versão 8.1

Pages: (3) 1 2 3  ( Go to first unread post )
responder
novo tópico
fazer enquete

 9° Aventura - Réquiem de mentiras, Kei Chikage
Tiger
 Posted: Feb 4 2018, 10:08 PM
citar


Tiger




Cipher Pol nº 3



597 posts

Ficha

Tiger is Offline

Agente do Governo




Réquiem de mentiras
Mesmo no alto do inverno, Beyond era uma lugar muito belo. Com seus cristais de gelo que caíam sobre os picos das montanhas. Mas o que eu via agora era uma ilha diferente, algumas histórias assombradas eram quase como novas lendas e algumas canções que contavam sobre a ilha. Minha Beyond, havia mudado. A mesma ilha da família Chikage, senhores governantes, e eu estava ali, olhando para o mar vendo aqueles velhos conhecidos contornos apagados e tristes. Enquanto eu observava por dentro daquela neblina que pairava entre o porto e o barco, perguntava-me: "como eu saberia o que estava acontecendo naquela ilha?". A mesma, naquela época do ano era cercada de tempestades de inverno, violentas, tanto no dia quanto na noite, agora era invisível e nenhuma embarcação tinha coragem de cruzar aquela neblina. Um estrondo do mar ressoava por todo aquele território, parecia um presságio de que o filho pródigo retornava. Ao longe era possível ver meu castelo. Forte e imponente, mas com silhueta de tempos difíceis. Existia um rochedo a beira do castelo que se projetava mar a dentro. Ali ficava meu quarto, onde eu costumava olhar o mar. Mas agora eu retornava. Não sabia quantos dias haviam se passado desde a última missão. Os dias e o tempo não me impediram de retornar para casa. Nada me impediria. Nada.

Kei Chikage
Cipher Pol 3


@Angelique

--------------------
<
mp
^
Angelique
 Posted: Feb 8 2018, 07:11 PM
citar


Angelique




N/A



439 posts

Ficha

Angelique is Offline

Narrador




Kei retornava para sua ilha de neves, agora não mais em uma missão de caça como um reforço ou para visita e sim, por negócios pessoais, tendo pego um navio comum, oferecido pelo Governo Mundial (o que por todo o seu tempo de trabalho como marinheiro, fora conquistado tal direito sem muitos problemas, além dos burocráticos, é claro). Não chamou muito a atenção em sua chegada, afinal, se não fosse para fazer trabalho de agente, que se passasse por civil com a mera finalidade de não causar o pânico desnecessário.

Barcre recebeu auxílio do Governo graças às malas e informações que trazia, indo um pedaço da viagem com Kei, mas pegando um bote em meio caminho para ir para outro lugar e desaparecer da vista de L'arcan e seu povo, cortando (como podia) também ligações com os governantes do mundo. Cooldown lá pelas tantas houvera desaparecido do barco, próximo a Beyond, não podendo auxiliá-lo ou acompanhá-lo por ali. Simplesmente se foi, sumindo em meio a tempestade branca e silenciado pelos uivos do vento, sem deixar rastro.

Desceu no porto real e já sentiu o quão rigoroso estava aquele "inverno", que mesmo sendo sempre uma ilha de neve, naquela época do ano era mais poderosa. Uma nevasca recobria totalmente o castelo e ele não conseguia ver mais que dez metros em sua frente, pois não era grossa, mas constante. Já estava acostumado com o frio, mas mesmo tendo nascido acompanhado dele, aquilo era demais e mesmo por baixo das roupas, ele no máximo estava morno, sentindo o vento frio tentando com força passar por suas defesas.

Ninguém o recebeu quando desembarcou, tendo de ele mesmo amarrar seu barco enquanto o vento não colaborava e o empurrava, como que querendo devolvê-lo para o mar. Sozinho naquilo, demorou um pouco para deixar tudo em ordem e enfim caminhar em direção do castelo, que antes mostrava seus tijolos decorados, porém, tímidos, só se via o acúmulo de neve e nem era por negligência dos subordinados, e sim por ser um trabalho muito rigoroso que deveria ser feito em condições que não fossem nocivas às vidas de qualquer que fosse aquele que estivesse nas ruas.

A escadaria em subida para os portões eram escorregadios e suas gigantescas e imponentes portas estavam abertas, permitindo que uma brisa gélida passasse por ali, obviamente permitindo que as visitas fossem mais simples, sem revistas ou qualquer guarda por perto. Olhou por volta e avistou o terreno do castelo, sabendo que haveria ainda uma caminhada para chegar onde queria. Pontes longas se atravessavam e eram como uma mini cidade. Caminhou solitário em meio à tempestade enquanto ouvia os assovios do vento ao longe, não deixando-o em paz, vendo as bancas onde as festas eram feitas, totalmente coberta por neve, os jardins mortos, uma área totalmente em ruínas. Se fosse até a beirada e olhasse para baixo, veria que a área florestal, onde seu pai reunia animais para proteção e propagações de espécies, agora estava com apenas as árvores mesmo e suas copas brancas tinham um pequeno morro abaixo delas, mas nenhum ser vivo era visto por ali.

Mesmo dos portões, era fácil visualizar o belo castelo que havia no fim daquele caminho e cada passo dado era um esforço que o acalentava, sabendo que logo estaria em casa.

Passou quase uma hora caminhando até chegar em mais escadaria (algo que normalmente o faria em metade desse tempo), essa que levava para as portas de ferro do castelo, limpas e com duas grandes fogueiras protegidas por pilares, cobertos para que o vento e a neve não apagasse e sendo um porto seguro para quem houvera atravessado tudo aquilo.

Bateu para ser recebido, mas como se estivesse vazio do outro lado, suas batidas ecoaram facilmente, algo muito estranho. Bateu novamente e nada, portante, resolveu ele mesmo usar de sua força para abrir as portas e adentrar.

O carpete vermelho encheu-se rapidamente de neve enquanto o príncipe tinha os primeiros vislumbres do castelo após tanto tempo fora. Tudo estava mais ou menos como sempre, mas não haviam almas vivas por ali, ficando a esmo, ainda solitário e longe de tudo. Uma enorme fogueira estava acesa logo à frente de si, mas como o território era grande, deveria se aproximar para sentir seu calor, mesmo que ali dentro as coisas fossem muito mais convidativas e agradáveis. Haviam também diversos pilares pequenos, de 1,50 no máximo, com fogo em sua parte superior que era como uma panela e dela, pedaços de madeira revestidos de metal para que não sujasse as mãos dos nobres, sendo um jeito bonito para uma mera tocha.

Na entrada, fizera muito barulho para empurrar aquela enorme porta decorada e mais ainda para fechá-la, pois com ajuda do vento, ela basicamente o fez sozinha e se estivesse na forma de tigre, aquilo certamente teria machucado suas orelhas. Além disso, não precisaria dos poderes da Akuma para ouvir passos rápidos e rítmicos, que vinham na direção dele, por uma entrada de corredores à sua esquerda, onde ele sabia que levava para outras alas internas do castelo, essas, que seriam o quarto de seus pais em uma torre baixa.


- Senhor...? - De início, a mulher não reconheceu Kei e nem ele a ela, mas assim que ela se aproximou com seus óculos caídos no nariz, os grandes cabelos louros em tranças e o vestido azul marinho, não parecia ter envelhecido muito desde a última vez que ele viu sua ama, a Chefe Governanta Argara agora estava em sua frente e após alguns segundos, ela sorriu calorosamente, curvando-se e aproveitando o movimento, ajoelhando-se diante de quem ela reconhecia. - Meu príncipe. Fui tola em não reconhecê-lo, perdoe esses olhos cansados. Seja bem vindo. - Ela só se levantaria se recebesse a ordem, ficando a mercê dele o tempo que fosse necessário, para então ajeitar a postura e colocar discretamente os punhos na base da coluna, sentindo dor por realmente estar velha. As lembranças de Kei iam desde sua infância, onde tudo que ele precisou na ausência de seus pais (que normalmente estavam em assuntos reais para com a ilha ou de diplomacia com as demais), era ela quem o cuidava. Moveu-se na direção em que veio e curvou-se levemente para convidá-lo para aquele caminho, ficando lado a lado da porta. - É bom ver o senhor, meu príncipe. Tenho notícias urgentes e gostaria que o senhor esteja de mente aberta para tais. Gostaria de me acompanhar ao quarto de seus pais para podermos discutir isso? Creio que gostaria de algo quente para ingerir, afinal, sua caminhada lá fora fora deveras gélida... Por favor, senhor. Veja seus pais enquanto lhe trago seus trajes casuais e uma bebida e comida. Estou a seu dispor se quiser ir se deitar um pouco. Sua presença é deveras apreciada nesse momento.

- O que vocês estão falando? - Dizia uma pequena garota de cabelos louros, mais escuros que de Kei, mas era mais nova e partilhava dos olhos vermelhos do príncipe, porém ele não tinha memória alguma dela.

- Princesa Yuki, este é o seu irmão, Kei. - Ela dizia como se aquilo não fosse nada, algo casual. A menina prontamente se aproximou do irmão mais velho como se ele fosse apenas mais um serviçal e não um real membro da nobreza, olhando dos pés a cabeça, julgando sua aparência desgastada e cheia de neve nos ombros, tendo um sorriso falso de quem tenta ser simpático. Assim que fez uma análise geral dos dotes de Kei, ela se abaixou rapidamente, puxando com a ponta dos dedos o vestido de lã que usava e o cumprimentava ao mesmo tempo em que se despedia, dando as costas para ele e indo embora.

Logo um som metálico vinha dos corredores, o que poderia ser facilmente os guardas ou demais serviçais, pois a origem do som não era da escadaria que levava até a torre onde seus pais residiam. Então Yuki se vira para a mulher na cadeira de rodas, uma senhora que mesmo perto dos seus 60, ainda tinha seus dotes reforçados, mesmo que uma aparência cansada, a terceira mulher com cabelos louros e bem compridos aparecia e tinha um cachimbo sendo segurado no braço da cadeira, por uma pinça própria para isso. Ela olhou o recém chegado e não abriu um sorriso, mas enrubesceu as bochechas, sentindo vergonha de si diante do filho.


- Mamãe! - Yuki se aproximava da mãe e a abraçava, não recebendo um de volta, pois a mulher não conseguia tirar os olhos de seu filho que há tanto tempo esteve fora e naquele momento, seus lábios tremeram e ela deu uma tragada no fumo, liberando a fumaça para cima enquanto segurava algo em sua garganta. Demorou um pouco, o que diferente da irmã, a mãe não parava de olhar sua face e tinha um desejo materno de querer retirar a neve em seus ombros, o que era impossível, ela deu seu melhor sorriso, mas não conseguiu manter, ainda sentindo-se humilhada, afinal, aquilo não era uma aparência digna de uma rainha e ele sentia isso.

- Meu filho... Meu amado filho... Me desculpe... Eu... Eu duvidei de você... - Ela deu outra tragada e ofereceu o cachimbo para Kei, sabendo que ele também partilhava daquele vício. Yuki não recebeu aquilo com bons olhos, olhando-o com o nariz empinado, mostrando uma certa arrogância como se ela fosse superior a ele, mas sorriu verdadeiramente, abandonando a mãe e subindo as escadas para que levavam aos recintos do pai deles. Argara permanecia parada ao lado da porta, olhos fechados no maior estilo "mobília", afinal, não era de sua conta as tramas da família Chikage.


Spoiler

Pai:
user posted image
Mãe:
user posted image
Irmã:
user posted image
Governanta:
user posted image

--------------------
user posted image
mp
^
Tiger
 Posted: Feb 12 2018, 11:54 PM
citar


Tiger




Cipher Pol nº 3



597 posts

Ficha

Tiger is Offline

Agente do Governo




Réquiem de mentiras
Na neblina, junto com as neves, o som dos meus passos ecoavam ao longe. Tive a impressão, ao olhar para meu castelo, de ver uma tela branca, de tão forte que era a nevasca que cobria minha visão e meus sentidos. Os passos tornavam-se pesados e lentos. A neve já estava alta e os vilarejos em volta, castigados com a terrível nevasca pareciam abandonados. A recepção não era como eu esperava, para falar a verdade, ninguém sabia da minha chegada. Aqueles vilarejos, no qual eu lembrava de seus aldeões felizes com suas feiras e alimentos, não mais existiam. Uma ilha famosa agora não passava de uma ilha fantasma. Meu corpo estava coberto com o casaco de cor branca mais quente que eu havia conseguido, o capuz tapava quase todo meu rosto, e usava botas especiais para andar na neve pesada. Eu conhecia aquele caminho como ninguém, poderia fechar os olhos e achar tudo o que eu quisesse ou precisasse naquela ilha, mas pairava naquele ar gélido uma sensação diferente que eu não saberia explicar, era como se a ilha estivesse morta e ali não existisse nenhum brilho de seu passado glorioso do qual eu lembrava. Aquilo doía.

Quando cheguei de frente para o castelo e abri as portas, apenas vi a lareira, não procurei olhar em volta ou ver se alguma pessoa estava na sala. O que me fazia me aproximar da lareira era o fato de sentir o seu calor e nas minhas memórias eu me via ali criança, brincando com minha mãe, que acariciava meus cabelos dourados parecidos com os seus e sua doce voz sempre atenciosa e carinhosa. Se eu fechasse os olhos, poderia ainda ouvir os passos de meu pai e de meu avô perto da biblioteca, onde costumavam conversar sobre assuntos relacionados ao reino. Mas agora não existia nada. Apenas a lareira e aquela sensação que insistia em me acompanhar. Foi quando alguém havia notado minha chegada. Seu jeito não havia mudado em nada. Era Argara que esteve a meu lado desde meu nascimento, atenciosa e prestativa, acostumada a fazer todas as minhas vontades. Quando eu corria porta afora dizendo que iria atrás de meu pai e meu avô, seus passos curtos e rápidos sempre faziam algo para me entreter. E ali estava ela novamente, assustada, mas assim mesmo mostrava-se preocupada com algo. Insistindo que eu a acompanhasse. Como se minha presença ali pudesse fazer algo. Eu não saberia. Meu sorriso saiu caloroso, tentando acalmá-la com sua fala apressada e cumprimento exagerado. Ali não existia mais o príncipe que ela havia conhecido. Ele havia crescido e o mundo o ensinou muitas coisas. Tirei o casaco pesado dos ombros, posicionando-o perto de um cabide, por baixo do casaco estava com um blusão vermelho de gola alta e as calças que estavam protegidas eram quentes e forradas por dentro. A bota ainda continuava, pois meus pés estavam muito gelados após todo o trajeto. Meus cabelos haviam crescido durante esse tempo, ficando na altura dos ombros com leves ondulações. Foi então que posicionei minha mão sobre seus ombros, erguendo-a e dizendo.


