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 #3
Lucilfer
 Posted: May 31 2018, 09:14 PM
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Lucilfer




Agente - Cipher Pol 3



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Agente do Governo




O retorno foi mais tranquilo do que eu esperava. Suficiente para me fazer lembrar do livro que tinha recebido outrora, e também para permitir que o lesse. As letras ondulavam junto com o balanço do mar, porém, com certo esforço, lutava para mantê-las firmes na minha mente enquanto lia o próximo trecho.


… Nós não somos o que somos, em qualquer aspecto. Há algum tempo atrás, poderíamos ter sido. Talvez. Acho que nunca tivéssemos sido feitos para isso, na realidade. Acho que o primeiro de nós já sabia, no fundo, o que estava criando. O que estava fazendo. O que estava construindo. Não acho, porém, que ele tenha mascarado nossa essência com a profissão. De fato, acho, com toda a certeza que minha consciência pode reunir, que a profissão que acabou nos transformando. Artífices, uma excelente alcunha. Sim, sim, uma excelente…



Um livro era um conjunto de relatos de um conjunto de gente. Às vezes, algum escritor era preciso e incisivo, com palavras que poderiam ferir sua mente. Em outras vezes, outro escritor soava tão vaga que era possível imaginá-lo insano, escrevendo com uma pena na boca enquanto seu braços estão amarrados nas costas. Eu não sabia ao certo porque continuava lendo. Eu não sabia nem que tinha me dado aquele livro! Era um bom passatempo, talvez, fosse até mais que isso.

[...]

Atracamos, desci, e fui direto à agência do governo. Os relatos da missão já tinham sido devidamente passados, e eu não pude evitar de perceber os olhares antigos, de novato, salientados por uma pitada nova de escárnio. Fracassado, pensei. Que seja. Não evitei os olhares e, muito pelo contrário, olhei para tudo ao redor: Será que ele estava aqui? O velho do livro? Parecia que não.

Direcionei meus passos para onde as missões eram repassadas aos agentes. Além da missão, talvez, um novo grupo fosse formado, já que o antigo no qual eu fui realocado parecia ter se desfeito de novo, devido a direção de trabalhos diferentes. Ou não, não me importaria de prosseguir sozinho numa missão solitária. Já havia descansado demais no navio e, agora, estava ansioso para prosseguir. Parando para pensar nas minhas convicções, parecia que eu vagava avulso em um mundo que eu não entendi. Por que ainda me movia naquele sentido? Por que ainda fazia missões para o governo? Eu lutava por quem? Na verdade, não existia nada muito dentro de mim. Nada como nas grandes histórias, de grandes heróis, com razões nobilíssimas. Eu só… Achava certo. Seja como for, ali estava eu, parado, esperando, de modo avulso e inesperado.



Spoiler
Uma nova aventura, sem qualquer requisição da minha parte. Tudo a critério do narrador. Ah, se já puder ir pra GL, seria o único ponto que pediria.

É isso, nós.


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Kcyan
 Posted: Jun 4 2018, 06:09 PM
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Narração

Um livro muito podia nos dizer; da mesma forma que pouco poderia nos transmitir. Ezx bem sabia dessas pequenas verdades. Mas, o genuíno livro é aquele que nos afeta como um desastre, não com uma mera ferida. Um livro deve ser como um machado que golpeia severamente o mar gelado em nós. Talvez a tivesse sentido isso, ou ainda viria a sentir, de fato não teria sido naquela oportunidade, pois assim não teria esquecido tão facilmente; o certo era que o futuro incerto o aguardava.

Aqueles olhares turbos podiam pesar em suas costas de forma mais palpável do que diversas coisas reais, as quais sua presença já lhe era insignificante. O rapaz podia ouvir sussurros mais distantes, provavelmente motejos, quando cruzavam o seu caminho nos passadiços. Era fatídico, a sua imagem havia sido conspurcada em uma nódoa que só lhe trazia desonra.

Não que Ezx desse grande importância, mas estava ali, em todo o seu arredor, por todos os lados e cantos. Ou até fosse sua imaginação, que se pertubava mais com aquilo do que o próprio rapaz gostaria de se admitir. Em seu âmago ainda lhe persistiam dúvidas; das mais brandas até as mais crueis. Estava imerso naquele processo que não compreendia. Alienado. Todavia, as respostas estavam adiante, os portões da justiça abriam-se logo a frente, bastava que ele trilhasse o seu caminho.

Vim cuidar pessoalmente de seu caso, Agente Ezx; sente-se à mesa, por favor. Sou o Agente Lumni - absorto, o rapaz sequer havia percebido chegar na referida sala. Entretanto, podia compreender, de imediato, que estava diante de alguém mais importante, devido ao seu broche de ouro que estadeava-se em seu peito — Uma missão falha, Agente Ezx - o homem dava uma pausa dramática, deixando soltar um suspiro audível e proposital — Quantas mais? Quantas mais pretende falhar? - indagava, possante, mas com a voz que lhe afetava como uma forte brisa.Ainda havia um tipo de doçura em seu tom. Talvez fosse ser perdoado por aquele erro.

Nenhum erro a mais, Agente Ezx - levantava o dedo, olhando fixamente para os seus olhos — Creio que eu devá te passar um treinamento disciplinar, antes de lhe atribuir qualquer missão. Foi para isso que veio aqui, correto? - suas mãos remexiam alguma papelada — Você é novo, ainda tem muito o que aprender. Deve ser treinado com mais rigor, para não cometer mais erros assim - começava a escrever rapidamente, preenchendo um papel por inteiro — Apresente isso na sala C043, o devido instrutor se responsabilizará pelo seu treinamento. E pensar que a Agente Angelique pôs os olhos em você em algum momento... Por fim, há uma questão que queira por em pauta? - dava-lhe a última chance de quebrar o seu silêncio — Pois bem, está liberado - o homem lhe dava o veredicto.

