mais firme do que eu gostaria. Não me agradava ver meu pai naquela situação e a forma que meu tio agia, com uma espécie de desdém ao rei. - Tio, perdoe-me. Você está certo. - A primeira coisa que eu fiz foi mostrar que, de alguma forma, eu estava concordando com toda sua cena, essa era uma estratégia para conquistá-lo a ponto de não criar mais um atrito entre a nobreza de nossa família. Meu tio deveria ter muitas diferenças com meu pai. Primeiro porque minha mãe que havia sido escolhida para ser a rainha, herdeira do trono, enquanto ele viajava e explorava o mundo e quando retornou viu o seu pai postulando o trono ao homem que ele não conhecia e a sua irmã. Deveria ter sido um baque muito grande para ele. Então, minha estratégia inicial foi não confrontá-lo e sim cativá-lo, pois suas falas eram tomadas de ataques e ao mesmo tempo de carícias, eram afrontas e também elogios. - Esta ilha está cansada, fraca e o que eu aprendi nesses anos foi que quando existe fraquezas sempre existirá alguém para atacar. Irônico, não? O mundo age dessa forma e você, que foi um explorador, sabe que o mundo pode ser cruel e que os fracos são engolidos pelos fortes... e Beyond não vai ser um lugar que cairá. Pois existe um rei forte aqui! - Silenciei-me, dando alguns passos em direção a poltrona em que meu pai estava sentado, caso tivesse ali algum café ou chá que Argara tivesse trazido, eu tomaria, cruzaria minhas pernas numa pose firme e destemida, obviamente elegante, pois essa é uma característica minha, pessoal. Meus olhos encontrariam os do meu tio e o convidaria para sentar novamente na poltrona. Estava decidido a ter o primeiro embate por aqueles que amo e o primeiro que se revelava era com um membro de minha família.

- Não pense, caro tio, que sua opinião não é importante. Longe disso. Ela é fundamental para a reconstrução de nossa ilha. Precisamos de você. Peço desculpas pela minha indelicadeza, pois passaram-se muitos anos e vocês nem sabem o que aconteceu comigo. Mas agora irei contar para vocês dois, pessoas na qual confio. - Neste momento, talvez, meu tio já estivesse sentado e Argara já tivesse trazido alguns biscoitos para beliscar, mas minha intenção ali era justamente conhecer ainda mais as intenções do meu tio. Buscava a mão de meu pai e a segurava, pois trazio-o para sentar-se a meu lado. Segurava sua mão firme, mostrando a ele confiança, pois ele ainda era o nosso rei e logo, continuei falando de modo claro e calmo. - Estive em uma ilha onde um pirata havia atacado e matado vários. Acabei me juntando a marinha e logo fui enviado para Beyond. Não revelei que essa era minha ilha, minha terra, pois a missão que recebemos da marinha era a caça do pirata que estava escondido aqui. Tivemos sucesso. Ele foi morto e todos sua operação foi aniquilada. Então, querendo ou não, nossa família cumpriu seu papel, caro tio. Nossa própria linhagem contribuiu para que Agorko fosse exterminado. Fizemos a nossa parte. Logo depois fui convidado para ingressar no governo mundial como um agente, pois este acreditava que minhas habilidades analíticas poderiam ser mais aproveitadas no governo. Fui enviado para uma guerra em Ohara e consegui aprender como a marinha e o governo mundial podem ser cruéis e continuei fazendo algumas missões. Com o sucesso delas recebi a autorização de retornar para minha família. Minha história está longe de suas façanhas tio...Não estive na Grand Line. Mas acredito que aprendi um pouco.

Era uma revelação e tanto o que eu havia dito, dei algumas pausas nos momentos cruciais em que revelava que estive na ilha e que fui um dos responsáveis pela queda daquele pirata. Calei-me, esperando estudá-los e ver a reação do meu tio e do meu pai. Para meu pai, deveria ser um alívio saber que ele não fracassou, pois seu filho resolveu aquela situação que meu tio usava para atacá-lo e ferir o seu orgulho. Mais um gole naquela xícara era necessário, mas em nenhum momento deixei de estudar cada expressão vinda de meu tio. Sorri e levantei-me, pois a intenção era trazer uma cena impactante. Arrumei minha roupa e me posicionei atrás da poltrona de meu pai, colocando minha mão em seu ombro e fitei meu tio em uma postura na qual ele não esperava, pois ali, na sua frente, não estava um jovem tolo e sonhador. Estava um homem e quem sabe, um rei, diante dele. Mesmo fraco e cansado, Beyond tinha um rei, que era o meu pai, e ele teria meu apoio no que precisasse. - O que eu vejo que falta para nossa ilha é confiança. Enquanto estivermos divididos em conflito seremos realmente como você diz, meu tio, fracos e cansados... como você frisou tanto. Essa ilha não está morta. Não vejo morte aqui. Vejo diferenças que não podem existir em um reino. O que eu peço a você, é que contribua de forma positiva e não com ataques infantis, como os que vi agora. O seu rei, o seu irmão, precisam de você. E é por isso que estou aqui. Para fazer o mesmo e, nesta noite, convoco como príncipe todos aqueles que ainda têm títulos em nossa ilha. Será dado um banquete em minha chegada. Não será discutido assuntos referentes a política da ilha, pois é um momento de comemoração. Tanto o rei quanto a rainha concordam com minhas palavras. Esta casa voltará a seu esplendor e após o jantar iremos reunir o conselho, que não vejo em nenhum lugar aqui e então iremos discutir os assuntos mais relevantes. Isso é um pedido do seu príncipe.

Dei um beijo na mão de meu pai fazendo uma reverência a sua linhagem, passando pra ele aquilo que ele precisava, que a seu lado existia um aliado e não alguém que tinha intenções por trás de todo aquele jogo de mentiras. Não olharia para trás para ver o que minhas falas causaram. Iria para meu quarto, aonde Argara me conduziria até meus aposentos, na qual ainda lembrava... minha bela cama, minha banheira de águas quentes em que existia um enorme vidro, como uma janela, em que era possível enxergar os topos da minha bela montanha. Após aquele momento, eu iria buscar minhas roupas de príncipe na qual costumava usar nos banquetes organizados em nossa casa. Caso tivesse a oportunidade, deixaria tudo claro para Argara os preparativos para o banquete, caso realmente tivesse como realizá-lo, pois não sabia da escassez que talvez tivesse chegado o nosso reino. Pediria para a mesma comunicar tanto a rainha quanto a pequena princesa para que usassem seus melhores vestidos pois iríamos mostrar a todos que a família Chikage estava de volta. Caso não encontrasse as roupas que costumava usar, perguntaria para a governanta aonde estavam, no mais, os preparativos estavam sendo realizados. Meu desejo seria realizado? Muitos mistérios estavam acontecendo.

Kei Chikage
Cipher Pol 3


@Angelique
mp
^
1 User(s) are reading this topic (1 Guests and 0 Anonymous Users)
0 Members:

responder
novo tópico
fazer enquete