- Já faz um longo tempo Argara, não há necessidade de tais formalidades, você para mim é como se fosse da família. Venha e me dê um abraço.

Puxei Argara, mesmo que resistente, em um abraço caloroso que muito lembrava os que ela havia me dado enquanto tentava me fazer adormecer. Nesse instante uma criança loura, toda arrumada, como se fosse uma boneca, surgia. Seu rosto e expressões tinham um ar de reprovação, seus olhares pareciam levados ao som do vento que corria lá fora, da mesma forma que chegou, desapareceu. Argara havia nos apresentado como irmãos? Como assim? Que eu lembre não tenho nenhuma irmã e tampouco havia sido comunicado sobre isso. Confuso e sem entender, tentei seguir seus passos. A voz vacilou e ficou muda. Eu não havia falado em tom alto e sim, sussurrado, quase como um suspiro. Yuki, era seu nome. As mãos pousavam diante das escadas enquanto subia as escadarias lentamente e Argara sempre a meu lado. Não sei de que modo aconteceu, mas não demorou para ver sua figura linda e esbelta. Os olhos da pequena com tons avermelhados eram idênticos aos daquela pessoa. Minha mãe. Espantada com minha presença, abraçava aquela pequena boneca como se estivesse envergonhada. O que ela havia pensado eu não sabia. Não importava quanto tempo tinha passado. O que havia acontecido. Nada nesse mundo era mais importante do que minha família. Meus olhos pousaram diante dela e ajoelhei-me diante de sua soberana presença, segurando sua mão calejada do tempo, mas ainda sim delicada e suave, deixando um beijo em sinal de respeito a rainha daquelas terras. A mulher que eu mais amava nesse mundo. Minha doce mãe. Seus olhos imploravam por algo que não sabia, e naquele momento não queria saber. Notava sua saúde debilitada, porém meu amor era maior. Aceitei o cachimbo e logo disse.

- Minha rainha! A rainha mais bela de toda Blues. Teremos muito tempo para conversar, mas agora venha e me dê um beijo. Estou com saudades de seu amor. Seu filho voltou!

Kei Chikage
Cipher Pol 3


@Angelique

This post has been edited by Tiger: Feb 13 2018, 12:02 AM
mp
^
Angelique
 Posted: Feb 15 2018, 10:39 PM
citar


Angelique




N/A



439 posts

Ficha

Angelique is Offline

Narrador




De início, a mulher fora relutante, mas já envolvida pelo abraço de seu príncipe, deixou os costumes da nobreza de lado (pois ele também o fazia) e colocava suas mãos de baixo para cima, deixando as palmas sobre os pulmões dele, não apertando em um abraço caloroso, mas apenas repousando como que sabendo que aquilo era errado e facilmente desfaria se assim requisitado ou avistado por algum outro governante dali. Ela abriu o sorriso, pois mesmo sem jeito para tais coisas, ainda era humana e gostava de ver Kei bem. Se permitiu repousar a cabeça nos ombros fortes dele, apreciando o gesto e o momento, afinal, também sentiu saudades do rapaz.

Não se deixou abalar pela aparência debilitada da mãe e não matutou muito sobre a presença da irmã. A rainha, por assim dizer, também mãe de Kei, não merecia tais floreios, porém Kei fez mesmo assim. Ela olhou-o preocupada, com um nó na garganta, mas se permitiu sorrir ao receber os elogios dele, pois apesar do tempo fora, ele não havia mudado. Não sabia o que esperar, mas de praxe, já imaginava coisas ruins e ficava feliz por ver que o mundo não o corrompeu. Tinha um sorriso bobo e involuntário, afinal, era visível que tinha várias preocupações em sua cabeça e vergonha de aparecer diante do filho naquela forma fraca.

Ela moveu sua cadeira de rodas um pouco e Argara prontamente se moveu para ajudá-la, mas com um sinal com a mão, fora negada a ajuda e a governanta apenas se aquietou ao lado de seu mestre, não contrariando a rainha. Nunca tinha sido respondona ou rebelde, então toda e qualquer ordem de seus mestres, para ela eram absolutas. Não discutiu sobre a necessidade de ajuda, de conservar as energias, apenas respeitaria a opção da outra loira e portanto, posicionou-se para que assim que fosse requisitada, estaria pronta, mas caso contrário, apenas mesclava-se com o cenário.

Pegou a mão de Kei e beijou as costas, logo em seguida virando a palma para cima e colocando em sua bochecha, fechando os olhos, abrindo um sorriso reconfortante, ficando assim por um curto período, logo voltando para uma expressão neutra e suspirando pesado, abrindo os olhos como se houvesse lembrado de algo extremamente importante e olhando-o como já muito inimigos houveram olhado-o.


- Kei... Você está aqui pelo seu legado? - Quando estava de bom humor, era interessada e curiosa, mesmo que já soubesse de algo, instigava Kei a ser um explorador e sempre pensar por si mesmo e cada conhecimento dele era uma conquista que ninguém poderia tirar dele. Nesse momento ela estava como quando algo de muito errado ocorria na ilha, como da vez em que um barco da Marinha aportou e exigiu conserto, mas eles nunca tiveram muito e fizeram o melhor para ajudá-los como se tivessem em abundância e após o conserto, os marinheiros foram embora com um agradecimento da Marinha e promessa de pagamento, porém dias após ela descobrira que tal navio houvera afundado em um combate contra uma frota de piratas, deixando-a seca e ríspida como o próprio gelo que se formava nas beiradas da janela.

- Senhora... Receio que o Mestre Kei esteja cansado de sua viagem e queira descansar.

- Sim, Argara, você tem razão. - Ficou um momento segurando a palma dele pela ponta dos dedos, como que não querendo que ele se fosse, mas logo olhou-o duramente. - Leve-o até seu pai. Ele tem todo o direito de saber. - Assim que fizesse sua saída, ela permaneceria ali parada, observando-o com zelo, tendo certeza de que ele estaria bem, mas que de onde estava, era o máximo que conseguia fazer e isso a incomodava profundamente, pois assim que ele desse as costas, ela colocaria a mão no peito, apertando-o.

Prontamente Argara se colocou na frente de seu príncipe para então levá-lo escadas acima. A subida era conhecida, mas não daquele jeito. A torre que levava aos aposentos de seus pais estava com diversas portas fechadas, levando a um único cômodo e este que não era nem o quarto dos progenitores em si, mas um quarto luxuoso a parte no terceiro andar, diminuindo abruptamente a subida conhecida e indo para uma daquelas sessões do castelo que os hóspedes conheciam melhores que os donos.

Ela abriu a porta e logo um bafo quente os acertou, aquecendo Kei de forma que nem a lareira central conseguira (mas ainda assim necessário o uso da roupa robusta que usava) e isso não era o mais impressionante, pois o local era muito bem decorado, com quadros da família, tinha um que ele não conhecia, obviamente pintado após a ida dele, onde apareciam apenas a mãe e a irmã. Sentada no colo da matriarca, ela tinha uma pose imponente, como se a própria fosse a rainha de Beyond e que todos estavam abaixo dela.

As janelas estavam fechadas e mesmo o assovio do vento parecia distante, pois agora só dava espaço para o crepitar da lenha na fogueira, que fora muito bem alimentada e suas chamas eram altas e controladas por um cercado metálico. Não havia iluminação ali, era um local de repouso e apenas a chama permitia que as sombras dançassem nas paredes.

Houveram atrapalhado uma conversa no momento em que a porta tinha sido aberta, mas como se calaram de súbito, ele não as reconheceu.


- Meu senhor... Seu filho está aqui. - Argara se aproximou da cama central, onde havia uma cortina e após o aviso, ficou parada ao lado da mesma, apenas aguardando uma resposta.

- Kei está aqui...? - Uma voz velha (mais do que ele lembrava) e cansada falava com certa surpresa. Logo o idoso ficou um tanto agitado e um vulto que também estava ali, lhe concedeu uma bengala próxima a ele, se levantando e empurrando a cortina com uma mão trêmula. Seu pai estava envelhecido e não era pela idade. Seus cabelos louros estavam mais claros e soltos, mas não escovados, bagunçados como se tivesse dormido pela última vez há mais de um século atrás. A barba estava por fazer e mais comprida do que costumava usar, com fios soltos aqui e ali. Abriu um sorriso e andou o mais rápido que pôde até seu filho, abraçando-o com toda força que conseguia... E não era muita. - Kei! Quanto tempo! - Apertou-o. - Você cresceu! - E ele não dizia no sentido de altura, afinal, quando o rapaz tinha saído de Beyond, era magro e fraco, mas desde que se juntou à Marinha, passou por árduos treinamentos e missões, tornou-se um Agente e teve treinos especiais, agora tinha uma musculatura muito bem trabalhada e isso orgulhava o velho, que tudo que mais queria naquele momento era ver que o reino poderia contar com braços fortes.

- Kei... Quanto tempo. - Saindo da cortina também, seu tio aparecia (algo que fazia anos que ele não o via, tendo memórias apenas de quando era realmente pequeno). Ele não parecia detonado como seus pais, aliás, parecia muito bem. Mesmo que fosse mais novo que seu irmão, eles pareciam ter um abismo de idade. Ele abria um sorriso ao avistar o agente e se aproximava, oferecendo-lhe a mão para um aperto.

Seu pai trajava uma espécie de roupão de seda e um manto grosso por cima do corpo com uma bota não amarrada, apenas calçada e parecia muito confortável com aquilo, mas com certeza não era a aparência de um rei. Por outro lado, seu tio trajava uma malha que se colava à pele e uma roupa grossa por cima, mas não das que protegem do frio como um casaco e calças moletom, e sim as que a nobreza usavam em dias menos quentes, obviamente não sentindo muito frio naquele recinto.


- Meu filho... - Ele colocava uma trêmula mão no ombro de Kei e apertava com gosto, satisfeito em vê-lo e de certo forma, não acreditando naquilo, tendo de fazer força com a palma como que ter certeza que o rapaz não era uma mera ilusão de sua mente velha e cansada. - Tenho péssimas notícias... Seu avô não está bem. Por favor... Aproxime-se dele.

Caso o rapaz se aproximasse como lhe fora sugerido, veria que na cama de casal, diversas cobertas estavam sobre um homem muito velho. Havia uma pequena aparelhagem médica ao seu lado e como Beyond era uma ilha de inverno e pobre, aquilo era o melhor que tinham. Para piorar a situação, estavam no meio de um inverno rigoroso, o que impossibilitava a viagem por ajuda.

- Ele está em coma faz dois meses... Acordou em três momentos, mas não sabemos a causa. Ele só... Enfraqueceu. É bom que esteja aqui, Kei, tenho algo para lhe falar de extrema importância... - Se Kei houvera se aproximado, seu pai o sentaria na poltrona em que antes ele estava e sentaria onde seu tio estava, basicamente trocando de assentos enquanto o terceiro homem ficava ao lado de Argara, pedindo algo para ela, que concordava com a cabeça e saía de cena.

- Como você está para tomar conta da ilha?

- Como está para ser nomeado rei?


Spoiler

Tio:
user posted image
mp
^
Tiger
 Posted: Feb 16 2018, 11:11 AM
citar


Tiger




Cipher Pol nº 3



597 posts

Ficha

Tiger is Offline

Agente do Governo




Réquiem de mentiras
Os carinhos que eram reservados para minha mãe eram o mínimo que eu poderia fazer para expressar o quanto ela era importante para mim. Não seria diferente, já que sempre fizera o mesmo por mim, mesmo quando acontecia cerimônias no castelo com membros da corte, ela estava ali segurando minha mão e me apresentando para cada um deles, com sua doçura e todo brilho que Deus havia lhe dado. Podia ver em seu rosto traços de preocupação e insegurança, eram visíveis, pois eu a conhecia muito bem. Aquela cadeira de rodas significava que sua saúde estava frágil, Argara, receosa, revelava que talvez algo grave estava acontecendo ali. Eu não via nem a metade dos serviçais que trabalhavam no castelo. Onde estava o cozinheiro barbudo que muitas vezes era clamado por seus pratos famosos e jantares que eram oferecidos? Onde estava o jovem jardineiro que cuidava do jardim de inverno de minha mãe? Rosas vermelhas como seus olhos eram postas ali para serem cuidadas pelo mesmo. Onde estão as irmãs que ajudavam Argara com os cuidados da casa? Onde estão os chanceleres que carregavam os títulos e honrarias inspirados por suas valorosas contribuições a ilha. E os ministros, que andavam, com suas comissões ao lado do meu pai e avô para resolver as relações exteriores entre a ilha e o resto do mundo? Ainda conseguia me lembrar de todas as reuniões que eles faziam na enorme biblioteca que meu avô havia construído... ali, eu havia me acostumado a devorar todos aqueles livros, seus contos e histórias, desde que eu era pequeno. Gostaria de fazer todas essas perguntas a minha mãe, mas sabia que não podia. Via em seus olhos a angústia que minha presença estava causando. Uma espécie de euforia e medo que eu decifrava com meus carinhos através de carícias e toques em seu rosto branco e olhos avermelhados, que eu havia herdado. Ali do nosso lado era possível sentir aquela mesma presença, os mesmos olhos em miniatura, aquela que dizia ser minha irmã estava agarrada, do outro lado, segurando a mão de minha mãe, examinando-me sem dizer uma palavra. Seus cabelos eram idênticos aos da rainha. Aquela menina com certeza era minha irmã. Não havia dúvidas de que, caso o tempo não tivesse tamanha urgência em várias questões nas quais eu desconhecia, minha mãe teria nos apresentado com mais tempo.