Off

Spoiler
@Lucilfer Tens discord, Lucilfer?


This post has been edited by Kcyan: Jun 4 2018, 06:11 PM
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Lucilfer
 Posted: Jun 4 2018, 08:25 PM
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O peso dos olhares e sussurros fazia-se palpável. Era como se fosse uma força da natureza, um vento, um calor, um odor displicente que preenchiam o lugar e chegava até mim. Olhos rápidos e desviados, sussurros silenciados com minha presença, e uma falta de feições alegres quando me cercavam, todo um teatro - bastante verdadeiro - projetado para receber o bobo da corte. Para mim, bem, era só mais um dia. Alienado, absorto, e decidido, quais eram meus motivos para ligar para qualquer um deles? Sorri.

A sala específica criou paredes ao meu redor, deixando pouco tempo para perceber onde estava. E com quem falava. À minha frente estava um outro agente, régio em sua postura, com um tom bastante incisivo, e delineado por uma medalha de ouro que adornava seu paletó. Pressupus, por este último detalhe, que aquele sujeito tinha algum cargo importante e que, hierarquicamente, eu devia muita reverência a ele. Embora avulso, ainda era capaz de respeito. E assim o fiz: Enquanto ele redigia um sermão digno e poderoso, mantinha um olhar baixo o suficiente para demonstrar minha posição, porém alto o bastante para indicar-lhe que prestava atenção em cada palavra sua.

— É… É que… — Existiu, em algum momento, qualquer explicação para um fracasso? Não. Ou você faz, ou você não faz. Era simples até para um sujeito simples como eu. Um vulto antigo, que parecia ter se acalmado em algum lugar da minha consciência, retornou com a mesma ferocidade de outrora: Eu nunca estive preparado. Eu não sabia lutar, não sabia reagir. Eu nem carregava uma arma! A postura de antes cedeu, e meu olhar respeitoso sucumbiu à minha fraqueza. Respirei fundo, parte por necessidade, parte para dar tempo à minha essência retornar. — Eu falhei. E é só. Arco com qualquer consequência que esta falha possa trazer. E quando digo eu, digo somente eu. Yokashiro salvou a vida de todos uma vez. Kakay ficou no reino para ajudar. Só eu falhei. — A confissão criou certo alívio. Embora, não tanto quanto eu gostaria: Dar voz àqueles sentimentos era como salgar um corte. Você sabe que vai doer, e realmente dói.

Para mim, um tarefa evidentemente importante: Treinar. Eu não podia carregar o peso de ser um agente sendo fraco daquele jeito. O fracasso, porém, resultou em um aprendizado. E um que, talvez, já tivesse começado quando os caminhos começaram a realmente se estreitar.



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Tenho não, mas tenho skype: qualquer.coisa38.




This post has been edited by Lucilfer: Jun 4 2018, 08:34 PM
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Kcyan
 Posted: Jun 5 2018, 08:30 PM
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Dentro daquela sala, diante daquele homem, o Ezx não podia arranjar desculpas. Ainda que viessem à sua mente, logo lhe fugiam, seja de forma covarde, seja por seu iminente reconhecimento de suas fraquezas e erros. O rapaz parecia progredir, e cada avanço era uma importante conquista. Observara bem aquele homem, que, de fato, era alguém em uma posição superior à dele. Assentir era a sua melhor opção naquele momento.

Suas mãos, as quais carregavam a mácula do fracasso, ainda podiam fazer alguma coisa. Entretanto, para isso, era necessário ficar mais forte; dominar-se, dominar ao outro, só assim poderia vencer. Alguém que só metade sabe já está com metade da disputa perdida. Se havia um momento para trabalhar as suas necessidades, aquele momento havia chegado — Vamos, o que está esperando, Agente Ezx? - reiterava o Agente Lumni, ainda mexendo em seus papéis — Sala C043, não fui claro? Você terá maiores instruções lá - trazia-o de volta daquele estado absorto.

Nas feições do Agente Lumni havia algo distinto de outrora; Ezx podia notar sultimente, como se atrás daquela face se escondesse algo. Pelo menos, era o que podia sentir naquele momento, caso olhasse-o brevemente. Não sabia identificar o que era, mas, de alguma forma, aquilo lhe cutucaria a mente. Talvez fosse apenas a sensação que um homem superior como o agente passava; talvez fosse algo a mais — Agente Newha; é o nome de sua instrutora, por agora - fazia-se mais claro, apressando o noviço.

Caso observasse melhor aquela sala, Ezx poderia notar alguns quadros interessantes; dentre eles, haviam pessoas aglomeradas ao redor de uma fogueira, em um rito insólito, onde dançavam com uma figura abstrosa - mas que parecia ser um esqueleto, coberto por um manto negro. Embaixo da imagem, estava escrito em letras fúnebres: "Memento Mori".

Ezx já poderia sair do cômodo, como havia sido orientado, se dirigindo para a sala indicada. Lá, aguardavam a sua chegada, para que dêsse início ao sacrifício de sua carne e sangue, como todo bom agente faria.

Off

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@Lucilfer Lembra de me marcar para evitar atrasos! Se não soubesse que você posta rápido, ficaria esperando um bom tempo pelo alerta e não teria ido procurar a aventura!


This post has been edited by Kcyan: Jun 5 2018, 08:31 PM
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Lucilfer
 Posted: Jun 5 2018, 09:06 PM
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Por um momento, estive perdido: Em um mar próprio, de pensamentos, imerso em um líquido inexistente de lembranças, ideias. E planos. As palavras do meu tão rápido mestre ainda surtiam efeito: Quem você é, Ezx? Quem eu sou? Sempre gostei de ser alienado, avulso, introvertido. Na realidade, até agora, atormentado por uma dúvida crucial, a resposta parecia simples e suficiente: Eu sou só eu. Só. Para mim, era satisfatório saber disso, mas, ainda assim, em algum cerne que não entendia muito bem, parecia que a razão da pergunta estava mais a fundo, interligada não tão somente em minha essência de agora, mas sim no que viria a ser no futuro. Para tal, porém, não tinha resposta, nem mesmo em minha introspecção realizada. Não sabia o que de fato queria.

Por hora, estava ali, no caminho que mais me parecia certo.

— Ah, desculpe-me. — Disse, enquanto cedia parte do meu devaneio à uma atenção forçada e necessária. Com um pouco mais de vontade, as águas tortuosas da minha consciência escorreram diante ao abismo da realidade concreta. Um superior estava à minha frente, indicando meus próximos passos. Encarei-o tão altivo quanto minha posição permitia, e percebi e não percebi algo. Tinha alguma coisa nele que não conseguia entender, decifrar, uma melodia inaudível, uma sensação de que ele falava menos do que pensava. Um pouco de persistência não era bem insubordinação, pressupus. — Senhor, peço desculpa novamente, mas posso requerer mais da sua atenção? Acredito que não sou o primeiro agente a falhar. Acredito que não sou o primeiro agente a ser designado a um treinamento. Acredito que não serei o primeiro a ser treinado que no futuro se tornará só mais um de nós.

A pausa não foi dramática. Na verdade, as palavras estavam ainda se formando, parte pela mudança de rumo repentina, parte por eu nem mesmo saber o que estava fazendo. — É… O senhor poderia me treinar? Sim, eu quero dar um passo maior do que posso. Quero cair, pra levantar mais forte. Não quero ser só mais um que fracassou, treinou, e virou algo entre o normal e o mediano. Eu fiz… — A dor no ombro estalou, lembrando da tortura que tinha provocado a outro, naquele mesmo lugar. — Fiz de tudo para conseguir ter sucesso. Mas, não foi o suficiente sabe? Eu quero ser o suficiente. Não, eu quero ser mais que o suficiente. Não acredito que sendo jogado para mais um treinamento normal irá ajudar. A não ser que esse treinamento seja feito por alguém realmente superior.

As palavras soavam confusas, trêmulas, mas estavam lá, postas com uma franqueza sólida. Eu escolhi traçar o caminho mais difícil. Com a única coisa que tinha certeza sobre mim: Determinação.



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@Kcyan

Tentei fazer algo diferente: Ao invés de seguir o caminho que o narrador sugere, eu escolhi um outro. Surpreender o narrador tanto quanto ele pode me surpreender.


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Kcyan
 Posted: Jun 5 2018, 09:47 PM
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Narração

Havia um pandemônio em Ezx. Mais do que isso; havia antagônia, a própria contradição; a angústia e a desolação que penetravam impiamente pelas hiantes de seu ser. Indagações e indagações enovelavam-se em sua mente, sempre infindáveis; sempre confusas.

Ainda tocava aquele insólito som, o qual Ezx conseguia escutar, ainda que distante; todavia, fazia-se cada vez mais audível, quanto mais ele prosseguia em sua fala. Intensificava-se naquele silêncio mórbido, tenso, no qual - agora - o Agente Lumni tinha os seus olhos bem pousados sobre o rapaz. Pesavam pelo menos algumas vezes mais do que aqueles que sentira outrora; mas esse era diferente, também podia notar. Trazia aquele silêncio onde só se arriscava respirar.

Ao terminar as suas súplicas, o agente levantava solenemente de sua cadeira. Só agora podia se dar conta que ele possuía uns dez centímetros a mais, o que era bastante, para um humano comum, considerando a sua própria altura. Não era só isso, o homem também era mais largo, possante, parecia dotado de um vigor que só podia ser obtido por meio de muito treino árduo. Não chegava a ser aquela figura musculosa, mas os músculos eram tão bem trabalhados que pareciam ter sido esculpidos abaixo das veias sobressalentes.

Ele arrodeva a mesa, aos seus próprio ritmo, letárgico, apenas tirando os olhos de Ezx por agora, desde que começara a se pronunciar. Olhava para o quadro, ao fundo lateral da sala, o mesmo que havia passado de soslaio pelo mancebo — Você vê aquela pintura? - aproximava-se de Ezx, tocando-lhe acima da cabeça, como se fosse afagar-lhe os cabelos - mas não era isso, virava o rosto do rapaz para onde estava pendurada a obra.

É de um artista que aprecio muito. Consegue adivinhar qual é? - indagava, com uma delicadeza tenra na voz. Havia um pequeno silêncio no canto de sua boca, o qual contraía-se e retraía-se — Descubra-o, e eu o treinarei; o que vê? - levantava a pergunta — Um fracasso... Agente Ezx... Você não vai querer fracassar de novo, vai? Você sente a impotência em suas mãos? - sua mão deslizava, ao encontro da de Ezx, segurando-a com delicadeza — Isso, Ezx, são suas tentativas de romper o ovo. Nesse momento, você não é mais do que o passarinho que tenta nascer; ainda luta em sua casca, mas ela é dura, pois foi feita para o proteger, por isso se machucas tanto - soltava-a lentamene, deixando-a onde havia encontrado.