O tempo que eu passei fora de casa fez com que muitos acontecimentos da ilha não chegassem até mim. Muitas coisas ocorreram. Eu era marinheiro e logo depois estava no governo mundial. Talvez tenha se passado cinco, seis ou sete anos, pela idade da pequena princesa. Não sei ao certo. Havia saído com sonhos de explorar o mundo e voltei um homem forte, carregado de convicções e legados de todas as pessoas que passaram pela minha vida. Com certeza minha mãe notava tais diferenças em minha fisionomia, mesmo com meus floreios e brincadeiras, eram visíveis as mudanças em minha aparência e personalidade. Aquele lado irônico e sarcástico, até certo ponto infantil, agora eram destemidos, sérios e confiantes, dando contornos de uma personalidade muito mais perceptiva e intuitiva após todas as batalhas que eu havia enfrentando. Eu era um homem feito. Após o sucesso da missão em L'arcan, recebi a autorização de meus superiores do governo mundial para um recesso de minhas atividades, com autorização direta da comandante da CP3, Angelique, que após ler meu relatório com o sucesso da missão em Ohara e L'arcan, eu teria o mérito de resolver questões pessoais por algum tempo. Para falar a verdade, o governo foi mais receptivo do que eu esperava e eles sabiam que eu havia conseguido uma akuma no mi e isso era algo muito bom para eles. O governo mundial era exigente com seus agentes mas quando alcançavam seus objetivos com sucesso davam alguns benefícios. Ohara foi a missão na qual percebi o quanto o governo pode ser impiedoso, exterminando quem fosse contra suas ordens. Na missão de Larcan, vi ligações entre a máfia e o governo, e que minha ilha e minha família estavam envolvidos e o quanto eu precisava ser paciente e cauteloso. Não sabia em quem podia ou não confiar. Em sua ânsia, minha mãe me questionava, se eu estava a ali pelo meu legado. Via em seus olhos a esperança e o futuro que ela depositava sobre mim. Pousei meus olhos sobre ela com carinho e ternura, dando um beijo suave em sua testa, sussurrando em seu ouvido apenas para ela, mas todos podiam escutar.


- Estou aqui por você, minha rainha.

Essas palavras eram carinhosas e todos que estavam ali conseguiram ouvir. Argara, então, me direcionava para o encontro com meu pai. Subi mais alguns degraus escada acima, os quais eu conhecia muito bem. Podia perceber que aquele lugar no qual eu corria estava mais parecendo um mausoléu, com as portas e janelas fechadas e serradas, sem nenhum movimento vindo dos cômodo. Adentrava em um quarto no qual eu não lembrava, era luxuoso, possuía cortinas compridas que estavam fechadas com a iluminação levemente presente no ambiente. Possuía algumas poltronas em que eu pude ver cinzeiros com cigarros e logo mais, quadros, pinturas, sofás e tapetes davam um tom de conforto para aquele ambiente. Era possível ouvir o crepitar da lenha de uma renome lareira que agora se revelava. A escuridão do ambiente era quebrado pelo brilho das chamas, na qual eu ouvi Argara me anunciar na medida em que uma voz fraca e cansada respondia. Era a voz de meu pai. Mesmo fraca ela era firme como em minhas lembranças, mesmo cansada possuía ainda sua confiança que eu havia herdado. Um médico que havia dedicado sua vida a salvar vidas, não importa a situação que esteja, por mais difícil que ela possa ser, sempre haverá um resquício de esperança e confiança na voz de um médico. Sua figura se revelava com surpresa com minha chegada, a cortina se abria e seus cabelos dourados como ouro se mostravam reluzentes com sua barba mais comprida do que antigamente. Com a ajuda de alguém que estava nas sombras, que eu não havia identificado, meu pai vinha em meu encontro com uma bengala que eu nunca vi ele usar. Seus passos eram vibrantes e seu sorriso acolhedor. Seus braços que muitas vezes que pegaram no colo quando eu corria para o seu quarto com medo do escuro não haviam mudado, eram firmes e atenciosos. Recebi o abraço e o devolvi forte e demorado. Meu pai! Meu amado pai. Aquele que mais me incentivou na busca dos estudos e do conhecimento. Juntos ali ficamos sem nos preocupar com o tempo, aproveitando o momento que há muitos anos não acontecia. Alguns pequenos espasmos de sua musculatura revelava o enorme esforço que ele fazia para me dar um abraço forte, estava enfraquecido, era possível sentir que estava mais magro e debilitado, igual minha mãe. Eu sorria, puxando-o para junto de mim, respondendo respondendo a sua brincadeira de que eu havia crescido.

- É verdade. Estou aqui agora. Por você, pela mãe e nossa família. Mas não vejo meu avô!? Não vejo quase ninguém da corte... o que está acontecendo aqui?

O tom das palavras trouxeram um pequeno espaço de silêncio que não demorou para ser respondida. Mas não com a resposta de meu pai, pois era interrompido por uma voz que há muito tempo eu não ouvia, pelas sombras o vulto que havia entregado a bengala a meu pai, se revelava. Era uma figura imponente, madura mas ainda assim era jovem, não tinha uma mudança muito grande na idade de meus pais e ele, mas meu tio se revelava com uma saúde vibrante tal qual eu lembrava, oferecendo-me a mão para um cumprimento que eram dados com a mesma cortesia e um sorriso. Não tivemos tempo de iniciar qualquer tipo de diálogo, meu pai com seu roupão pousava sua mão em meus ombros, sacudindo-me, dizendo que tinha péssimas notícias. Era possível perceber em sua voz a mesma densidade de felicidade e esperança que senti em minha mãe. Minha presença ali era como se fosse uma luz em meio a escuridão. Jamais pensei que coisas tão graves pudessem estar acontecendo em meu reino. Se soubesse teria vindo antes, mas as notícias não paravam por aí.

Meu avô estava doente.

Dessa forma eu era conduzido na direção de onde meu avô estava, uma especie de quarto hospitalar feito pelo meu próprio pai. Que era o médico responsável pelos cuidados. Talvez por isso ele estava naquele estado cansado e fadigado, como se não dormisse e se alimentasse direito a meses. Meu avô foi o antigo regente da ilha, pesquisador e cientista que fez inúmeras descobertas de vacinas para doenças para todo Blues. Um reinado todo idealizado para os mais necessitados e vislumbrou em um jovem médico uma possível continuidade em sua forma de prosperar ainda mais Beyond. Minha mãe a princesa herdeira do trono, se apaixonou, virando rainha e meu pai assumindo o reino. Ambos deram continuidade ao sonho do meu avô, que confiou em minha mãe e no meu pai a continuidade que ele acreditava ser o mais importante para a ilha. Mas meu avô era uma pessoa dedicada a suas pesquisas e mesmo não sendo mais o rei ficou responsável como ministro e conselheiro de meu pai. Agora estava ali, com uma doença desconhecida, onde nem sequer me pai dito um gênio conseguia curá-la. Seus olhos fechados e seu pequeno corpo adormecido naquela cama era uma imagem difícil para mim, pois em toda minha infância estive com ele lendo livros e eu sempre era o primeiro a saber quando descobria algo importante. Me chamava em sei laboratório ou em sua biblioteca e me mostrava tudo. Apaixonado e feliz. Era assim que ele vivia. Meu pai se jogava em em uma poltrona próxima, onde ele estava antes com meu tio e a sombra de Argara estava imóvel no mesmo lugar próximo dali, lado a lado, e meu tio voltava a se sentar. Sua pergunta vinha, com seus olhos azulados fulminantes, querendo que eu assuma o reinado da ilha. Essa pergunta era a que eu mais temia. Como eu poderia ser rei e pertencer ao governo mundial ao mesmo tempo? Não poderia dizer não mas também não poderia dizer sim. Qualquer palavra que eu dissesse naquele momento depois de ver o quanto meus pais e meu avô estavam debilitados seria o mesmo que matá-los de vez. Eu precisava saber o que estava acontecendo, mas antes, precisa descansar, me alimentar e vestir-me mais confortavelmente. Qualquer ato impulsivo tinha que ser descartado naquele momento. Então minha resposta veio.


- Pai, estou há muitos anos fora de casa e você quer que eu me torne rei? Temos muito o que conversar, você me enviou uma carta e um presente. Porque não fazemos um jantar, reunimos nossa família, vocês me apresentam minha irmã na qual eu sequer sabia de sua existência e então conversamos melhor?

Kei Chikage
Cipher Pol 3


@Angelique
mp
^
Angelique
 Posted: Feb 20 2018, 07:08 PM
citar


Angelique




N/A



439 posts

Ficha

Angelique is Offline

Narrador




- Sim... Sim, desculpe-me, amado filho. Apenas sua presença já é motivo o suficiente para um banquete! Vá para seu quarto e se arrume, iremos fazer algo para que sua receptiva seja melhor do que... - Ele abria os braços e fazia um movimento com as mãos, circulando todo o cenário, como que o englobando. - ...Isso.

- Mas já vai, Kei? - Seu tio olhava-o com um sorriso maroto e o olhar afiado que quase todos daquela família tinha, mas não havia maldade, apenas uma provocação simples, querendo que ele ficasse mais um pouco com seus parentes antes de realmente ir descansar. A imagem que seu tio ficou é de que ele estava ali realmente apenas pela coroa e não tinha exatamente interesse naquele drama que ocorria ali. Mas não julgava, apenas era passivo-agressivo.

- Vamos, não incomode-o. Ele veio de longe, é um homem importante por si, acredito. Deve estar cansado dessa tempestade... Que momento para vir, não? Uma ilha de inverno em pleno inverno. Irônico... - Ele se sentava e olhava para o vazio, pensando possivelmente em tempos melhores, quando Kei era apenas um jovem inocente e corria pelo pequeno bosque que eles tinham dentro da área do castelo, brincando com a fauna dali. Estava distraído por um segundo, porém seu irmão o trouxe de volta para a realidade, sentando-se na frente dele enquanto pegava de volta sua bengala e a escorava na lateral da poltrona.

- Kei não é mais criança, você sabe. Por mais que o tempo esteja devidamente horrível de se lidar, ele já é um homem e acredito que queira ser tratado como tal. Assim como deve saber sua delicada posição. Há muito o que pensar-

- E não há necessidade para correr com isso. Muito o que pensar, obviamente é um sinal de que é necessária clareza em seu espírito. Fatigado e estressado, sua mente estará turva e impossibilitado de fazer boas escolhas. - O rei cortava seu irmão com as palavras, fazendo-o se remexer incômodo na poltrona, olhando para o velho barbudo com um sorriso malicioso, deliciando-se com aquela disputa discreta de poder. O pai de Kei não era arrogante, mas ainda assim, tinha total noção de quem mandava ali.

- Acredito que um verdadeiro líder deve ter tal "clareza" em todos os momentos. Não entrar em pânico em momentos de dificuldades é crucial. - Ele olhava para o rapaz e erguia o indicador, chamando-o para perto. - Kei, por favor, fique conosco. Nos conte suas aventuras, diga-nos o que fez e viu no mar, longe desse bloco de gelo esquecido.

- Irmão... - Sua voz era severa, por mais que sua aparência fosse deficiente, seu olhar agora era vivo e feroz, advertindo silenciosamente o tio de Kei a maneirar no palavreado. Uma olhada de soslaio fora feito e um sorriso de deboche, afinal, o que ele faria? Mandaria enforcá-lo? Além de não ser seu estilo, jamais faria isso com um parente de sangue e acima de tudo, não tinha a mão de obra para tal.

- Kei, você deve se tornar o próximo rei! - Se levantava e abria os braços, com o corpo virado para a cama de seu próprio pai, as mãos estavam apontadas para seu rei e o anterior a ele. - Mude essa ilha! Não deixe-a cair em ruínas como esse castelo está! Mostre-nos que suas viagens pelo mundo não foram uma fuga! Mostre-nos que você aprendeu! Mostre-nos o homem que você se tornou.

- Irmão! - Seu pai se levantava sem ajuda da bengala, apoiado nos braços da poltrona, uma veia saltava em sua testa enquanto a mão se esforçava em manter-se firme, sua respiração tornava-se mais apressada na medida em que sua face tornava-se rubra de raiva. O olhar irritado era direcionado para o tio de Kei e tão logo gritou, suas forças já o deixavam, então ele avançou ao invés de seguir a inércia e cair sentado na fofa poltrona, agarrando a malha do outro e apoiando o corpo contra o dele, aproximando os punhos fechados e imponentes próximo da face de seu próprio relativo. - Eu o eduquei! Ele sabe quem é e se não, é sempre bem vindo em sua própria casa para que sua família o ajude! A decisão é dele e somente dele! Não o envenene com suas palavras e tenha mais respeito com o reino que lhe deu moradia e comida, algo que muitos lá fora, no frio, no gelo, na neve, que muitos em outras ilhas, estão muito mais desamparados do que um dia jamais estivemos!

- Velho tolo... - Colocou as mãos delicadamente nas de seu possível agressor. - Beyond está em decadência. Desde os tempos de nosso pai, isso nunca deu um passo em direção do futuro. Reina está caída, Ohara aos frangalhos e tudo por obra de guerras e combates. Como está nossa ilha? Aconteceu algo grande como pirataria abundante ou problemas militares? Nem temos infraestrutura para isso!

- Velho tolo? Eu sou o seu rei!

- Você é meu irmão!

Argara agora adentrava e olhava os dois brigando, a bandeja com um bule de chá fumegante, algumas xícaras de porcelana e detalhes em ouro, um bule menor de leite e alguns biscoitinhos com passas, amendoim e caju estavam ali por cima. A mulher olhou a todos ali com a boca aberta e impotente de poder fazer qualquer coisa contra eles, dado a sua posição. Andou até um banco que havia diante de um espelho e deixou a bandeja em cima de uma mesa, sentando-se enquanto não se metia, mas deixava que eles se entendessem. Porém mal sentou, já teve de se levantar as pressas com uma expressão de terror no rosto.

- Velho e cansado como essa ilha. - Com um movimento simples da mão direita, ele retirou as trêmulas de cima de si e fazendo um pequeno giro, depositava a palma sobre o peito do rei e o empurrava levemente, mas que parecia ter grande força pelo corpo debilitado que caía na poltrona e ela ia um pouco para trás, erguendo seu suporte da frente, mas não tendo peso o suficiente para virar. Tal movimento certamente fora um choque de realidade para o pai de Kei, que não teve reação e fora rudemente empurrado para se sentar. Ele. Um rei. Empurrado e colocado para descansar por um plebeu. - Está na hora de uma mente jovem, eclética. Não aquela sua filha mimada da qual você não terá tempo de vida para vê-la crescer, pois desacreditou em seu próprio filho, achando que ele fora embora para não herdar seu reino! - Apontou para Kei. - Eu acreditei nele! Eu sabia que voltaria e traria bons frutos para Beyond! Nosso pai era limitado, nós fomos criados por ele e consequentemente, também não pudemos fazer nossa parte, ficando estagnados nesse iceberg! Agora você cria uma garota para levar o legado de nosso pai adiante? Para que? Que ela seja uma rainha em um reino congelado e morto? Onde piratas se escondem em suas montanhas sem que ao menos você tenha levantado um dedo ou pior ainda, tido conhecimento de tal ocorrido?!!