O mundo é o ovo; o mundo que você conhece. Para nascer, a ave deve destruir o ovo - parecia-lhe sussurrar-lhe, como quem contra um precioso segredo, próximo ao seu ouvido, postado em suas costas. Suas mãos agora seguravam-lhe os ombros, firmes — E então, Ezx, o que vê?

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@Lucilfer Que ótimo, pois eu havia escrito justamente isso, mas apaguei, para introduzí-lo depois. Foste direto para o Lumni.


This post has been edited by Kcyan: Jun 5 2018, 09:49 PM
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Lucilfer
 Posted: Jun 6 2018, 06:52 AM
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Eu preferia pensar que aquilo era alguma forma de determinação, e não um completo e total lamento. Não estava chorando porque era fraco, estava decidido a melhorar porque era por esse caminho que tinha escolhido percorrer. A névoa dos pensamentos se dissipava diante esta certeza ardente, embora o calor que emitisse não fosse suficiente para aplacar toda minha consciência resfriada pelas dúvidas.

O agente superior pareceu ouvir cada palavra minha com atenção perturbadora. Seus olhos pesavam em mim, mais do que antes, mais do que nunca. O momento que ele gastava comigo era curioso: Eu não tinha nada demais. Nem como a gente, nem como nada. Lembrei de um tempo onde meus estudos de engenharia eram produtivos, ou melhor, pareciam ser. Talvez quisesse voltar lá, talvez quisesse trazê-los para cá. Não tinha tempo, agora. Ele levantou e começou a circular o cômodo, não mais castigando-me com seu olhar inquisitivo, e sim tornando-se um próprio nômade em sua sala ornamental. Parou do meu lado e girou minha cabeça para algo que não tinha visto, ou não tinha tido espaço para ver. Um quadro, pessoas sobre uma sombra, e uma frase em baixo. Seu significa era incerto, e mais incerto ainda foi sua pergunta: Se eu soubesse quem tinha produzido aquela obra de arte, aceitaria me treinar.

Como saberia quem fora seu arquiteto? Como descobriria quem fora seu criador? O que observava? Ele também perguntou. Ergueu minhas mãos que estavam apoiadas sobre a mesa à minha frente, e formou uma metáfora bastante estranha adornada por um movimento mais ainda. Eu soltei minha mão o quanto antes, parte por não entender o que acontecia, parte por estranhar toda a situação, entendida ou não. Supus, em algum momento, que aquele sujeito fosse poderoso o suficiente para fazer de mim forte, sábio o suficiente para fazer de mim inteligente. Alguém para impedir minhas falhas. Porém, agora, quem era aquele sujeito? O que significava tudo aquilo de descobrir um autor? Ou aquela metáfora de casca? Quando um sussurro ecoou até meus ouvidos, levei meu corpo para o mais longe possível e, por coincidência ou não, para mais perto do quadro. — Quem é você? O que você quer de mim? Eu pensei que você fosse só um agente renomado e possivelmente um mestre que pudesse me fazer evoluir. Mas... Tudo isso. O que significa? — O quadro esteve tão perto dos meus olhos e minha consciência que não pude esquecê-lo. — O que significa memento mori? O que está acontecendo?

A realização de um caminho desconhecido, talvez e finalmente, fez-se mais alta. — Eu só queria ser treinado. Só queria ser mais forte. Se você não for me ajudar, eu posso me retirar e descobrir outro jeito. Sozinho.



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Kcyan
 Posted: Jun 7 2018, 08:40 PM
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Lembre-se de que você é mortal.

Lembre-se de que você é mortal - foi a única coisa que o agente disse por um bom tempo, deixando o silêncio se alastrar após todo o reboliço criado por Ezx. Uma frase com muitos significados, a qual podia ser compreendida de diversas maneiras. Entretanto, naquele momento, ela era utilizada para uma única finalidade.

Me siga, Agente Ezx - o homem ia até onde o quadro estava pendurado, esperando que o rapaz o seguisse até lá. Parou ali, de braços cruzados — O que você é? - dava um ênfase sombrio no "você", redarguindo a pergunta feita pelo garoto — Tire o quadro da parede e olhe atrás dele - dizia, soltando um suspiro que expressava certa decepçã, após o agente dar-lhe a resposta — Era isso que deveria ter feito. É isso que você é. Um agente. Um agente que procura respostas - já dava a meia volta, deixando Ezx ali. Atrás do quadro estava escrito:

"Saint Jerome Writing

Meresi Lumni

Ou que deveria ser - falou incisavamente, sem poupar-se no tom de voz empregado — Eu sou o Agente Amerighi Lumni, o segundo em comando dessa base; braço direito de nossa louvável líder, a Agente Angelique. E você, Ezx, quem é? - Lumni voltava para a sua cadeira, visivelmente irritadiço — O que eu quero de você? O mínimo que um agente deve fazer. Você é assustado, ainda é um feto, um feto que ainda se alimenta do líquido amniótico - Lumni o encarava severamente — Você sabe o que isso significa, Agente Ezx? Ou é preciso que eu te explicite? Você realmente acha que pode fazer algo sozinho?

O Agente Lumni não estava nada satisfeito com o teste que havia empregado para Ezx. Sem ao menos tentar, o amedrontado garoto já caia em seus temores, alheio às coisas em sua volta; perturbado com tudo aquilo que lhe infligia a sua pequena bolha. E agora, o que seria do infausto Ezx?

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@Lucilfer Poxa, não tá avisando aqui a marcação!