O pai de Kei silenciou-se, baixando a cabeça, pois afinal de tudo, aquilo tivera ocorrido sim e ele não tinha a informação (que na época nem a Marinha tinha) de que Agorko se escondia com tecnologia roubada e cientistas refugiados de Reina durante a guerra e queda da ilha.

Argara agora estava ao lado do rei e aproximou suas mãos para deixá-lo confortável ou auxiliá-lo se quisesse se ausentar dali, porém ele deu um olhar agressivo para ela e a mulher teve de recuar em dois passos rápidos e curtos (como era de costume), parando atrás da poltrona como uma estátua e aguardando segundas ordens.


- Eu fiz... Eu fiz o que tinha de ser feito... Você nunca foi rei. Você jamais entenderia o que eu fiz por essa ilha, o que deveria ser feito para prosperar. Você nunca teve interesse de viver conosco...

- Nisso você tem razão, querido irmão... - O tio de Kei se aproximava e colocava uma mão na parte de cima da poltrona, acima da cabeça do velho, mas não tocando-a propriamente, sobrepondo sua sombra sobre ele, de um homem livre diante de um rei acorrentado em sua terra. - Eu viajei até a Grand Line. Perdi a minha família, perdi amigos e quando nada mais me restou, aqui retornei. Meu sonho de explorador? Piada como uma pedra com neve em cima sendo chamado de "reino"...

- Kei... Vá...

Se necessário, Argara levaria o príncipe até seus aposentos, o luxuoso quarto que houvera mudado uma coisa ou outra no decorrer dos tempos em que ficou fora, não tendo se mantido o mesmo por questões de arrumações mesmo, porém o que não ali estava, guardado se encontrava nos calabouços abaixo do castelo, local que nos tempos de seu avô eram usados para guardar fugitivos e criminosos, mas que com o passar de gerações, tornou-se apenas um "porão" para guardar coisas que eles talvez viessem a usar algum dia, nada sendo realmente desperdiçado e tornando aqueles quilômetros abaixo da terra como um grande depósito gélido de memórias.
mp
^
Tiger
 Posted: Feb 24 2018, 09:13 AM
citar


Tiger




Cipher Pol nº 3



597 posts

Ficha

Tiger is Offline

Agente do Governo




Réquiem de mentiras
Existia uma espécie de tensão, uma energia que pairava sobre minha casa. Não sabia o que era. É aquele sentimento que vem e você não consegue decifrá-lo, mas não demorou para que isso ficasse claro naquele local. Meu tio e meu pai eram pessoas diferentes, possuíam ideias conflitantes e uma espécie de discussão era iniciada entre eles e eu não poderia sair dali sem dizer absolutamente nada. Após toda aquela cena me mantive em pé próximo a porta com Argara a meu lado. Fechei a porta e respondi com o mesmo sorriso, mas ele possuía um tom mais firme do que eu gostaria. Não me agradava ver meu pai naquela situação e a forma que meu tio agia, com uma espécie de desdém ao rei. - Tio, perdoe-me. Você está certo. - A primeira coisa que eu fiz foi mostrar que, de alguma forma, eu estava concordando com toda sua cena, essa era uma estratégia para conquistá-lo a ponto de não criar mais um atrito entre a nobreza de nossa família. Meu tio deveria ter muitas diferenças com meu pai. Primeiro porque minha mãe que havia sido escolhida para ser a rainha, herdeira do trono, enquanto ele viajava e explorava o mundo e quando retornou viu o seu pai postulando o trono ao homem que ele não conhecia e a sua irmã. Deveria ter sido um baque muito grande para ele. Então, minha estratégia inicial foi não confrontá-lo e sim cativá-lo, pois suas falas eram tomadas de ataques e ao mesmo tempo de carícias, eram afrontas e também elogios. - Esta ilha está cansada, fraca e o que eu aprendi nesses anos foi que quando existe fraquezas sempre existirá alguém para atacar. Irônico, não? O mundo age dessa forma e você, que foi um explorador, sabe que o mundo pode ser cruel e que os fracos são engolidos pelos fortes... e Beyond não vai ser um lugar que cairá. Pois existe um rei forte aqui! - Silenciei-me, dando alguns passos em direção a poltrona em que meu pai estava sentado, caso tivesse ali algum café ou chá que Argara tivesse trazido, eu tomaria, cruzaria minhas pernas numa pose firme e destemida, obviamente elegante, pois essa é uma característica minha, pessoal. Meus olhos encontrariam os do meu tio e o convidaria para sentar novamente na poltrona. Estava decidido a ter o primeiro embate por aqueles que amo e o primeiro que se revelava era com um membro de minha família.

- Não pense, caro tio, que sua opinião não é importante. Longe disso. Ela é fundamental para a reconstrução de nossa ilha. Precisamos de você. Peço desculpas pela minha indelicadeza, pois passaram-se muitos anos e vocês nem sabem o que aconteceu comigo. Mas agora irei contar para vocês dois, pessoas na qual confio. - Neste momento, talvez, meu tio já estivesse sentado e Argara já tivesse trazido alguns biscoitos para beliscar, mas minha intenção ali era justamente conhecer ainda mais as intenções do meu tio. Buscava a mão de meu pai e a segurava, pois trazio-o para sentar-se a meu lado. Segurava sua mão firme, mostrando a ele confiança, pois ele ainda era o nosso rei e logo, continuei falando de modo claro e calmo. - Estive em uma ilha onde um pirata havia atacado e matado vários. Acabei me juntando a marinha e logo fui enviado para Beyond. Não revelei que essa era minha ilha, minha terra, pois a missão que recebemos da marinha era a caça do pirata que estava escondido aqui. Tivemos sucesso. Ele foi morto e todos sua operação foi aniquilada. Então, querendo ou não, nossa família cumpriu seu papel, caro tio. Nossa própria linhagem contribuiu para que Agorko fosse exterminado. Fizemos a nossa parte. Logo depois fui convidado para ingressar no governo mundial como um agente, pois este acreditava que minhas habilidades analíticas poderiam ser mais aproveitadas no governo. Fui enviado para uma guerra em Ohara e consegui aprender como a marinha e o governo mundial podem ser cruéis e continuei fazendo algumas missões. Com o sucesso delas recebi a autorização de retornar para minha família. Minha história está longe de suas façanhas tio...Não estive na Grand Line. Mas acredito que aprendi um pouco.

Era uma revelação e tanto o que eu havia dito, dei algumas pausas nos momentos cruciais em que revelava que estive na ilha e que fui um dos responsáveis pela queda daquele pirata. Calei-me, esperando estudá-los e ver a reação do meu tio e do meu pai. Para meu pai, deveria ser um alívio saber que ele não fracassou, pois seu filho resolveu aquela situação que meu tio usava para atacá-lo e ferir o seu orgulho. Mais um gole naquela xícara era necessário, mas em nenhum momento deixei de estudar cada expressão vinda de meu tio. Sorri e levantei-me, pois a intenção era trazer uma cena impactante. Arrumei minha roupa e me posicionei atrás da poltrona de meu pai, colocando minha mão em seu ombro e fitei meu tio em uma postura na qual ele não esperava, pois ali, na sua frente, não estava um jovem tolo e sonhador. Estava um homem e quem sabe, um rei, diante dele. Mesmo fraco e cansado, Beyond tinha um rei, que era o meu pai, e ele teria meu apoio no que precisasse. - O que eu vejo que falta para nossa ilha é confiança. Enquanto estivermos divididos em conflito seremos realmente como você diz, meu tio, fracos e cansados... como você frisou tanto. Essa ilha não está morta. Não vejo morte aqui. Vejo diferenças que não podem existir em um reino. O que eu peço a você, é que contribua de forma positiva e não com ataques infantis, como os que vi agora. O seu rei, o seu irmão, precisam de você. E é por isso que estou aqui. Para fazer o mesmo e, nesta noite, convoco como príncipe todos aqueles que ainda têm títulos em nossa ilha. Será dado um banquete em minha chegada. Não será discutido assuntos referentes a política da ilha, pois é um momento de comemoração. Tanto o rei quanto a rainha concordam com minhas palavras. Esta casa voltará a seu esplendor e após o jantar iremos reunir o conselho, que não vejo em nenhum lugar aqui e então iremos discutir os assuntos mais relevantes. Isso é um pedido do seu príncipe.

Dei um beijo na mão de meu pai fazendo uma reverência a sua linhagem, passando pra ele aquilo que ele precisava, que a seu lado existia um aliado e não alguém que tinha intenções por trás de todo aquele jogo de mentiras. Não olharia para trás para ver o que minhas falas causaram. Iria para meu quarto, aonde Argara me conduziria até meus aposentos, na qual ainda lembrava... minha bela cama, minha banheira de águas quentes em que existia um enorme vidro, como uma janela, em que era possível enxergar os topos da minha bela montanha. Após aquele momento, eu iria buscar minhas roupas de príncipe na qual costumava usar nos banquetes organizados em nossa casa. Caso tivesse a oportunidade, deixaria tudo claro para Argara os preparativos para o banquete, caso realmente tivesse como realizá-lo, pois não sabia da escassez que talvez tivesse chegado o nosso reino. Pediria para a mesma comunicar tanto a rainha quanto a pequena princesa para que usassem seus melhores vestidos pois iríamos mostrar a todos que a família Chikage estava de volta. Caso não encontrasse as roupas que costumava usar, perguntaria para a governanta aonde estavam, no mais, os preparativos estavam sendo realizados. Meu desejo seria realizado? Muitos mistérios estavam acontecendo.

Kei Chikage
Cipher Pol 3


@Angelique
mp
^
Angelique
 Posted: Mar 3 2018, 01:12 AM
citar


Angelique




N/A



439 posts

Ficha

Angelique is Offline

Narrador




De início, parecia que Kei iria ficar ao lado de seu tio, fazendo-o erguer uma sobrancelha enquanto um sorriso orgulhoso se estampava em seu rosto, a testa ainda franzida pela tensão da discussão. Ele cruzou os braços, seguro de que o jovem saberia o que fazer com aquela ilha, sendo vendê-la para o Governo Mundial ou deixar nas mãos de outra pessoa, que seria agressivo e ousado na nova gerencia de Beyond como um rei que iria fazer o que ninguém houvera feito em muito tempo, algo que nem mesmo a linhagem dos Chikage conseguiam lembrar de um momento que eles realmente pudessem chamar de "próspero".

Muito pelo contrário, ele apenas "amaciou" seu tio e que de fato, ele ouviu quieto o que o jovem tinha a dizer e gostando ou não, quando o tal pirata se escondeu com tecnologia de fugitivos de guerra, de fato o pai de Kei não tinha conhecimento sobre o que ocorria, mas o próprio fora quem terminou com o reinado daquele infame inimigo, o que indiretamente, fora graças a família real que havia lidado com o problema, fazendo com que o tio abaixasse um pouco a cabeça, observando-o com certo desprezo por estar errado, mas não tendo nada inteligente para dizer ou ao menos, poder contrariar o outro, pois nesse momento, ele era o ignorante diante de todos os fatos.

Após seu discurso, ele apenas deu as costas e deixou a ambos sozinhos com seus pensamentos. Seu pai não era um homem orgulhoso ou arrogante, então ele apenas ouviu seu filho sem provocar mais o irmão, de olhos fechados, absorvendo todo o ocorrido e sabendo que se abrisse a boca, problemas maiores viriam para aquele cômodo. O único gesto, porém, fora de colocar a mão sobre a do filho, pois ele estava com uma educação muito formal, mesmo para com seus familiares, algo que apenas um servo deveria ter.

Ninguém o impediu de sair, portanto ele fora direto para seu quarto e assim que deitou-se em sua cama, sentindo aquele sentimento que apenas a casa trazia, poderia dormir ali mesmo sem ao menos estar cansado, apenas por sentir seu corpo relaxando como em muitos anos não conseguia sentir. Os cômodos da marinha eram horríveis, básicos, usados somente para dormir mesmo e em contraste, os do Governo Mundial eram um tanto quanto luxuoso, pois por mais que "tirassem o couro" de seus agentes durante as missões, seus salários e quartos eram os melhores, ao menos, para a Cipher Pol em que estava designado, podendo-se deduzir facilmente que quanto mais ele subisse na hierarquia, mais comodidade ele teria.

Fora então para seu banheiro e lá ficou um momento na banheira de água quente, fazendo seu corpo formigar inicialmente graças a um pequeno choque térmico, mas logo ativando a circulação e enfim sentindo-se bem. A discussão com seus parentes parecia distante agora, porém ele ainda tinha em mente que muitas coisas estavam erradas por ali e não poderia descansar propriamente enquanto ainda estivesse por fora de tudo.

Saiu do banho e encontrou em cima de sua cama algumas roupas confortáveis e quentes, como um roupão mais detalhado para que não parecesse que estava andando de pijamas por aí, apesar de basicamente ser isso mesmo. Argara estava parada ante a porta e logo Kei descartou a ideia de usar a roupa escolhida pela governante e sim, indo até seu armário e escolhendo uma vestimenta mais elegante, dando então sinal para que a mulher devesse avisar para a rainha e a princesa que usassem seus melhores vestidos, apenas por questões de nobreza. Não era necessário, mas se eles caíssem nos desleixos, não seriam nada mais do que um grupo de bárbaros com dinheiro.

O jovem ainda teve um tempo até que Argara enfim o chamasse para descer (cerca de uma hora e meia) e quando o fez, ele fora acompanhado até o salão de festas, passando pelos corredores assombrados de memórias já há tempos mortas. O vento assobiava lá fora enquanto a iluminação das inúmeras velas em candelabros deixavam o local bem visível com sua pedra branca, mas com a falta de vida ali, era até macabro passar por aquele local enquanto o vento assobiava no pé da orelha. O trajeto fora feito basicamente em silêncio, mas o jovem pôde ver muito dali. Os quadros que mostravam épocas melhores, agora com uma cortina por cima, escondendo o passado; Alguns pontos, era possível ver marcas de rachaduras ou teias de aranha e não por Argara ser relaxada com seu trabalho, mas por ter de cuidar do castelo todo sozinha, ainda mais com a condição do avô de Kei. O tapete em que andavam era brilhoso, mas estava torto, pequenos detalhes que não importavam, mas era notável que aquilo jamais aconteceria se houvessem mais pessoas ali. No suporte de cada vela, havia acúmulos de cera, que não chegavam a pingar no chão por ter uma proteção e que ficavam como uma bolinha branca que deveriam ser limpas após final de todo dia ou início de manhã. A mulher notava isso, pois sabia da existência da negligência, mas nem por isso se deteve, pois só ela tinha ciência dos ocorridos e esperava de seu príncipe, o mínimo de empatia.