This post has been edited by Kcyan: Jun 7 2018, 08:43 PM
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Lucilfer
 Posted: Jun 7 2018, 09:40 PM
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Mais uma fracasso para minha coleção e, de fato, um dos mais cruéis: Não necessariamente pelas consequências finais e desastrosas, mas sim pela minha falta de capacidade em resolver uma charada simples. O que eu via? Um quadro! E em todo quadro - ou pelo menos na maioria deles - o autor assinava seu nome na obra. O agente retirou a peça da parede e virou-a em mãos, mostrando um nome escrito em letras estruturais. Era, talvez, mais que simples. Porque não fui capaz de decifrar aquele enigma de criança? Não era essencialmente orgulhoso, mas o pouco que tinha estava gravemente ferido. Minha cabeça pesou duas ou três vezes mais, tornando-se tão baixa quanto minha autoestima. E, como se não bastasse, o superior transformou suas palavras em trovões, graves, pesados, e incisivos.

O silêncio finalmente caiu, tenso, e foi suficiente para pensamentos subjetivos. Aquele não foi um mistério normal. Ou melhor, suas condições que não foram: A imagem do quadro trazia uma sensação incomum, adornada e acrescida por palavras que não se sabiam o significado. Sua metáfora bizarra também confundiu minhas ideias, obrigando-me a supor que tudo aquilo era muito estranho, supor que era um teste mais intrínseco e mais difícil, não supor nada. Eu podia me desculpar por mais um fracasso. E podia fazer isso de novo, e de novo. Esse é sempre um caminho razoável para se prosseguir. Esse é um caminho que todos escolhem e devem escolher. Seguro, correto, também, e fácil de se lidar.

Minha determinação, a qual parecia sempre ser capaz de me empurrar, estava ali, novamente, fazendo o que fazia de melhor. E, embora achasse que fossem justificativas vagas e inventadas para um conforto próprio, era melhor acreditar nelas do que morrer em desespero. Desta forma, quando as palavras de sempre haviam se formado no começo do discurso, foram cruelmente mortas por minha mente cansada de perder. Por minha mente determinada em ganhar. Não queria mais pedir desculpas e não o faria.

Caminhei até a porta, do outro lado da sala, o mais distante que podia da sua mesa. Não me importei com a insubordinação de não responder suas perguntas, ou prestar qualquer respeito em sair avulso. Quando posto suficientemente distante, desatei o artefato que carregava e pendurei um livro pequeno, retirado de alguma estante lateral. Não era o melhor projétil, mas teria que servir. Minha mente começou a traçar planos, quase que instintivamente, não os de um lutador, mas sim os de um alienado acostumado a pensar demais. Despachei tudo aquilo com uma vontade ímpar: Aquela não era uma luta real, era uma demonstração. — Apresentar-te-ei minha determinação. Espero que este sucesso fale mais dos que meus fracassos. — A arma começou a girar, calma, depois rápida, e tudo começou a girar junto com ela. Estava tenso, e aquele podia ser meu último momento de mostrar algum valor. Dessa vez acertaria. Tinha que acertar.



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Novamente tentei inovar. Chamei o cara pra porrada ali mesmo. Vê se apareceu ai a marcação agora, deixei fora do spoiler. É isso nós


@Kcyan
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Kcyan
 Posted: Jun 8 2018, 11:16 PM
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Ezx sentia na pele, na mente e na alma aquele erro. O seu próprio desazo o levava mais e mais a fundo no poço em que ele se encontrava. O seu orgulho estava ferido e as palavras passavam a lhe passar como chumbo. Se antes as feridas haviam sido abertas, agora eram escancaradas sem nenhuma espécie de zelo. O que Lumni queria era exatamente impactá-lo, para que as palavras ficassem profundamente marcadas em seu âmago.

Cansado da derrota. Cansado do fracasso. Cansado de sempre se submeter àquilo que lhe impunham, o mancebo distanciava-se de Lumni, ignorando todos os seus comandos e perguntas. O seu superior não disse mais nada, senão olhá-lo pelas costas, enquanto distanciava-se, até —Irá fugir, Agente Ezx? Será que ainda posso o chamar assim? - indagava, em uma voz despretenciosa.

Naquele momento, o rapaz desatava a sua arma, fazendo o Agente soltar um som de surpresa —O que isso significa? - indagava, sem nenhum medo na voz, mas com um tom dúbio —Agora você resolveu lutar, Agente Ezx? - podia-se notar que, mesmo com o ato de rebeldia, o Agente Lumni não tratava mais Ezx apenas pelo seu nome. Uma gargalhada resoava pela sala, de forma muito intensa; o oficial parecia estar se divertindo demasiadamente com aquela situação — Pois bem, Agente Ezx, seja o que for que está planejando, isso é uma ordem: Não se segure! - o homem abria um sorisso branco, que lhe conferia seu devido aspecto de autoridade — Ou você vai fracassar novamente - gracejava.

Próximo a Ezx, havia uma longa fila de estantes que se estendia até o final da sala. Estantes feitas de madeira, devidamente polidas e vernizadas, com diversos ocupando seus respectivos espaços, desde os mais finos até os mais grossos; os mais novos até os mais empoeirados. Ademais, na mesa do Agente Lumni, alguns metros a frente, repousava alguns artefatos decorativos, como uma bola de cristal que possuía algumas charmosas bolhas dentro, além de uma estatueta de uma versão menor de alguma escultura famosa e o guarda-lápis, dispostos do mais pesado para o mais leve, respectivamente.

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@Lucilfer Poxa, não tá avisando aqui a marcação!


This post has been edited by Kcyan: Jun 8 2018, 11:20 PM
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Lucilfer
 Posted: Jun 9 2018, 04:18 AM
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Não se segure. Não se segure. Não se segure! As três palavras ressoavam na minha mente, várias e várias vezes, dançando sobre um conjunto de pensamentos ainda mais confusos. Onde estava? Na sala de um superior imediato, mas aonde, realmente? E o que estava prestes a fazer? A míseros segundos atrás, podia sentir uma certeza e determinação absoluta naquela decisão, de lutar, de não fracassar, de prosseguir, mas, agora, só conseguia ver uma atitude insensata e incapaz. O que mudou, de fato, foi sua única referência a um fracasso novo.

Não! Rugi mudo, mentalmente, e espantei tudo de novo. Havia, além do óbvio, um outro conflito a ser travado: Um pessoal e intrínseco, em minha essência, que devia ganhar antes de continuar. Eu não era um fracassado, embora estes fatos me rodeassem. Não podia ser, não queria ser. Minha musculatura, porém, fraca, retesava-se diante um esforço genuíno em aumentar a frequência do giro. Era um ataque carregado de força, determinação, renascimento e ascensão. Dir Noir precisou me ajudar. Yokashiro precisou me ajudar. Kakay precisou me ajudar. Todo o fardo que sentia ser, e carregar, sobrepesava naquele livro que rodeava e rodeava. Sem mais grandes planos, sem mais grandes estratégias, sem decisões ou futuros, só aquele momento, aquele golpe, tudo de mim.

O objeto lançado foi em direção retilínea, já que a distância era pequena demais para tentar qualquer circuito parabólico. Não era muito poderoso, realmente, mas servi de todo meu esforço para arrancar a máxima força bruta que tinha a oferecer. Meus olhos atentos e afiados, como sempre achei que fossem, faziam-se precisos em seu alvo: Um agente em alguma posição muito acima da minha. Causar-lhe qualquer ferimento podia significar minha expulsão da corporação. Mas, ainda assim, tinha-no feito. O superior, na verdade, mantinha sua postura alta, soberana, dispondo um sorriso que não se irritava com a situação o que, portanto, parecia me encorajar. Eu não podia fracassar mais um que acreditou em mim. O livro percorreu o ar de maneira antinatural, mas, ainda assim, seguiu em seu caminho tortuoso. Coincidência ou não, vê-lo, era quase uma metáfora do meu próprio ser. Alguns passos para o lado, e permaneci na frente da estante: De alguma maneira, óbvia, sabia que precisaria de mais. Eram muitas as falhas a serem superadas.



Spoiler

Só queria deixar claro que as vezes eu não uso o cenário por motivos interpretativos. Por exemplo neste post, o personagem está passando por um conflito mental de sucesso x fracasso, então ele tá só tentando conseguir, e não vai ter muito espaço, e condição, para reparar ao redor. Embora, se a mente dele esfriar, posso aproveitar mais as deixas que você deixa descrevendo o cenário. O post no geral ficou pequeno porque foi só um ataque, não quis narrar tudo pra deixar espaço para movimentos do superior, inesperados. É isso é nós


@Kcyan


This post has been edited by Lucilfer: Jun 9 2018, 04:27 AM
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 Posted: Jun 12 2018, 05:16 PM
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Era com um cego que revoluteava no vazio em busca de algo cuja existência era apenas uma suposição. Todavia, Ezx podia crer sentí-lo, e não deixaria o resultado daquela busca apagar-se.

Seus sentimentos entravam em ebulição. Borbulhavam de forma intensa dentro de seu ser. As constantes contradições convergiam seus esforços em único ponto. Um único ponto que ele deveria alcançar; que aquele livro deveria alcançar. Mas as coisas não seriam fáceis, Ezx sabia disso; sabia que estava em uma posição inferior em relação ao homem a sua frente. A partir de um certo ponto não havia retorno. E esse era o ponto que deveria ser alcançado.

Desatando todas as amarras de dependência que havia criado naquele momento; tudo que ainda o prendia ao chão; Ezx botava tudo de si naquele golpe. Naquele momento, era como se o tempo houvesse parado. Parado por alguns míseros segundos, enquanto o livro trilhava sua trajetória em câmera lenta. E as palavras eram ditas com clarezas — Mesmo que você se esforce. Mesmo que você ponha tudo de si. Mesmo que você dê seu sangue. Nada garante que você vai conseguir. E eu te digo aqui, Agente Ezx. Você irá falhar, mais uma vez - as palavras do Agente Lumni desciam-lhe como um baque.

O livro já havia passado. Há muito tempo. Atravessado o ar e repousava agora na mão do Agente Lumni, que o segurava com força entre os dedos — Eu te dei uma ordem, Agente Ezx. Uma única ordem! Não se segure! Será que você não é capaz de obedecer um simples comando?! - furioso, o agente rebolava o livro de volta contra Ezx — Não se segure, Agente Ezx! - esbravejava.

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@Lucilfer Gira um dadinho ai e me fala o resultado. Não precisa ser aqui, fica poluído. Manda MP, ai te falo o que aconteceu pra você narrar - e edito o post. Eu preferia usar como liberdade narrativa e te acertar no meio da testa, mas prefiro deixar em aberto pra uma pequena possibilidade de você desviar, já que traria mudanças na reação de Lumni e no futuro. Pode ser antes de postar o seu post. Sei que tu não ia roubar. Gogo. Li seu comentário, tá suave. Ai seguinte, pra agora, deixar definido: você pode fazer quantos movimentos quiser, ataque e defesa. Entretanto, o oponente terá o mesmo direito. Pra não ficar esse negoço de post de luta demais, sacas? Vai tudo em um flow só, gogo! Tenta postar hoje de noite, ainda, pra eu compensar. Lá pras 23:00, quando tiver em casa, eu posto de novo se tiver postado, senão fica pra amanhã mesmo!