Abrindo as portas centenárias de madeira com metal, o tapete seguia até a grande mesa e lá se encontravam o pai com a bengala apoiada no braço de seu trono (impossível chamar aquilo de cadeira), bem na ponta para indicar que era o patriarca, trajava uma roupa mais formal como um colete de couro com pelagem de tigre por cima, mas que diferente dos reais bárbaros, essa era somente e pele costurada e feita como um tecido extremamente fino e leve, porém resistente ao frio. A mão de Kei, ainda presa às rodas metálicas, sentada na outra extremidade, nem ao menos olhou para seu filho enquanto tinha uma garrafa de vinho e um cálice quase vazio, parecia distraída, mas estava com uma aparência melhor, ao menos, por fora, pois trajava um longo vestido amarelo fusco com babados verde claros que iam até o chão, alguns detalhes no decote e na cintura eram de esmeraldas, rubis e safiras. A sua irmã, estava sentada ao lado da mão, com a cadeira de lado enquanto era de longe a pessoa mais bonita dali, com seus cabelos louros presos por uma trança atrás, mas com uma tiara de ouro e diamantes, duas outras madeixas trançadas caíam nas laterais de seu rosto rosado, os olhos vermelhos como sangue observaram Kei que chegava e ela abriu um sorriso maroto, desafiador. Não havia sinal de seu tio, possivelmente cuidando do antigo rei.


- Mamãe... "Ele" está aqui... - Ela cochichou, mas sua voz não era exatamente discreta e com o silêncio e a imensidão do salão, aquilo ecoou e sua mão "despertou", olhando para os lados até realmente encontrar o príncipe, foi quando ela parecia sorrir, mas apenas estava engolindo saliva e olhou para seu cálice, tomando mais um pouco.

- Argara, por favor, traga-o para a mesa, temos muito o que conversar...

Assim que o jovem fosse até a mesa, a governanta teria todo o prazer em puxar uma cadeira acolchoada para ele e alocá-lo ao lado oposto de sua irmã, para que ambos ficassem cara-a-cara e com os pais nas extremidades. No momento em que ele estivesse confortável, a serva iria para a cozinha, começar a trazer as comidas.

- Kei-

- Kei. - Sua mãe iria iniciar uma fala, porém seu pai a cortou e ela olhou-o e seus olhares se encontraram, onde ela fechou e concordou com a cabeça, deixando a responsabilidade para o rei. - Sei que houve muita aventura em sua saída daqui, não o culpo. Há algo que gostaria de lhe falar, mas que talvez estrague a sua comida...

Argara se aproximava com bandejas, colocando-as na frente de cada, cuidadosamente. Havia um javali recheado com algumas saladas básicas, pareciam belos, mas não tinham decoração como ele estava acostumado. Batatas e legumes faziam a composição de uma sopa que cheirava deliciosamente, mas que se o príncipe tomasse, notaria que estava... boa, não ruim e muito menos ótima (como era de sua memória). A governante tinha seus dotes culinários, mas eram limitados se comparados aos do verdadeiro chef e sua equipe, que não havia sinal de vida deles. Sumia novamente, indo pegar as bebidas.

- Por favor, sirva-se. - O rei dizia isso, mas ele mesmo já retirava um pedaço daquele porco gigantesco e estufado, abrindo um rombo em sua coxa, a carne macia e liberando um odor forte. Colocou em seu prato e começou a cortar em pedaços menores, apenas para poder comer tudo depois de imediato, tirando esse tempo que seria gasto de qualquer forma, para conversar com seu filho. - Você não é idiota. É notável que nossa equipe está desaparecida e sinto que a situação é mais alarmante do que o esperado... Piratas nos roubaram e pegaram de refém os nossos servos.

O som da garrafa de vinho branco tendo sua rolha retirada fora bem audível e em igualdade, dele escorrendo para dentro do cálice, a rainha tinha uma expressão de morte, olhando para seu marido, como que o desafiando a algo e ele não retribuía o olhar, tendo total noção do ato dela.

- Seu tio... Ele está inconformado com o fato de termos tão pouco e mesmo assim, ladrões ainda se dão ao trabalho de vir aqui. A Marinha fora notificada, mas com o tempo como está, eles não tem muito o que fazer. As coisas ficarão como estão por um tempo, porém dentro de alguns meses, creio que isso irá melhorar.

- Não está esquecendo de algo, querido? - Dizia ironicamente, enquanto colocava a mão na cadeira de rodos, balançando-se para trás e para frente, como se fosse se retirar dali. Ele pigarreou, retomando o foco para si.

- Sua mãe é uma brava mulher. Organizou um grupo de busca para os tais reféns e saíram nesse frio atrás de pessoas que possivelmente já estão mortas. - Seu pai falava tais coisas com a mesma frieza de lá de fora, algo extremamente incomum. Não era um total desleixado com seu povo, cuidando apenas de sua nobreza e riquezas pessoais, ele realmente se importava com o estado da ilha e da "plebe", mas naquele momento, era como se estivesse falando de uma muda de roupa que sumiu, sem peso em sua voz. - Não quero que você vá atrás deles, apenas preciso que você tome o comando dessa ilha por mim... Eu não mais sou útil para o povo de Beyond, se permito isso acontecer.

- Aí está uma verdade. - Como se finalmente acordasse, sua mãe apontava o cálice para seu pai, que fechou a cara em uma carranca e ela se calou com a boca cheia.

- Que assunto mais chato... - Resmungava audivelmente a pequena, dessa vez, falando ao acaso, mas querendo que todos dali ouvissem que não a agradava ficar discutindo políticas, reinados, clima ou problemas em geral. Parecia realmente enojada com aquilo, revirando os olhos e suspirando, incomodada com ter que jantar toda arrumada apenas para agradar ao nunca antes visto irmão. Retirou um pedaço da barriga do javali e dali escorreu o molho que o recheava, onde ela pegou uma colher e se serviu, sendo uma cena um tanto desconcertante para alguém tão novo.

Argara agora aparecia com três garrafas, uma de vinho tinto, outro do branco e uma terceira de conhaque, sendo este apenas para aquecer o corpo. As janelas estavam fechadas, mas elas se batiam, o vento querendo entrar com toda sua força enquanto era possível ver a neve se acumulando, mesmo naquela ala que estava a alguns metros do solo já soterrado.


- Há algo que queira perguntar, meu filho? - Aproveitava para comer agora, deixando que Kei tirasse seu tempo para falar e desenvolver o que lhe viesse em mente, sem interrupções.
mp
^
Tiger
 Posted: Mar 26 2018, 12:03 AM
citar


Tiger




Cipher Pol nº 3



597 posts

Ficha

Tiger is Offline

Agente do Governo




RÉQUIEM DE MENTIRAS
Em tão pouco tempo em casa já era claro que uma ruptura entre todos havia sido instaurada. Meu pai, que era firme, agora não passava de um homem amargurado, com uma enorme culpa e sem saber o que fazer com ela, se entregava dentro de uma depressão severa. Parecia que um sentimento de angústia dominava cada uma daquelas pessoas. Minha mãe, tão doce, agora parecia um fantasma pela casa, longe de seu esplendor e entusiasmo cativante sobre a vida, sobre o mundo... Dentro dela, o que eu podia sentir era um vazio e nada mais. Meu pobre avô preso numa cama numa doença desconhecida. Minha irmã presa e imatura naquelas redes de sofrimento. No quarto, eu aproveitava para descansar. Um banho quente era o suficiente para uma noite na qual eu já imaginava o quanto seria difícil. A roupa que me aguardava não era mais tão brilhante e vivaz como as que eu vestia antigamente, para falar a verdade, aquela roupa não mais me representava.

Escolhi um terno de corte italiano, uma gravata vermelha e sapatos pretos opacos. Desde que me tornei um agente, minhas roupas eram desta forma, sem perder a elegância, usava um pequeno broche de ouro entre meus dois pulsos na camisa. Meus cabelos, agora pouco mais compridos, tomavam pequenos contornos ondulados nas pontas quando estavam molhados. Antes de sair, olhava-me no espelho para observar se eu estava do jeito que gostava, pois, num jantar importante com minha família, não podia estar inadequado, não é?

Argara era uma exímia governanta: pontual como deveria ser. Já estava me aguardando e me conduzia para a sala de jantar. Ali eu via que a angústia era muito maior que aquela montanha de gelo. A frieza com que meus pais se tratavam era gritante, respingando em minha pequena irmã, que se mostrava ainda muito resistente com minha presença – e eu não poderia culpá-la.
- Olha, já estão todos aqui, elegantes e bem vestidos. Fiz uma breve reverência gentilmente, seguindo a ordem de hierarquia: o rei – meu pai, a rainha – minha mãe e a princesa – minha irmã. Argara me conduzia para onde eu deveria me sentar, e eu sentei-me, dando uma leve piscada, com meus olhos vermelhos, para a pequena princesa, a fim de mostrar-lhe que, caso ela quisesse, poderia se aproximar de mim. Mas isso teria que ser depois, já que um jantar exaustivo e pesado me aguardava. Belisquei um pequeno gole do vinho que estava a minha frente e falei: - E meu tio, pai... não quis juntar-se conosco?

Não precisou que ele me respondesse. Meus pais sabiam que logo eu perceberia... e realmente eles estavam certos, eu já havia percebido. Não necessitava de mistérios para que eu soubesse que algo grande estava acontecendo. Meu pai ia direto ao ponto, revelando que nossa família era alvo de piratas e que um sequestro estava acontecendo naquele lugar. Mas que piratas teriam tal força de subjugação num reino com guardas e um pequeno exercito? - Entendo. Então esse é o motivo de meu tio estar tão descontente com tudo. Isso explica o motivo de eu não ver nenhum empregado, morador e mais ninguém da corte real nesta casa. A intenção de meu pai era que eu esquecesse todas essas pessoas, pois acreditava que elas estivessem mortas. Era possível notar que ele lutava fortemente para se agarrar nesse pensamento que estavam todos mortos, pois, para ele, era muito difícil admitir que talvez, por estar nessas condições, seus servos, seu povo, estivessem sofrendo. Contudo, meu pai era muito perspicaz e sabia o filho que tinha. Ele sabia qual era minha resposta, e tentava me persuadir. - Meu pai! Sei que sofres e também sei que me conhece melhor do que qualquer um. Não posso fingir e esquecer que pessoas inocentes estão por aí com piratas. É o nosso povo. E nosso dever com eles, é salvar todos! Falava em tom sério e sóbrio enquanto deslizava a faca naquele pedaço de carne, colocando-o na boca acompanhado do vinho tinto. O vento batia forte naquele pequeno silêncio que se estendeu. Aquela ilha esquecida agora brilharia como o fogo e todos aqueles que ousaram ameaçar a família Chikage sofreriam com a volta do primogênito. - Apenas me diga... Quem são e onde estão. É apenas isso que eu quero saber.

Caso tivesse mesmo com relutância às informações, buscaria manter a harmonia do jantar, deixando-os menos preocupados, pediria para Argara colocar as velhas músicas que costumava tocar, antigamente, em nossa casa. Convidaria, também, minha pequena irmã para dançar e jogaria beijos e carinhos para minha mãe, a fim de romper aquela parede que ainda insistia estar em nossa família. Após o jantar, voltaria para meu quarto com a intenção de saber mais informações acerca do ocorrido e, caso tivesse a oportunidade, pediria autorização para o comandante da CP3 fazer um esforço para enviar um pequeno esquadrão para ajudar-me na tarefa de capturar tais piratas. Sabia que o inverno era rigoroso e seria muito difícil uma equipe chegar ali e, caso não conseguisse, veria quem na ilha era apto para tal missão.

Kei Chikage
Cipher Pol 3


@Angelique

QUOTE
Retornando depois de um tempo de férias. Tive que ajustar minha agenda. Peço desculpa pela demora, agora irei fazer posts mais dinâmicos. Agradeço ao narrador pela paciência.


This post has been edited by Tiger: Mar 31 2018, 02:08 AM
mp
^
Angelique
 Posted: Mar 26 2018, 09:29 PM
citar


Angelique




N/A



439 posts

Ficha

Angelique is Offline

Narrador




A piscada de Kei não era bem vista pela pequena, que como se um nojento e pobre aldeão houvesse mandado um beijo para uma formosa dama da alta sociedade, ela erguer o nariz e fechou os olhos, concentrando-se na sua comida, olhando-a ainda com a ponta empinada, mostrando sinais de arrogância, mesmo para com sua própria família (se é que ela o considerava assim). Sua mão não gostou da atitude, mas naquele momento, ela apenas olhou para o marido, que retribuiu o olhar e como se um mandasse o outro lidar com o problema, mas nenhum dos dois quisesse, eles apenas trocaram faíscas e quando se deram por si, já havia passado o tempo de repreendê-la, deixando essa passar.

- Não... Agora não... - Ele falava mascando as palavras, parecendo lembrar-se de algo distante ou apenas queria se esquivar daquela pergunta, obviamente incomodando ter a presença do tio por ali, com certeza não sendo visto como membro da família pelo seu pai e com certa indiferença pelas garotas, que pela represália do rei, deixavam-no falar livremente enquanto tinham total foco em suas comidas.

- Não se incomode, meu filho, isso é uma batalha perdida e que deve ser esquecida. Por nós. Pela história. - Kei terminava de falar e colocava um pedaço de carne na boca, logo juntando um gole do vinho e saboreando a mistura dos sabores na boca, forte e adocicado, e com uma mistura de temperos levemente apimentados no final da garganta, incitando a comer um pouco mais, assim como tal refeição o aquecia totalmente, dando energia para passar a noite naquele inferno gélido. Tornou a falar sobre quem eram os piratas e se havia algum ponto de liderança, local este onde poderia iniciar investigações e colocar à prova seus dotes aprendidos no Governo Mundial. Ele bateu o punho fechado na mesa com força, tal qual um juiz após terminar uma sentença, tremendo toda a mesa e fazendo o cálice do jovem saltar em sua frente, derrubando um pouco de vinho na madeira. - Eu disse para não se incomodar, Kei! Faça o possível para ficar na ilha e mantê-la em glória! Esqueça esses problemas pequenos, pois todas essas pessoas eram passageiras e foram fracas ao serem capturadas! Você é meu filho e fará o que eu mandar!!!