This post has been edited by Kcyan: Jun 12 2018, 05:22 PM
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Lucilfer
 Posted: Jun 12 2018, 07:57 PM
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O barulho de couro rígido batendo contra sua mão foi estonteante. Seu movimento parecia perfeito demais: Seu braço aparou o projétil de maneira exata, flexionado em um ângulo curto, e que aumentaria, caso fosse necessário aplacar algum impacto poderoso. Porém, quase nem se moveu, meu golpe era infantil demais diante sua habilidade superior. Era mais resistente, mais forte, e, o que mais me cingia, mais preciso do que eu. Quando girou o livro em mãos e arremessou contra mim, fez de maneira exata, o livro percorreu um trajeto lateral, em um tipo de aerodinâmica que minha arma não me permitia, e acertou bem no meio da minha testa. Uma linha vermelha escorreu tão perto do meu olho que todo meu campo de visão esquerdo estava manchado pelo rubro.

Porém, não era sua apara, não era seu golpe, não era a evidente diferença de nossas habilidades que dançava na minha mente. Foram suas palavras. Afiadas como cacos de vidro, pesadas com álcool sobre uma mente ferida.

Mesmo que você se esforce,
Mesmo que você ponha tudo de si,
Mesmo que você dê seu sangue,
Nada garante que você vai conseguir,
E eu te digo aqui, agente Ezx,
Você irá falhar, mais uma vez.

Cada frase, cada palavra, cada letra, posta e sobreposta uma na outra, sobre minha consciência, sobre minha essência, gravadas no meu cerne como se fossem inevitáveis. Um destino inevitável. Algo contra qual não podia lutar, ou escapar, ou superar. Era fraco, era ínfimo, era escória. Era… Não. Não. Não! Repeti a negativa até ele ser mais alta que qualquer vibração sofrida. Não deixaria que ele definisse tudo aquilo, não deixaria que ele definisse minha sorte. Não deixaria que nada nem ninguém fosse capaz disso. E o eco da minha mente tornou-se voz, rígida, potente, furiosa, de tal maneira que a desconheci quando chegou aos meus próprios ouvidos. — Não. — Talvez, fosse até insana.

Um livro foi posto na arma, que começou a girar novamente. Tudo de mim significava força. O lançamento foi feito de maneira parecida, talvez um pouco mais alto, propositalmente.Tudo de mim significava estratégia. Sua elevação fora calculada, qualquer defensiva nesse ângulo dificultaria sua visão, e nesse momento mais livros seriam lançados a próprio punho, pois minha arma não me permitiria uma rápida sucessão de ataques. Tudo de mim significava tudo. Alguns visavam sua carne, outros sua imagem, caso esquivasse, e, por último, um único lançamento visava o quadro que tinha me mostrado. Pelo que me lembrava, o nome do autor era Lumni também e, portanto, sangue do seu sangue. O quanto estaria disposto a protegê-lo? Um livro, especialmente escolhido por sua capa resistente, não era realmente capaz de destruir aquela obra, mas, supondo que seja importante, um mero arranhão já seria suficiente para cingir sua essência.

Se o protegesse, iria correr até sua mesa, até uma esfera de cristal intrínseca que a adornava. Um artefato melhor de se lançar, que conseguiria impor mais força, e, quando o fizesse, talvez conseguisse as mesmas consequências de suas palavras de antes: Dolorosas, sofridas e atormentadores. Só que em um sentido bem mais literal. Não me seguraria. Não mais.



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Kcyan
 Posted: Jun 13 2018, 12:03 AM
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As diferenças entre o Agente Lumni e o Agente Ezx eram claras; tão nítidas como poderiam ser. Entretanto, o abismo que os separava não era uma hiante de forças, mas de outra coisa. Outra coisa que Ezx estava descubrindo cada vez mais dentro de si, respondendo aos estímulos que lhe eram dados. Era como uma pequena fogueira, na qual se jogava cada vez mais combustível, intensificando-se mais e mais.

O sangue que escorria da ferida aberta - e não era a única - manchava os olhos, impedindo-o de ver com maior clareza. Todavia, podia ver, melhor que nunca, o caminho que se alastrava à sua frente. As palavras lhe pesavam como grilhões que o puxavam para o fundo do mar, enquanto Ezx tentava livrar-se deles exaustivamente.

O que podia fazer era lutar. Continuar lutando. Se os resultados eram incertos, o que lhe restava fazer era prosseguir dando tudo de si. E naquele acesso de cólera e de eu, livros eram lançados em todas as direções, naquele embalo incontrolável; mas enganaria-se quem achasse que estavam-o sendo de forma desordenada. Muito pelo contrário, Ezx fazia o seu estilo, criava-o e usava-o.

Todavia, como o Agente Lumni bem havia dito, nem todos os seus esforços poderiam lhe garantir algo. E era o que acontecia. Livro pra cá, livro pra lá, o agente era por demasiado habilidoso. Os golpes de Ezx tinham força; tinham trajetória; tinham estratégia; mas lhe faltava algo. Ainda lhe faltava algo. Uns eram desviados com mínimos movimentos, não mais que o necessário. Outros eram parados ou desviados com as mãos do próprio agente. Diante de Ezx, aquela era a força que deveria alcançar.