- Porte-se diante do príncipe, "Rei"! Sua autoridade é dada pela força agora? - Dizia sua mãe com uma voz forte (algo que ele via pela primeira vez em anos). Mostrava a garra que tinha e seu orgulho como rainha, pois mesmo impossibilitada de andar, presa às amarras da cadeira de rodas, aquela cômoda prisão, ela ainda tinha forças para encarar de cabeça erguida o corrompido rei.

- Minha autoridade é lei! Seja na força ou não! Todos vocês hão de me servir e não de me contradizer! Cometi um erro e a ilha sofreu, irão todos me contestar por isso? Meu maior desejo é passar a coroa para Kei e eu vejo o que? Insubordinação? Desafios? - Segurava a mesa como se essa fosse fugir de alguma forma, segurando-a com força com sua mão trêmula. Seus olhos emitiam uma raiva, um ódio que o jovem nunca houvera visto, mesmo em momentos de crise e guerra.

- Pois saiba que sem seus súditos, você não passa de um velho! - Dizia a mulher com os dentes à mostra, trincando-os irritada.

Inesperadamente Yuki se levantava e subia em sua cadeira, pegando impulso para subir na mesa em si, chamando a atenção de todos. Seu pai ia brigar com ela também, porém a garota, num ousado movimento, chutou para fora de sua frente seus talheres e pratos, quebrando louças centenárias e de riqueza insubstituíveis, mas causando o efeito de surpresa e calando aos mais velhos.


- Meu pai, tenha a bondade de calar-se. Está se impondo da forma errada e para as pessoas erradas. Cuide-se e poupe-se. - Sua voz jovial mostrava uma calmaria inesperada, porém Kei conseguia ver que a jovem tinha pequenos tremores pelo corpo de nervoso e os cantos de seus olhos estavam cheios de lágrimas, mas que ela piscava para desfazê-la enquanto sua voz tentava ficar rouca, engolindo em seco como se escolhesse as palavras, tudo para afastar o nervosismo. - Mãe, não seja super protetora. Nós dois somos seus filhos e não há necessidade de proteção. O que pai fará? Irá exilá-lo? O objetivo não é me dar a coroa? - Então ela caminhava com passos trêmulos de nervosismo, mas também com afirmação, tendo uma pisada forte e indo até o irmão, pisando em sua comida, resvalando para fora do prato, enquanto ela colocava o pé sujo na frente dele, como que insinuando que ele deveria limpar a sujeira "que ele fez". - E você. Sua presença é apenas um problema para nossa classe hierárquica. Ninguém dirá, mas eu o farei, pois nem ao menos o conheço, "irmão". - Ela se abaixava, não se ajoelhando (pois seria indigno para a futura soberana de Beyond) e sim, abraçando seus joelhos que permaneciam erguidos, apoiando a cabeça. - Você foi descartado. Nosso tio é a sua laia. Eu serei a rainha e você terá liberdade para ficar longe de Beyond, mas saiba... Que enquanto eu reinar soberana, eu nunca o verei como irmão... Assim como nossos pais não o vêem como um filho.

Não havia motivos para que adultos se rebaixassem ao nível de uma criança e dessem explicações para ela sobre como aquilo não era verdade, porém era preciso para Kei que não fosse visto como "uma sobra" ou um erro. De qualquer forma, ambos cairiam no jogo dela e isso a orgulhava, saber que adultos, reis e rainhas, não poderiam competir com uma mera criança por questões de orgulho, de maturidade. Ela estava acima dos dois.

Argara se aproximou para ajudá-la a descer da mesa, porém a pequena logo saltou pelo lado de Kei (pois não tinha força e destreza para saltar por cima do irmão), correu até a porta que antes todos houveram entrado, abrindo-a com certo esforço e se colocando para fora, gritando do corredor vazio como um fantasma que ecoava sua voz pela sala de jantar.


- Uma ama restrita por sua posição social, um velho de bengala, uma velha de cadeiras de rodas e um estrangeiro deslocado. O que todos eles tem em comum? Não conseguem ficar a par de uma criança... - Sua risada ecoou com um "ka ka ka" que se desfazia no que ela se distanciava, mostrando seu ponto e sua superioridade diante de todos.

- Kei... Me desculpe... E-Eu... Não tenho palavras... - Sua mãe apertava os punhos, dando um tapa no cálice em sua frente e batendo as palmas sobre a madeira. Uma, duas vezes. Ela se desequilibrava emocionalmente e seus cabelos se soltavam, caindo pelos ombros como um manto e escondendo sua face dolorida. A imagem agora não era de uma rainha orgulhosa e poderosa e sim, de uma mulher desesperada.

- Esse jantar acabou... - O rei cruza seus talheres e se ergue com sua bengala, saindo dali a passos lentos e pesados, deixando toda sua frustração exalar como uma fumaça que o sufocava e seu excesso saía de seu corpo. Argara nem ousou oferecer ajuda a ele, permanecendo parada num canto do salão e com o peito ofegante, estressada com todo o ocorrido, tensa em seu limite pelo dia de trabalho e a carga emocional depositada em todos ali.

Kei saía e ia para seu quarto, puxando um Den Den Mushi que trajava um terno e óculos escuros (estes pequenos demais para seus esbugalhados olhos redondos). Ele chamou algumas vezes e ninguém deu resposta, porém com mais duas chamadas, fora atendido.


- Olá! Aqui é a mensagem automática da casa dos Thompsons. O que deseja? - A voz alegre lhe era reconhecida como de um colega, que com certeza houvera atendido e esperava uma resposta, um código secreto entre eles, algo para ter certeza de que não estavam sendo hackeados por algum criminoso e o jovem sabia que a resposta seria "Flores da manhã, eu sou a mãe carneiro", apenas uma frase sem sentido que não poderia jamais ser uma resposta digna da pergunta, pois mesmo que as chances fossem mínimas de alguém responder algo como "flores", "botões" ou qualquer coisa que supostamente desejariam, as chances existiam e por isso, tinham tal pergunta para confundir e resposta para despistar.

- Kei... Como está por aí? - Sua voz deixava de ser animada e tornava-se séria e ríspida, típica do colega. Logo lhe era pedido por um pequeno esquadrão para solucionar o caso dos piratas e era pedido um momento, este que se faria demorar por cerca de vinte minutos com o Den Den Mushi apenas encarando o outro, ambos aguardando. - Piratas você diz...? - Sua voz saía do nada, sem aviso. - Pelos dados que temos, a Marinha andou vigiando com afinco a ilha de vocês após os ocorridos com o Língua-de-Cobra. Não há movimentações criminosa na ilha faz algum tempo... Você está certo do que está me falando? - Fazia um "tsc" com a boca, descartando o que falava. - O que está acontecendo aí?

Batidas na porta e sem criar mistério, Argara falava calmamente, anunciando a si mesma e pedindo permissões para entrar.
mp
^
Tiger
 Posted: Mar 31 2018, 02:07 AM
citar


Tiger




Cipher Pol nº 3



597 posts

Ficha

Tiger is Offline

Agente do Governo




RÉQUIEM DE MENTIRAS
Todo o jantar que havia sido organizado tornava-se uma arena, em que as personalidades de meu pai, mãe e irmã se colidiam num ambiente totalmente decepcionante. Não bastava os olhares, as mágoas e angústias que se embatiam em atitudes tão longe daquelas lembranças que me vinham em mente – e por lá vaguei – como se fosse um filme. Minha mente e sentidos não captavam a fúria inesperada de meu pai, as discussões com minha mãe e toda aquela cena infantil de minha irmã em plena mesa de jantar. Quer dizer, eu estava ali, escutando e sentindo tudo aquilo, todo o jantar que eu havia sonhado ser arruinado. Mas meu espírito saía, deixando aquela casca ali, mas eu ia para longe... muito longe. E podia ver nesse mesmo filme o meu avô sentado naquela mesma mesa, sua voz calma que brilhava de empolgação e, ao seu lado, minha mãe sorria de mãos dadas com meu pai. Promessas de amor e respeito, no qual eu estava acostumado. Éramos uma família unida, mas agora, voltando para perto para a realidade, tudo havia mudado. A minha frente, aos berros, minha pequena irmã projetava toda sua frustração em minha pessoa, mas minha voz saía amável, afável antes que ela subisse para seu quarto: - Oh minha pequena, deve ser difícil para você estar aqui e presenciar cenas como essa. Nossos pais não são esses, apenas existe dor e quando há sofrimento existe uma causa, caso você se sinta assim, não hesite em me procurar. Sou seu irmão, quer você goste ou não. Lembra-se, não sou seu inimigo, e eu amo você!

Minhas palavras eram sinceras. Talvez ela nem tivesse escutado. Mas sua personalidade raivosa e sofrida mostrava-me como uma criança poderia, com tudo aquilo, tornar-se parte daquelas redes de mentiras que se estabeleceram. Talvez ela fosse a mais prejudicada neste momento. Voltei meu olhar antes de me retirar da mesa, pousei meus olhos lentamente para meu pai, fitando-o com o olhar sereno e, logo depois, para minha mãe. Disse-lhes: - Há momentos em que devemos seguir a maré e não lutar contra a correnteza. O que aconteceu aqui é reflexo de dor e culpa, e as pessoas que mais sofrem com isso, são vocês mesmos. Se não se perdoarem, essa mesma dor e culpa irão destruir tudo o que vocês fizeram por vocês mesmos, pela nossa família e pelo nosso povo. Com a licença de ambos, irei retornar para o meu quarto. Olhei para Argara antes de subir, um olhar de sensibilidade, pois sabia o quanto ela havia se esforçado para fazer com que aquele jantar fosse maravilhoso. Quando cheguei em meu quarto, refleti sobre o que havia descoberto. Piratas haviam raptado o meu povo! Talvez o governo mundial tivesse informações e, ao Den Den Mushi, conversando com os agentes, o governo mundial não tinha nenhuma informação acerca de qualquer movimento dentro de minha ilha. Continuei a conversa: - Ainda não tenho muitas informações, a única pista é que um grupo de piratas invadiu a minha ilha, capturou todos os moradores dos vilarejos e os empregados de minha residência. Continuarei em busca de mais informações. Qualquer ajuda será de grande utilidade, no mais, aguardo qualquer retorno, seja de informações ou de possível ajuda. Num bater delicado da porta anunciou que alguém estava prestes a entrar. Desliguei o Den Den e abri a porta. Quando me deparei com a figura de Argara, seus olhos suplicavam por uma conversa e com gesto delicado, estendi a mão para pegar a sua de forma a conduzi-la gentilmente para o quarto.

Buscaria ter uma conversa franca e aberta, qualquer informação sobre o que tivesse ocorrido desde minha saída seria muito importante. O que havia acontecido com meus pais? Por que meu avô está daquele jeito? Quem são esses piratas? O que eles querem? São perguntas que gostaria de fazer. Aproveitaria este momento para formar uma aliança de lealdade entre nós. Precisaria de uma pessoa como Argara a meu lado e juntos encontraríamos uma solução para tudo. Depois da conversa, me deitaria na cama, o sono era o melhor dos remédios.
Kei Chikage
Cipher Pol 3


@Angelique

This post has been edited by Tiger: Mar 31 2018, 02:09 AM
mp
^
Angelique
 Posted: Apr 6 2018, 11:31 AM
citar


Angelique




N/A



439 posts

Ficha

Angelique is Offline

Narrador




Kei estava mergulhado em amarguras diante de seus familiares. Observava as personalidades distorcidas de cada um ali, mostrando seus lados mais cruéis e insensatos enquanto o próprio príncipe ia para uma época distante, para o passado onde as coisas eram completamente diferentes... Apenas o frio se mantinha.

Relembrava de quando seu pai cometeu um erro com sua mãe, básico entre casais, havia feito algo que ela desaprovava e havia a magoado profundamente. Ele poderia colocar a culpa em qualquer coisa, como o tempo, o estresse, a falta de tempo, as distrações, o filho pequeno, tudo poderia ser um desvio, mas ele engoliu seu orgulho e diante do jovem, ele pediu desculpas para ela. Não o perdoou inicialmente, porém apenas o fato dele ter feito o gesto já era o suficiente para que ela quebrasse sua postura e achasse em seu coração um pouco de piedade e descanso para todos, vindo a trocar abraços e beijos enquanto deixavam para trás toda a briga que parecia pífia. Em contraste, ele via agora o seu pai, fragilizado pelo tempo e agredindo a seus familiares com palavras, exigindo respeito como um arrogante rei, deslocado em si próprio e irritado por isso, batendo e vociferando ordens, esperando ser obedecido em sua ditadura desenfreada, não recebendo palavras dos outros a serem cogitadas.

Sua mãe, que antes era uma "raposa esperta", corria com ele pelos campos e sempre se escondia em meio a neve, esbanjava felicidade com o filho, sendo raras as vezes em que fora vista de cara fechada, normalmente quando estava pensativa e mesmo nesses momentos, ela questionava o jovem Kei, exercitando a inteligência dele em, mesmo que fosse um assunto de adulto e deveras complicado para uma criança, a mente simplória e imaginativa as vezes davam ideias para que ela fosse adiante, sempre beijando-o em agradecimento. Agora era uma mulher super protetora, que não tinha reações para com a própria filha, como se houvera desaprendido em educar uma criança. Amarga por sua própria deficiência, cansada da própria vida e congelada pelo frio, porém não seus membros, e sim, seu coração caloroso.

Não que antes houvera memórias da irmã, porém era mais fácil ser só ele. Todos os agrados eram para si e a atenção não era dividida. Não era criança já fazia um bom tempo, então isso não era algo de tamanha importância, porém tais tratamentos poderiam ser até prejudiciais para a garota, que se para ele houvera muito afeto e participação, com ela haviam apenas os restos, as amarguras e talvez até a solidão, moldando-a em uma verdadeira mal criada. A petulância dela não abalou ao príncipe, que apenas respondeu com um convite, que sempre que ela precisasse, ela poderia tirar um momento de toda aquela neve, aquele enorme castelo frio, toda aquela briga, consigo. Ele estaria ali por ela, afinal, eram irmãos e se havia algo que o príncipe houvera aprendido em suas viagens, eram questões de companheirismo. Ela descartou a ideia com a mão, ainda jovem e arrogante demais para compreender a importância das palavras do mais velho.

Em seu quarto, pegou o Den Den Mushi e trocou códigos com um agente, mas ele infelizmente não tinha provas do ocorrido, dando a entender de que o que seu pai contava era mentira ou que os piratas estavam muito acima de seu nível e logo Kei pedia por reforços, pois aquilo era demais para ele sozinho. Era impossível mandar alguém para lá, que por mais que o jovem tivesse sua influência e notoriedade como uma pessoa sincera, não haviam registros de que algo houvera ocorrido na ilha e mandando um grupo por nada, seria perda de recursos e agentes que poderiam muito bem estar em algum outro lugar. Se seu posto fosse maior, talvez fosse possível ditar as regras com mais facilidades.

No que Argara bateu na porta, ele prontamente desligou sem nem ao menos dizer "tchau", mas dado a profissão de ambos, nenhum dos dois realmente se importou com isso, sabendo que tais formalidades eram desnecessárias quando o perigo se espreita. O príncipe se levantou e abriu a porta, logo observando a face cansada da mulher e permitindo que ela adentrasse, o que ela fez, mas não se sentou, ficou parada de pé ao lado dele.


- Meu Senhor... Eu peço mil perdões pelo ocorrido de agora. Eu gostaria... De explicar a minha visão desde a sua saída... - Ela tinha receios, parecia que as paredes tinham ouvidos e ela cometia uma traição com a família real, entregando segredos que poderiam fazer a ilha ruir com suas palavras, congelá-la para sempre ou derreter esse gelo até que Beyond meramente se tornasse uma com o mar. Ela passou a mão na testa como que limpando o suor, mesmo que não houvesse algum e pareceu irrequieta, trocando o peso de uma perna para a outra. - Assim que o senhor se foi, a alegria desse castelo fora junto. Seus pais rondavam pelos corredores como fantasmas, preocupados em seus trabalhos e sem distrações, nunca relaxavam. A ilha prosperou em seu próprio nível, nada alarmante, mas o suficiente para a população manter suas vidas enquanto nós mantínhamos a nossa. Seu avô desaprovou tais ações, dizendo que era preciso diversão entre eles e perdoe-me por falar, ambos não sabiam mais como fazer isso. Faltava algo. Retornaram a seus afazeres com facilidade. Com o decorrer do tempo, antes que eu percebesse e se eu o tivesse feito, Mestre Kei, eu juro que os teria impedido, teria tomado as provisões para isso... Eu juro! - Ela olhou para ele meio desesperada, mas retomou o fôlego enquanto segurava a ambas as mãos ante o peito. - Entraram numa decadência, seu pai ficava acordado até altas horas, pensando em como fazer com que um mais um se tornasse dez e sua mãe ia para as ruas, ajudando a população na construção de casas ou ficando no porto como um farol, parada, aguardando alguma coisa. Alguns diziam que eram mercadores ou viajantes que precisassem de reparos, mas eu sabia que era você quem ela procurava, meu senhor. Eu sei. - Ela olhou os arredores, procurando qualquer sinal de que estavam ouvidos, mas ante seu desespero de ser pega, ela apenas ouvia a própria respiração. Retomou como se tivesse uma memória distante e de imediato, iniciando rápido para não esquecer e continuar. - Seu avô... Eu não sei bem o que houve. Um dia ele não quis se juntar na mesa. Outro dia ele começou a ficar recluso e aos poucos seu pai estranhou. Quando iniciaram um tratamento, parecia que nosso antigo rei apenas piorava e seu pai, para que ele não definhasse em suas mãos, achou justo colocá-lo em coma. Eu e nem mais ninguém tínhamos acesso a ambos patriarcas, parecia que estavam de quarentena. Nem mesmo sua mãe ia até lá. Fora mais ou menos nessa época em que começaram a falar que você não voltaria e que deveria deixar um herdeiro para o trono. Ideia de seu pai também, ele queria muito...E... E me desculpe, Mestre Kei... Me desculpe... - Ela desatou a chorar, as mãos no rosto em um desespero único de quem presenciou uma tragédia. Argara estava de pé, mas naquele momento, como se sentisse dores intensas no corpo, a mesma se agachou e se contraiu, ficando em posição fetal enquanto escondia o rosto nos joelhos, uma pose um tanto quanto humilhante para um adulto, mas ela apenas queria se esconder, porém sabia que tinha de relatar para o jovem os ocorridos dali. Tirou um tempo, mas logo se acalmou e olhou para Kei, tentou falar, mas o choro retornou e ela não conseguiu, precisando de mais um tempo para prosseguir. Quando finalmente o conseguiu, ela se levantou com os braços cruzados, a voz rouca e o nariz vermelho, os cabelos agora estavam um pouco desfeitos e ela ajeitava os óculos (que não estavam caindo) quase que o tempo todo. - Eu ouvia... Dos andares inferiores... Sua mãe não tinha poder contra um rei... Eu não tinha poder para fazer qualquer coisa... Mesmo nunca tendo sido pronunciado, eu tinha um real medo de execução ou exílio... Eu não fiz coisa alguma por sua mãe... - Ela fechou os olhos um momento e respirou fundo três vezes antes de poder continuar. - A presença de seu pai mudou com o tempo e ele chamou seu tio para cuidar de seu avô, que de imediato ele apareceu. Onde seu pai estava, o silêncio predominava e muitos o evitavam. Nos sentíamos reféns... Mas isso fora apenas até que meu pessoal sumisse. Aos poucos, como que ninguém percebesse, todos iam sumindo sem deixar rastros, simplesmente não mais estavam ali ou nunca realmente existiram, como memórias falsas em nossas cabeças. Seu pai nunca se importou de verdade com o que ocorria e sempre dizia a mesma coisa sobre piratas, incomodado com eles. Mas me diga, Mestre Kei, como que piratas podem ter vindo aqui se sua mãe fazia guarda todos os dias no porto?!

Argara estava com o olhar arregalado e a mandíbula tremia, ela não aceitaria um abraço de Kei (se o mesmo tentasse fazê-lo, recebendo-o como que apenas permitindo por ser uma serva, mas logo se desvincilhando com um singelo movimento com o ombro). Ela ajeitou o cabelo e viu que estava tarde, então ela pediu desculpas diversas vezes e recuou, saindo dali dizendo que não havia mais tempo, que sentiriam a falta dela e sendo a única no local, todos precisavam de algo em algum momento.

O jovem havia muito em sua mente e deitou-se na cama para descansar logo em seguida. Demorou um pouco para pegar no sono, pois havia muito a ser processado, porém por pura exaustão do frio que ele havia enfrentado naquele dia, ele nem percebeu que havia adormecido.

Em meio a madrugada, porém, ele ouviu barulhos estranhos em sua janela, parecia que o vento e a neve se juntaram para bater com força e uma tempestade forte ocorria lá fora. Isso aconteceu em intervalos curtos e dentro de três minutos, a janela se abria e uma pessoa adentrava em seu quarto, rolando no chão e deitando no mesmo, respirando pesado enquanto trazia o frio consigo. Ele retirou seu cinto de segurança e fora até a janela, fechando-a como dava, porém como havia quebrado a trava que a segurava, teve de ficar segurando com as mãos enquanto Kei achava algo para prender aquilo, pois apenas deixar algo ali não seria o suficiente. Uma corda mais fina do que a que estava com Cooldown talvez fizesse o que era necessário, ou travas mais finas dos que as de portas. O importante era não deixar o frio entrar.


- Então... - O ninja falava saindo fumaça pela boca, tremendo um pouco, mesmo que usasse roupas mais grossas dos que a que viera até a ilha, mas ainda as trajando por baixo de um largo casaco branco que parecia couro. Ele esfregava as mãos enquanto batia a neve num canto do quarto, depositando tudo ali e sem cair sobre as coisas de Kei. - ...Argara conversou com você heim? Eu ouvi tudo, afinal, é meu trabalho... Logo após eu fui no quarto de seus pais, mas apenas sua mãe dormia. Seu pai deve estar com o pai dele... Não tive muitos acessos pelo castelo, ainda mais com o frio que está lá fora... - Ele sentou-se no chão e olhou para Kei, a expressão dele era neutra, mas havia um pesar em sua voz. - Ela não falou que fora Yuki quem deixou sua mãe na cadeira de rodas, não é mesmo? E antes que pergunte... Eu estou nessa ilha há mais tempo do que você imagina...

Eram em torno de quatro da manhã e Kei ainda tinha sono para terminar, sentindo cansaço pelo corpo, mais mental do que físico. Cooldown não iria restringi-lo se quisesse dormir, ele em si iria fazer o mesmo, aconchegando-se num canto do quarto, enrolando-se em seu casaco como um saco de dormir e fazendo-o sentado, cansado por seus trabalhos de alpinista do lado de fora do castelo durante quase que toda madrugada e somado com seu sumiço do barco, que o deixou totalmente exposto para com a ilha até aquele dado momento, estando realmente cansado de trabalhar.

O ninja não tinha nada para falar com Kei além disso, mas procurava no agente apenas um porto-seguro, um local onde ele pudesse parar e descansar um pouco para no outro dia seguir em sua própria missão.
mp
^
Tiger
 Posted: Apr 29 2018, 11:56 PM
citar


Tiger




Cipher Pol nº 3



597 posts

Ficha

Tiger is Offline

Agente do Governo




RÉQUIEM DE MENTIRAS
Os encontros não eram ocasionais. Argara entrava e mal se sentava em uma cadeira quando a convidava parecia inquieta, desconfiada... Suas palavras apareciam como metralhadoras. Parecia que ansiava em abrir o seu oração com seu príncipe que, enquanto sua família se arruinava, viajava pelo mundo em busca de algum sentido... como um jovem sonhador. Sentei em uma cadeira, bem próximo de Argara, meus olhos pousavam gentilmente e, com toda paciência, escutava-a. Via que algumas peças ainda não se encaixavam no quebra-cabeça. Meu pai, que sempre foi generoso e seguia os passos de seu sogro, tornava-se um homem que eu desconhecia: rancoroso e agressivo. Durante todo o tempo em que estive ausente, minha mãe me aguardava como se em algum momento a pequena embarcação em que seu filho havia seguido ao mundo retornasse com seu belo filho ao seio de sua amada mãe.

Mas eu não regressei... e as coisas pioraram.

Agora, eu estava ali, tentando entender tudo. Contudo, pensava: e meu avô? Que misteriosa doença era essa que o fez ficar tão debilitado? Doença esta que nem mesmo meu pai, um médico tão genial, não conseguiu encontrar a cura. Isso me intrigava e até fazia-me pensar se realmente era uma doença ou se queriam que parecesse uma. Argara saía da mesma maneira com que entrava. A porta batia, o vento soprava e as dúvidas faziam com que o quarto se tornasse ainda mais vazio. Estava em busca de repouso, quando algo inesperado aconteceu: a mesma janela se abria e um velho conhecido adentrava em meu quarto coberto de neve, com sua tranquilidade desleixada.

Era CD. O mesmo havia escutado tudo.

Tentei disfarçar uma breve surpresa, junto, escapava um sorriso. Essas coisas eram típicas de ninjas, não era verdade? Não deixei que CD escapasse, ele era uma das peças principais de um importante quebra-cabeça que eu estava tentando montar. Inclusive, sabia de coisas que ainda não estavam claras para mim, como o motivo de minha mãe estar numa cadeira de rodas e sua relação com minha irmã. Busquei um forte cobertor, grosso, em um dos roupeiros. Coloquei duas acadeira próxima à lareira que eu ajeitava para que o fogo aumentasse. As chamas ardiam como se também quisessem saber das histórias que aquele ninja poderia contar. Com ambas as cadeiras próximas, e cobertores suficientes, convidei-o para sentar-se. Ao meu lado dispunha de uma forte bebida para esquentar aquela noite fria. Era tudo o que teríamos para algumas horas, pois não tinha intenção de ficar sem respostas. Não mais. Desde o nosso encontro contra a máfia e a entrega daquela akuma, nada estivera claro.


...- CD, que bom que está aqui! Esta noite será longa, já que tenho muitas dúvidas e preciso de respostas. O que está acontecendo com minha família? Por que minha mãe está assim? Meu avô... E que mudanças são essas em meu pai? Afinal, quem mandou essa akuma no mi? O que aconteceu em nossa Ilha? Liguei para a central dos agentes e não existe qualquer relato ou indício de que existam piratas aqui.

O silêncio teve a intenção de que CD entendesse o peso daquelas indagações, que eram fundamentais, e que eu tinha todo direito de saber as respostas. Havíamos deixado essas questões para serem respondidas no tempo certo... E esse tempo chegou.

Caso CD respondesse cada uma delas, buscaria oferecer-lhe algum lugar confortável no quarto em meio aos tapetes e inúmeros cobertores próximos da lareira para que ele pudesse descansar. Tentaria de alguma forma, ver qual direção eu precisaria tomar, se deveria recrutar pessoas para resgatar meu povo ou se deveria investigar coisas que ainda não estavam claras – e meu tio era uma delas. Precisava de uma conversa a sós com ele, mas isso teria que ser no momento certo. Caso eu não tivesse nenhuma resposta, deixaria clara a minha insatisfação e tentaria obtê-la por minha própria conta e risco.


Kei Chikage
Cipher Pol 3


@Angelique

This post has been edited by Tiger: Apr 30 2018, 12:02 AM
mp
^
Angelique
 Posted: May 4 2018, 11:38 PM
citar


Angelique




N/A



439 posts

Ficha

Angelique is Offline

Narrador




Kei começava a ter ideias mais sinistras, pois se seu avô estava desacordado, não por uma doença, mas para ser silenciado, o que o velho teria avistado ou ouvido? Era impossível o jovem saber, ainda mais com rondas de sua própria família ao redor dele, cuidando para que não perecesse diante do desconhecido. Sentou no quarto e aguardou o sono lhe bater, desconfiado e cansado, com muito na cabeça e uma enorme carga nos ombros, pois já não mais conhecia sua família enquanto se esforçava em manter o bom humor e a graça da realeza.