O semblante de Lumni já havia mudado, para um rosto impassível e que já não parecia mais esperar muito — Já vi o suficien- - estava pronto para dar o veredito final, quando um dos exemplares mais pesados voou em direção ao seu estimado Saint Jerome Writing — NÃO! - Ezx pôde escutar um barulho estranho, enquanto Lumni desaparecia de sua visão. Sem hesitar, o rapaz correu para a sua mesa, chegando a ela no momento em que Lumni aparecia no outro lado da sala, jogando-se no meio da trajetória do livro - atrasado - com os braços esticados para alcançá-lo.

Ezx aproveitava a chance rapidamente, já preparando a esfera de cristal em sua arma. Naquele instante, Lumni colidia contra a parede, quase que diretamente de cabeça, por pouco não o sendo. O baque foi grande quando sua nuca entrou de contato com a parede, junto de suas costas, fazendo a parede tremer. O objeto maciço já se desconectava da arma do agente, quando Lumni chegou ao chão. O impacto na parede fizera o seu quadro oscilar, caindo de seu suporte.

O agente esticou seus braços, levantando e flexionando os joelhos em um sobressalto embreagado, para segurá-lo, a fim de não causar nenhum dano à obra. Nem pôde ver o que o atingiu. O objeto maciço colidiu violentamente com o seu complexo solar, pressionando-o contra a parede novamente, onde albaroou-se novamente contra a parede, soltando um som insólito e seco de dor, com os braços erguidos no ar.

Tossia para respirar. Saliva saia pelos cantos de sua boca, quando não eram cuspidos, enquanto seus músculos faciais se contraíam à semelhança de que fosse vomitar. Naquele estado deplorável o Agente Lumni permaneceu, ainda com os braços levantados, os braços visivelmente trêmulos que permaneciam erguidos, a sustentar o quadro imóvel, com toda a segurança do mundo.

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@Lucilfer Momento do Ezx, então acaba com a deixa pra você fazer o que quiser. Ótimo plano, de verdade! Não esperava que fosse conseguir feri-lo assim!
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Lucilfer
 Posted: Jun 13 2018, 05:13 PM
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Lucilfer




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— Eu peço desculpas.

As primeiras palavras que vieram à minha consciência, tão rápidas que nem sequer foram medidas antes de serem faladas. O agente superior estava à frente, pálido, trêmulo, em uma condição muito pior do que podia imaginar, muito pior do que podia acreditar que conseguiria colocá-lo. Foram tantas falhas, tantos fracassos, tantos desapontamentos, a marca do derrotado estava marcada tão profunda, que uma sensação de derrota iminente preenchia qualquer tentativa minha de conseguir, amargando tudo que tentasse. Tudo que tentasse. Tudo. A faca invisível cravou-se no meu ombro de novo, e uma dor que não existia, existiu. Novamente, havia optado por um caminho que cobrava caro: Quanto valia aquele artefato para ele? Qual era sua ligação com o autor? Seu pai? Seu tio? Um último parente vivo? Um último parente morto? Se ele não chegasse a tempo, talvez tivesse perdido uma recordação ímpar. Tudo para mostrar meu ponto.

Mas… Tinha conseguido. Tinha obtido um sucesso, tinha provado minha determinação. Não era esse o objetivo? Afinal, ele mesmo disse para não me segurar. Para ir com tudo. Dúvidas mais importantes, sobre meu caráter, minha essência, pareciam se formar: Essa era minha natureza? Um carrasco quando é preciso satisfazer seus próprios objetivos? A conclusão inevitável, porém, também estava sendo desenhada: E se fosse? Não estava definitivamente insatisfeito, na realidade, muito pelo contrário, alguma chama em mim crescia, ardia, acesa sobre um âmago a muito congelado, queimando um jovem de antes. Renascendo um alguém mais adulto. A determinação, que sempre fora minha bandeira, dava lugar a um sentimento mais sólido, mais rígido, mudo: Agora era implacável.

Embora ainda fosse justo. — Desculpas por tentar danificar seu quadro. E… Por atingi-lo, enquanto o defendia. — Caminhei em sua direção e ofereci-lhe a mão, ajudando seus movimentos, erguendo-o de pé novamente. — Você disse para não me segurar, e eu não me segurei. Ainda que… Tenha arquitetado isso, não me arrependo. Quero ser um agente poderoso, capaz de fazer o que tem que ser feito. Agora, consegui por que explorei uma fraqueza. E quando não tiver fraquezas a serem exploradas? E quando toda a estratégia se resumir no mais forte? Ou mais inteligente?

O silêncio não era criado para dar qualquer tom de mistério, apenas um momento necessário para um reflexão: Não queria ser necessariamente um exímio lutador, ou um combatente nato. Só queria algo que pudesse fazer com que esse fraqueza fosse superada. Talvez tivesse um caminho diferente, com armas inteligentes, construções destrutivas, estratégias elaboradas, um caminho que ele pudesse conhecer por sua experiência mais ampla. No entanto, se a única opção fosse talvez amadurecer em um gladiador, não reclamaria de nenhuma forma. Lembrei de uma passagem do livro que havia lendo: Éramos artífices mas também guerreiros. Não que acreditasse em qualquer palavra de qualquer livro, mas aquelas, neste momento, permiti que coubessem. Eu iria ser o que deveria ser e mais. — Você poderia me ajudar?



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@Kcyan

A intenção é sempre criar estratégias, usando o máximo possível de tudo que estiver para ser usado. É meu jeito de narrar. Por isso fiz um personagem assim, aliás. É nós tmj
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