Aproveitando a entrada de Cooldown, o jovem príncipe puxou duas cadeiras para perto da lareira que ardia majestosamente, sendo a única fonte de luz daquele quarto e não precisando de nada além. Seu quarto era como uma casa de pequeno a médio porte, então assim que fora até o roupeiro e o abriu, viu diversos tipos de cobertas, lençóis, fronhas, etc. e escolheu um grosso de pena de ganso, sentindo o calor já em suas mãos ao puxá-lo como um enorme animal em seu colo, deixando para que ele e o ninja viessem a se aquecer, e nisso, já vendo o que ocorria, não houve acanhamento por parte do outro, já sentando-se, porém o de olhos rubros ainda tinha algo a fazer e fora até seu bar pessoal, algo que há tempos não via e algumas de suas bebidas houveram sido trocadas por terem entrado em validade e outras, refinadas, muito bem cuidadas por Argara que ao limpar o local, permitiu que arejassem e gelassem um pouco com o próprio frio da ilha, apenas para depois guardá-las, um trabalho diário e meticuloso, pois tinha de cuidar o tempo para que não viesse a transformar vinho em vinagre, mas ela era perita nisso e uma pessoa deveras dedicada. Pegou um par de cálices e fora para junto de CD para questioná-lo.


https://www.youtube.com/watch?v=p9hoAyx3-0I


- Que bom que perguntou, Kei. Pensei que iríamos falar disso mais tarde, mas você é mais do que eu esperava... - Ele escondeu-se na coberta, puxando a cabeça para fora e tendo o cálice em mãos em sua frente, bebendo alguns goles para esquentar rapidamente seu interior, mas não o suficiente para deixá-lo bêbado, somente o suficiente para a queimação chegar a arder em suas narinas, baixando o copo e passando o dedo pelo cristal, produzindo uma pequena música. - Talvez ela não lhe fale, mas a pequena demônia trouxe problemas para sua mãe. Não vou dizer que ela é mimada, mas certamente é um estorvo. Sua mãe estava indo ao porto, como de costume, e sua irmã já tinha idade para exigir a presença dela, não gostava de ficar com Argara ou os demais, queria o seio da mãe. A pequenina tirou seu tempo e ficou alguns dias matutando, nisso eu já estava trabalhando por aqui e por isso posso dizer os boatos que ouvi, pois não era presente. Certo dia, sua mãe fora sair e ela quisera um abraço, porém não anunciou e rastejou até a perna da outra, abraçando-a e impondo seu peso atrás do joelho, que a fizera desequilibrar e para não cair sobre a menor, rolou escada abaixo. Ninguém conseguiu segurá-la pois se machucaria junto, apenas esperaram ela percorrer todo o caminho até que pudessem ser de auxílio. Alguns dizem que fora premeditado por Yuki, pois a mesma não desceu junto, outro dizem que sua mãe se soltou antes que começasse a descer, cuidando para que a sua criança não se machucasse... Fica na interpretação...

Rapidamente o corpo de CD se esquentou e ele se impressionou ao retirar dos ombros a coberta, deixando o tronco para fora enquanto observava Kei, abria um sorriso maroto ao expor seu conhecimento enquanto dava informação para o príncipe.

- Espero que isso seja um réquiem de mentiras, pois eu tenho as mesmas informações de Argara sobre seu avô, mas sobre a Akuma, somente nós três sabemos. Eu, você e seu tio. Acho que já era hora de me mostrar realmente... Eu sou um empregado dele e alguém mandou um grupo de assassinos em L'arcan para te matar. Meu objetivo era apenas te trazer aqui, te deixando ciente dos ocorridos e é o que estou fazendo. Chegando aqui, conversei com seu tio e ele me informou que eu deveria cuidar de você, ser sua sombra, pois não sabemos até onde o assassino irá para te retirar do trono. Se é que é isso que realmente quer... - Seu olhar tornava-se sombrio, ainda mais com as chamas próximas a ele, causando um brilho singular. - Eu espero que você tenha muito cuidado, Kei, pois sua força está em sua vivência e na Akuma no Mi, eu apenas irei garantir que sua comida não venha envenenada e que qualquer armadilha fora de sua visão não seja feita, mas eu não tenho poder em combate. Seu tio cuida de você, talvez, por você ser mais como ele do que qualquer outro daqui.

Como recompensa, CD teve acesso a um tapete grosso que havia próximo da cama luxuosa do príncipe (aos seus pés para ser mais exato), mas que fora muito bem vista pelo ninja, que se deitou ali, puxando diversas almofadas enquanto levava consigo a coberta da ganso, mas que apenas criou um ninho colocando-a por cima dos travesseiros improvisados, deitando-se no meio enquanto se aconchegava e descansava.

- Kei... Esse castelo é uma prisão de insanidade e senilidade. Ratos andam pelas paredes. - Ele deu um soco leve com os nós dos dedos na pedra grossa que separava-os do frio lá fora. - Não subestime seu inimigo e ande sempre armado. - Ele fechou os olhos e soltou um suspiro, porém ainda não havia dormido, pois algo vinha em sua mente e ele falava logo em seguida, rompendo o silêncio abruptamente. - Você não tem motivos para confiar em mim, então se houver qualquer dúvida entre nós, me mande fazer algo e eu o farei, pois nesse complô, você precisará de aliados, pessoas que possa confiar e talvez, você esteja sozinho nessa. Sou um ninja pago, um mercenário, fiel ao contrato, mas tenho um código de conduta que talvez você veja como uma chance de ganhar sua confiança e traí-lo, por isso, eu estou a seu comando, serei sua arma e seu escudo sem problemas, derramarei sangue por você se necessário, meu ou do inimigo. - Por mais desleixado que fosse, sua voz agora era seca, ele realmente queria a confiança do príncipe, mas não se levantou da cama improvisada.

Naquela noite, não houveram lobos ou corujas, apenas o assobio do vento querendo impor sua presença e entrar no quarto, que o repelia com seu calor abafado. Kei dormiu bem, relaxado e descansado, mas era como se um fantasma estivesse perambulando pelo castelo, o que o fez acordar com uma leve dor de cabeça pelo estresse. Seu corpo inicialmente não queria mover-se da cama, parecia paralisado por uma criatura pesada sobre o peito, mas assim que levantasse, seu corpo todo estalaria.

Caso olhasse para a frente, veria que Cooldown estaria ainda no quarto, porém sentado no centro de seu ninho, pernas cruzadas e braços caídos ao lado, cabeça baixa com os cabelos sobre. Ele dormia tranquilamente, todavia, estava de certa forma em alerta, pois seu corpo estava direcionado para a porta, seja para ser a primeira barreira no que um ataque viesse ou que lhe desse tempo para mover-se assim que alguém adentrasse (como Argara).

O Sol não se fazia presente e era como se ainda fosse noite, apesar de ser quase dez horas, a fogueira não era mais tão branda, porém mantinha o calor no ambiente. Kei estava sentado na cama em um ambiente meio escuro, claro apenas pelos tímidos raios solares filtrados pelas grossas nuvens, não permitindo que estivesse em um breu. O silêncio era mórbido e deixava-o sozinho com seus pensamentos, com suas ideias, com o sentimento de possível traição, mas por qual lado?

O mínimo movimento que fizesse acordaria CD, que preguiçosamente viraria o rosto em direção das cobertas sendo retiradas de cima ou da passada do jovem, mas ele não abriria os olhos ou falaria algo, apenas se movimentava automático, como uma máquina sentinela e impossível dizer se ele era sonâmbulo ou realmente um ser vivo.

Assim que saísse de seu quarto, veria que na sua porta haviam desenhos tortos de uma pequena garotinha sobre um trono e com uma coroa na cabeça, desenhado muito mal feito onde basicamente o adorno era feito em cima das linhas de onde ficam os cabelos e deixava aquilo um caos. Abaixo haviam várias pessoas-palito, todas com os braços para cima, vangloriando a pequena rainha. Não havia demarcação de terra como também não era visto sinal de algo que viesse a lembrar a sua pessoa ou seus pais e tio, mesmo Argara estava fora dali.

No que Kei abrisse a porta também, CD acordaria enfim, levantando-se de imediato e pegando suas coisas, que já estavam próximas de si para agilizar. Ele olhou para o príncipe, mas não falou nada, apenas abriu um sorriso e o cumprimentou enquanto ia em direção da janela, espreguiçando-se e se preparando para saltar dela e iniciar seu trabalho.

Nos andares inferiores, sua mãe estava com Yuki no colo, mas com o olhar de peixe para uma chama que tremeluzia acima delas, os braços enrolados na menor como que cuidando dela, porém estava tão entrelaçados que era como se alguém fosse passar correndo e roubar a menor. A jovem, por sua vez, estava deitada brincando com os cabelos enquanto balançava as pernas, chutando com o calcanhar as de sua mãe, não mais funcionais e fazendo com que ela não sentisse dor, mesmo que fosse possível criar roxos nos locais acertados.

Argara e seu pai não eram vistos, porém se ele fosse até a cozinha para beber ou comer algo, avistaria a ama limpando o local, não parecia alegre, porém estava enérgica. Assim que visse o príncipe, desviaria o olhar e continuaria seu trabalho da maneira mais rápida e bem feita possível.

Para o caso de ir direto para o encontro de seu avô, acharia lá o seu tio dormindo na poltrona, exausto pela noite com o velho.

Ninguém queria papo com Kei.
mp
^
Tiger
 Posted: May 5 2018, 12:40 AM
citar


Tiger




Cipher Pol nº 3



597 posts

Ficha

Tiger is Offline

Agente do Governo




RÉQUIEM DE MENTIRAS
Os réquiens de mentira eram como linhas invisíveis que ligavam cada um daquela família, como se eu estivesse preso em uma teia de aranha e cada fio me levava para uma das pessoas que um dia eu conheci, mas que agora eu não sabia mais em quem podia confiar. Sentado naquela cadeira, podia sentir o ardor da bebida esquentando-me por dentro, a lenha queimava para aquecer o meu corpo, que lutava contra o frio. CD era direto, como de costume, por mais que às vezes eu percebesse que algumas coisas ele não podia revelar, agora ele me explicava outras que eram importantes. Minha irmã, carente de afeto de minha mãe, sofria em busca de reconhecimento tentando, de alguma maneira, chegar ao colo de uma mãe que a deixava de lado na esperança do regresso do primogênito.

Em um incidente infeliz, minha mãe havia caído da escada e toda culpa de abandono que Yuki sentia agora se voltava contra ela, responsabilizada pelo que havia acontecido com minha mãe. Sua personalidade imatura tomava grandes proporções, transformando-se em uma criança fria e sofrida. Meus olhos, em alguns momentos, mantinham-se imersos nesses pensamentos. Escutando com atenção cada palavra que CD dizia, estendia minhas mãos para me aquecer no fogo – como se as chamas pudessem, de alguma forma, me ajudar a encontrar os pensamentos com clareza.

CD agora me revelava algo que eu sequer havia esperado: o responsável pelo envio daquela fruta por ele mesmo e por outro mercenário era o meu tio. A carta, que eu havia lido e assinado pelo meu pai, era falsa e isso para mim era inesperado. Por que meu tio me mandaria aquela fruta? Ele não desejava o trono? Por que ele mandaria direto para o príncipe herdeiro?

Todo o perfil psicológico que eu havia imaginado desaparecia como fumaça e novos acontecimentos tomavam a cena. Não precisava dizer mais nada, apenas a minha cama me aguardava e quando me levantava, CD deitava-se junto, fazendo juras e promessas de fidelidade. Mas ele estava certo, eu precisava confiar em alguém, já que por mais que eu olhasse para o lado, era apenas eu um agente da CP3 em meio a uma guerra onde eu não sabia em quem confiar. Eu não tinha escolha, CD, neste momento, era a única pessoa com quem eu podia contar.

Fechei os olhos, embriagado, precisava dormir, mas uma inquietação me deixava naquele estado de meio sono e meio acordado. Algumas imagens vinham em minha mente, via uma neblina e o local era o nosso porto marítimo, via um contorno como se fosse uma pessoa que segurava uma espécie de lanterna, o barulho do mar e a neblina, aquela luz acesa, eu não sabia quem era, mas a sensação que me passava era que aquela figura era minha mãe, que ainda me esperava.

Esse sonho inquietante me fez despertar, deitado, saí da cama, precisava andar, sabe? Caminhar...

Abri a porta do quarto tentando não acordar CD que se posicionava como uma sentinela, não sabia se estava dormindo ou acordado, guardião daquele lugar. Um desenho surgia em algum lugar daquele quarto, era a obsessão de minha irmã pelo trono. Esses desenhos significavam muito, seria a minha irmã a pessoa mais machucada de todas? Por que demorei tanto para voltar?

Aquelas figuras sem forma nem base, rabiscos, de uma criança que fazia qualquer coisa para chamar atenção, em busca de um sentimento, de carinho, tudo o que eu havia tido e que agora desmoronava, mas eu não deixaria que isso continuasse desta forma. Quando fechei a porta, CD estava acordado, pronto, com meus sentidos de tigre podia perceber que a casa toda estava em silêncio, cada um de um lado. Meu tio dormia no quarto de meu avô, Argara na cozinha em seus afazeres e meus pais, do mesmo jeito do que na noite passada. Qualquer conversa não faria sentido algum, minha única ideia era mandar CD fazer algo. Minha voz saía com firmeza:



- CD, neste momento, você é meu único aliado, mas tenho coisas que ainda preciso saber, entre elas é as intenções de meu tio. Quero que você vá até ele e diga que precisamos conversar. O convido para vir até o meu quarto na noite de hoje para um jantar apenas nós dois. Estarei em sua espera no horário das 20:00. - Minha intenção, caso meu tio aceitasse o convite, era pedir que Argara preparasse o jantar, uma carne assada para receber meu tio em uma conversa privativa, sabia que as paredes tinha ouvido, mas com meus sentidos mais apurados eu saberia caso alguém se aproximasse. Caso meu tio aceitasse, me encontraria com ele no horário combinado e conversaríamos de forma clara e sincera um com o outro. Caso a resposta fosse não, pediria que CD investigasse mais sobre o rapto das pessoas e se realmente existem piratas nesta ilha ou não. Eu também não esqueceria de buscar mais informações a respeito de meu avô.

Kei Chikage
Cipher Pol 3


@Angelique
mp
^
2 User(s) are reading this topic (1 Guests and 0 Anonymous Users)
1 Members: Agamotto

Pages: (3) 1 2 3 
responder
novo tópico
fazer enquete